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Wednesday, August 05, 2015

O dia em que abdiquei de "querer ter razão"




"Ensaio sobre a razão"
Técnica mista sobre MDF (100x100x4cm)


Não foi há muito tempo que abdiquei de "querer ter razão" - seja no que for, trate-se do que se tratar.

Mantenho, no entanto, uma destrinça basilar entre "querer ter razão" e "ter razão" - efectivamente.

Não pretendo, neste texto, "filosofar" sobre a Razão. Já o fiz antes...

Cheguei à conclusão que "querer ter razão" é uma "seca"... É desgastante, enfadonho e não leva a lado nenhum.

Seja lá o que for essa coisa da "Razão", acredito que só o Tempo tem o "Saber" e a Equidistância para a outorgar.

Com efeito, desde esse dia - o dia em que abdiquei de querer ter razão - já não me importa ter razão em coisa nenhuma.

A minha vida tornou-se substancialmente mais simples...

Adoptei uma estratégia tão elementar como infalível: Perante qualquer situação, mais ou menos litigiosa, "ofereço de barato" a dita "Razão" à outra parte...

"Tem razão!..."

Duas palavras apenas...

"Vai à merda!" corresponde ao mesmo, mas é substancialmente mais complicado e acarreta consequências imprevisíveis...

Chamem-me, portanto, "hipócrita", "cínico" ou o que muito bem entenderem.

Direi apenas: "Tem razão!"...




Gonçalo Afonso Dias,

Cascais, 05 de Agosto de 2015


Friday, May 22, 2015

A "artéria" de tinta acrílica branca e o "canito" do meu vizinho de baixo, que é bem giro, por sinal, e não tem culpa nenhuma de ter de conviver com aquele "coiso"!...



Fotografia: Gonçalo Afonso Dias, 22.05.2015


O MEU VIZINHO DE BAIXO




Não conhecia o meu vizinho de baixo.

Mudou-se "para cá" há dois meses.

Eu "já cá ando" há anos e nunca gostei de ir à varanda espreitar para ver que eram os "vizinhos de baixo" que estavam sempre a mudar... 

Diz o Sr. Chagas, que é o porteiro do prédio onde eu e o meu vizinho de baixo moramos, que "isto já parece um aparthotel" porque estão sempre a entrar e a sair vizinhos de baixo...

No outro dia, eu estava a trabalhar na minha varanda que dá para o terraço do meu vizinho de baixo.

Tinha enchido um maço de Marlboro "normal" com tinta acrílica branca e espessa com a intenção de aumentar o peso da base da "instalação", "manifesto", "coisa", o que quiserem, que já ando a fazer há muitos dias.

Desatento, deixei cair o maço cheio de tinta acrílica branca e espessa no terraço do meu vizinho de baixo.

"Explodiu" e a tinta criou uma espécie de artéria de largura variável. Até ficou giro...

Ainda era cedo e ele devia estar a dormir porque, preocupado, fartei-me de chamar por alguém que lá morasse: " Ó se faz favor?!!!","Ó se faz favor?!!! Repeti inúmeras vezes, cada vez mais alto.

Ninguém apareceu excepto o "canito" do meu vizinho que, por sinal é bem engraçado e engraçou com aquela coisa que lá caiu...

Falei com ele, com o "canito" e disse-lhe para não lamber aquilo porque apesar de ser acrílico aquoso ele podia ficar viciado.

Muito tempo depois, já o acrílico estava mais do que seco, ouvi, lá de baixo, uma voz antipática que disse coisas mas eu só percebi a palavra "Marlboro".

Percebi outra coisa pelo tom dessa voz - "aquilo" era "casca-grossa"...

Hesitei. Entre ficar "caladinho", porque percebi que "aquilo" era "casca-grossa", e porque se nada dissesse nunca ele iria descobrir porque tem mais 15 andares com vizinhos em cima, ou, fazer como os meus pais me educaram e, mesmo já tendo percebido sem o ver, que não devia sair dali coisa boa, abeirar-me do corrimão da minha varanda e diizer: "ó, se faz favor!"

Foi assim que vi pela primeira vez o meu vizinho de baixo e não gostei nada do que vi.
O tipo parecia um camionista "feio, porco e mau" como aqueles dos filmes americanos. Tinha o cabelo e a barba longos e loiros e tudo.

"Olhe! Eu sou o responsável por isso!...
 Desculpe lá! Não posso ir aí a baixo porque estou doente mas já telefonei ao Sr. C. para ele tratar do assunto mas, como é costume, o Sr. C. não atendeu porque, como sempre, em vez de estar no balcão da portaria a aturar vizinhos mal-educados que nem sequer o cumprimentam "pira-se" para a loja da BP aqui ao perto e fica na "brincadeira" com as meninas das caixas...

Foi quando o meu vizinho de baixo que parece um camionista "feio, porco e mau" como nos filmes americanos, cruzou os braços roliços sobre a sua enorme barriga, abriu as pernas num gesto ameaçador que nem as "havaianas" brancas disfarçavam e me disse, num tom desagradável e "cara de poucos amigos":

"Isso é o que eu vou investigar!..."
Desculpe? Respondi, já arrependido por não ter feito como todos fazem e ter assumido a minha responsabilidade.

"Sim! Vou investigar se foi sem querer ou não!"...

"Olhe. Sabe uma coisa? Eu devia era ter ficado calado!...

" E se o animal morresse? respondeu ainda mais ríspido...

"Não morreu porque eu falei com ele e, além disso essa tinta é feita com água que não mata animal nenhum!" O gajo já me estava a começar a irritar e, ainda por cima, eu tenho idade para ser pai dele...

"Isso é o que eu vou investigar!"... Voltou a rosnar...
E acrescentou: "vou investigar se a tinta é mesmo acrílica"...

Passei-me! Disse-lhe "que sim", que investigasse, que chamasse a polícia, o ministério público e a PIDE...

"A PIDE já não existe. Informou-me...

"Não?! Olhe que não parece... "Disparei", já com vontade de lá ir abaixo não fosse o risco que corria de estragar as cicatrizes que tinha...

E foi assim que fiquei a conhecer o meu vizinho de baixo mas, antes de virar as costas, ainda o informei: "Estou aqui há muito tempo e nunca tive problemas com nenhum vizinho e, "sabe que mais?":  Não volto a falar consigo porque o senhor acabou de demonstrar que é uma pessoa malformada e eu não falo com pessoas malformadas.

Passou mais de uma semana e a tinta ainda lá está junto às beatas e aos cocós do "canito" que é bem giro, por sinal, e não tem culpa nenhuma de ter de conviver com aquele "coiso"!...

Sunday, May 17, 2015

Pois é!...Digo "mal" de tudo...



"Pois é!!!...
Reparei agora com a cena das "coisas bem-dispostas"...
É. Não digo bem de nada...
Só digo mal. De tudo...
Deixa lá ver uma coisa para eu poder "dizer" bem... hummm...............
hummm.... Ah! já sei!
Vou dizer bem de ainda poder dizer mal de tudo!
Pois. Por este "apressado" andar para trás, para os tempos do "coiso" que morreu depois de ter caído de uma cadeira (cada um tem a morte que merece...) em breve já nem mal poderei dizer. Poderei. Na cadeia...


Ah! outra coisa para dizer bem! Não. não posso. Ainda não aconteceu apesar de a "Nação Benfiquista" querer muito e eu também... Digo mais logo, ok?"



(GAD)

Friday, April 24, 2015

Coisas" e "coisos", pessoas também, mas poucas...



Fotografia: Gonçalo Afonso Dias - série - "assombrações".


Coisas" e "coisos", pessoas também, mas poucas...

Aos 50 anos ainda me admiro com a facilidade com que me engano a respeito de muitas "coisas".
Mais ainda quando as "coisas" não são bem "coisas" - são uma espécie de pessoas.
E ainda me choco quando as pessoas, essas sim, são "coisas", não respondem aos meus "bom dia!", "boa tarde!" ou "boa noite!" no hall de entrada ou no elevador do prédio onde vivo e que tem muitas "coisas" e possivelmente algumas pessoas também, espalhadas por 64 apartamentos amontoados em 16 andares.

Ainda acho incrível que as "coisas" não apanhem o cocó dos seus animaizinhos (que não têm culpa nenhuma de as ter) e não os metam nos saquinhos pretos que dizem: "O seu bairro não é um campo minado - seja um dono responsável. Recolha os dejetos (assim mesmo, de acordo com o acordo) do seu cão!", e que estão em recipientes bem assinalados, pendurados em postes ao longo dos passeios. Está mal escrito, claro... Porque dá a ideia que quem leva uma cadela e não um cão, pode estar à vontade a minar o passeio que é de todos. Também está mal escrito porque o "cão" não é da pessoa ou "coisa" que o (a) leva a fazer cocó - a pessoa, ou "coisa", dependendo dos casos, é que é do cão ou a cadela que leva a fazer cocó, só que não o sabe... Ele, ou ela, se for "uma" também não lhe diz porque como é mais inteligente que a pessoa que acha que é dono ou dona, sabe muito bem que se o fizer perde os poucos privilégios que tem.

E fico (ainda) irritado quando os "coisos" ou as "coisas" não param os popós antes das passadeiras para as pessoas passarem. Não devia ficar assim porque sei que as "coisas" não têm olhos e não sabem que aquelas listas brancas pintadas no meio das ruas se chamam "passadeiras" e que, isso significa "sítio por onde as pessoas passam". P r i o r i a r i a m e n t e.

Friday, January 21, 2011

PRESIDENCIAIS 2011 - LIXO, SÓ LIXO...

Há relativamente pouco tempo, no final de 2010, deixei aqui um post intitulado "Não me apetece escrever. Talvez para o ano..."As memórias da minha estadia em Angola, que precedeu esse "desabafo", ainda se debatiam com a realidade deprimente que aqui encontrei poucas semanas após a minha partida para esse país tão maltratado e tão desconhecido pela generalidade dos portugueses (e não só), que se habituaram à cómoda postura de "falar por falar", ou, pior, por ouvir falar.

Já aqui o escrevi em diversas ocasiões - sou português e angolano. Mas, foi em Angola que cresci, que enfrentei, com os meus pais e irmãos, os "tempos Históricos" da guerrilha urbana entre os três movimentos em conflito (M.P.L.A., U.N.I.T.A e F.N.L.A., a Independência e, talvez o mais marcante para mim, o período pós-indepêndencia.
Nesses tempos, as palavras "solidariedade", amizade" e "cumplicidade" ultrapassavam os seus mais verdadeiros sentidos. Extravasavam qualquer compreensão literária. Eram verdade e simultaneamente uma fórmula "sagrada" para a nossa sobrevivência. Eram, por outro lado, o elemento aglutinador, a "chave secreta" de um grupo de jovens adolescentes obrigados, pelas circunstâncias, a vestir, precocemente a "pele de adultos".
Reporto-me aos finais dos anos 70.
Uma década depois, o nosso grupo desmembrou-se. Muitos, como eu, vieram para Portugal pois de outro modo não poderiam prosseguir os estudos.
Outros, "perderam-se" por caminhos incertos e não mais - tanto quanto sei - se encontraram.
A vida é assim. Por muito que a tentemos "dourar" é ela que dita as regras. Implacáveis, em muitos casos. Surpreendentes, quase sempre. Imprevisíveis, por definição.
Escrevo este texto, sem rascunho, em véspera das Eleições Presidenciais e, num contexto político, social e económico, preocupante, confuso, distorcido e extremamente perigoso para a Democracia e para os Direitos elementares dos cidadãos.
Escrevo este texto, num momento em que sinto que a Constituição Portuguesa parece tender a ter apenas o "peso" de uma lista das "Páginas Amarelas"...
Assisti, sem grande entusiasmo, a alguns debates e acções de propaganda dos distintos candidatos à Presidência.
Não me recordo (e já tenho mais de quatro décadas), de um período pré-eleitoral tão desinteressante, vazio, e desmotivador.
Não vou, tão pouco, particularizar ou pessoalizar a minha apreciação. Numa única palavra - LIXO !
Estive muito mais atento às "conversas de café", sobretudo entre os jovens, do que às palhaçadas, mais ou menos encenadas, dos vários candidatos.
Estive e estou muito mais preocupado com o futuro (ou a ausência dele) da nossa juventude.
Apesar das sondagens e das "quase-certezas" que os média divulgam hoje com enorme aparato - Cavaco ganha à primeira volta com um nº significativo de votos - penso (e não seria a primeira vez) que, no momento da verdade, em frente ao boletim de voto, muitas coisas podem ainda acontecer.
A juventude deste país é inteligente, está inconformada, conhece o seu "peso" e sentiu, como muitas outras camadas da sociedade, que ninguém perde (ou perdeu) um minuto das suas atribuladas vidas de políticos profissionais a pensar neles.
Pode ser que me engane.
Pode ser que não.

Wednesday, May 12, 2010

Saia e carregue no 2.

Cheguei ao aeroporto da Portela cansado. Mais de 7 horas de voo, mais de 10 horas sem fumar, muitas horas sem dormir. Vinha de Luanda onde, no embarque, as "coisas" também não tinham corrido propriamente bem... (houve um "artista" que se lembrou de me tirar da mão o passaporte (angolano), o talão de embarque e desandar pela placa dizendo coisas que para mim, não faziam qualquer sentido, sobretudo quando o avião que era suposto eu apanhar estava a recolher a escada e a fechar lentamente a porta...
Era de madrugada e a situação resolveu-se com a intervenção de duas funcionárias "avisadas" da TAP que interceptaram o tal sujeito e me reconduziram para junto do "grande pássaro"... Depois de um telefonema para o comandante do avião a justificar a presença do "passageiro que faltava" lá voltou a escada, a porta abriu-se magicamente e eu entrei. Fui mesmo, desta vez o "último passageiro"...)
Voltando a Lisboa, à Portela e aos táxis do aeroporto: Depois de percorrer a pista de atletismo em que se transformou o percurso desde a manga "atracada" à porta do avião até à "recolha de bagagens" e recolhida que foi a dita bagagem, dirigi-me para a fila dos táxis. O meu destino era Cascais, a casa da minha mãe, onde tinha deixado, guardado o carro.
Entrei no táxi que me coube (um Mercedes recente, cor de merda), cumprimentei o taxista e adiantei: _ Cascais pela A5, s.f.f.) não fosse daqueles que parte do princípio que o cliente "está numa de passeio"...
Resposta: _ Saia e carregue no 2!
Eu: hum?
O homem agravou o tom de voz: Não ouviu? ! Saia e carregue no 2!!!
Entretanto, como eu nem saía, nem estava a perceber que raio de coisa era aquela de "carregar no 2", o sujeito atravessou-se literalmente por cima de mim, deitou a mão ao puxador da porta do passageiro (eu) e, lá percebi, carregou numa das teclas que, fiquei a perceber também, regulavam automaticamente a posição do banco... O "2" fazia o dito andar para trás...
Passei-me...
Confesso que há situações onde a tolerância, a inteligência, a experiência, os instintos de auto preservação, pura e simplesmente dão lugar a uma enorme e básica vontade de "fazer miséria"...
E não aconteceu nada de menos digno porque o homem não correspondeu (felizmente, digo agora) à brutal descarga de indignação e de impropérios que nos acompanharam nos primeiros quilómetros da viagem.
E ainda bem. Já basta o que basta. Para a próxima já sei que tenho de carregar no "2", ou no "3" ou seja lá no que for...


Fotografia: Gad. Angola, 2010

Por mim durma à vontade, se é que a consciência lhe permite...


Retirado DAQUI

Tuesday, November 24, 2009

O Cão e o Gato ou... Há "lugares" onde só se entra formatado...


Fotografia: Gad. Oeiras, 2009

...Foi a lição que "este" aprendeu.

Monday, November 16, 2009

O ECLIPSE DO "SOL"OU, PIOR JORNALISMO QUE ESTE NÃO HÁ...


O ECLIPSE DO "SOL", OU, PIOR JORNALISMO QUE ESTE NÃO HÁ...
Irresponsabilidade, insensibilidade, oportunismo, desinformação, crime até.
A forma como o "Sol" vende a notícia sobre a morte de um bébé, de uma mãe recentemente vacinada contra a Gripe A, insistindo em relacionar, (contra a informação clinica atempadamente prestada pelos responsáveis da unidade hospitalar), essa morte com a vacina a que a mãe se submeteu, não só é um caso de pura especulação como também pode vir a ser uma responsabilidade criminal.
O alarmismo e a desconfiança que o "Sol" assim lança, ignorantemente, sobre muitas jovens grávidas, eventualmente indecisas sobre esta questão, pode vir facilmente, com o previsível crescimento da pandemia neste inverno, a traduzir-se em números estatísticos macabros.
Eu pergunto aquilo que pergunto sempre; A impunidade está institucionalizada... e a morte? também?. Nesse caso será legítimo que, por exemplo, um pai que perde um filho ou uma filha porque não tomou a decisão mais sensata, influenciado por notícias como a do "SOL", perder as estribeiras, dirigir-se à redacção desse jornal e matar, a sangue frio, os responsáveis pela notícia que lhe acabou com a vida?!

Thursday, November 05, 2009

Uma pergunta a José Saramago

Mosteiro de Alcobaça. Fotografia: Gad, 2008
Porque é que os Homens Lhe fizeram tantas casas?!

Monday, November 02, 2009

O Carro do Lixo


Tal como a vida. De pouco vale e passa depressa.
Fotografia: Gad: Santo Amaro de Oeiras, 2009

Thursday, October 15, 2009

O sangue contaminado

Fotografia: Gad. Ondjiva, Angola, 2009
Corre-me nas veias um líquido estranho.
Não é bem sangue... é a mistura das minhas lágrimas com o veneno que já me fez chorar.

Tuesday, October 13, 2009

Quando eu voltar

Fotografia: Gad, Angola, 2008
Livre, Inteiro, Íntegro. Vou voltar quando eu puder, e quando olhar pela pequena janela do avião não vou querer sentir nada, para além dos infinitos sentimentos que guardo pelas crianças que habitam o meu coração. E dos outros, na mesma condição.
E vou correr pela areia quente do Mussulo à procura daqueles que já nem se lembram de mim.
O Wilson, o Maka, e outros assim...
E vou celebrar, com eles, a nossa liberdade. Quando eu voltar.

Friday, October 09, 2009

As vacas, os Números e Nós

Fotografia e edição: Gad, 2009


As vacas não têm nome, são apenas números;
Nós temos nomes mas também, como as vacas, somos tratados como números. Números, mais ou menos relevantes, consoante a conta para o que eles contam...As vacas não fazem a mínima ideia do seu número nem tão pouco do número do dia em que se serão convertidas em bifes, para nós, os outros números, comermos. As vacas não nos comem e também não sabem que nós sabemos que o número do "nosso dia" chegará fatalmente. E que a partir daí, se o número que somos de pouco vale, apenas passará a contar para as mais mórbidas estatísticas.


Os que fazem de nós números também são (inúmeros) números, importantes, é certo, mas com o mesmo destino, apesar de raras vezes se lembrarem disso.

"Certeza". Fotografia: Gad, 2008

Wednesday, October 07, 2009

A utopia de uma Liberdade Plena

Fotografia: Gad. Outubro, 2009


Entre a utopia de uma Liberdade Plena e as noites vividas perigosamente....onde as "passadeiras" inventadas pelos homens não fazem qualquer sentido.

Thursday, February 12, 2009

ESTE ANO HÁ FÉRIAS (DO) CARNAVAL...

Foto e edição: gad.

O Carnaval é um período de festas regidas pelo ano lunar no Cristianismo da Idade Média. O período do Carnaval era marcado pelo "adeus à carne" ou "carne vale" dando origem ao termo "Carnaval". Durante o período do Carnaval havia uma grande concentração de festejos populares. Cada cidade brincava a seu modo, de acordo com seus costumes. O Carnaval moderno, feito de desfiles e fantasias, é produto da sociedade vitoriana do século XIX. A cidade de Paris foi o principal modelo exportador da festa carnavalesca para o mundo. Cidades como Nice, Nova Orleans, Toronto e Rio de Janeiro se inspirariam no Carnaval francês para implantar suas novas festas carnavalescas.
Atualmente o Carnaval de Salvador, Brasil está no Guinness Book como a maior festa de rua do mundo[1]. Em Portugal, existe uma grande tradição carnavalesca, nomeadamente os Carnavais da Ilha da Madeira (donde saíram os imigrantes que haveriam de levar a tradição do Carnaval para o Brasil[carece de fontes?]), Ovar, Podence, Loulé, Sesimbra, Rio Maior, Torres Vedras e Sines, destacando-se o de Torres Vedras, Carnaval de Torres, por possuir o Carnaval mais antigo[carece de fontes?] e dito o mais português de Portugal[carece de fontes?], que se mantém popular e fiel à tradição rejeitando o samba e outros estrangeirismos[carece de fontes?]. Juntamente com o Carnaval de Canas de Senhorim com perto de 400 anos e tradições únicas como os Pizões, as Paneladas, Queima do Entrudo, Despique entre outras. Nos Açores, mais propriamente na ilha Terceira, reside uma das formas mais peculiares do Carnaval em Portugal, as Danças e Bailinhos de Carnaval. Esta tradição, tida como a maior manifestação de teatro popular em Portugal, remonta ao tempo dos primeiros povoadores e reflete um estilo teatral bem ao jeito dos Autos vicentinos.

(fonte Wilkipédia)

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O "CARNAVAL DE ALCOCHETE" ...

[GAD) " Era uma vez um pequeno país da Europa chamado Portugal que tinha uma forma de celebrar o Carnaval muito peculiar; o período das festas era sempre marcado em função das datas das eleições (nesse tempo ainda havia democracia e as decorrentes eleições) que, nesse pequeno país "à beira mar plantado", tinham então muito pouca adesão popular.
Um dia, no longínquo ano de 2009, os políticos (nessa altura ainda fingiam existir) e os jornalistas (eram as pessoas que escreviam para os jornais e faziam de conta que eram investigadores [agora Sóblog's]), muito, muito tristes e deprimidos por não terem um Carnaval a sério, decidiram aproveitar a Histórica Crise de 2009/2030 para criar um novo conceito de Carnaval; O Carnaval "à portuguesa". E foi um êxito tremendo! Não durou dois dias como "reza a História mas pelo menos duas intensas semanas de total loucura!
O ponto alto desta celebração pagã, autêntico terramoto da carne e dos sentidos, teve o epicentro num sítio (Alcochete) onde existia um famoso Centro Comercial - O Freeport ( em 2010 foi implodido) e alastrou-se exponencialmente, em réplicas sucessivas, pelos tais jornais, pelas antigas Estações de Televisão, nas extintas Rádios, na rua (nesse tempo se podia andar na rua, imaginem!), etc.
Todas as pessoas consideradas importantes no país deram opiniões em directo nas rádios e nas tvs, ministros, juizes, ex-presidentes-da-república-ex-ex-ex...
Foi assim que nasceu o Carnaval de Alcochete no mesmo ano em que a Democracia desse País entrou em "coma profundo".

Thursday, January 29, 2009

"O PÚBLICO" HOJE CHEGOU-SE À FRENTE...

Uma capa inteira é obra!

O matutino "O Público" de hoje assumiu definitivamente a liderança do jornalismo "asqueroso-dependente" com uma over-dose "free-portiana" de capa inteira!

Parabéns ao líder! Espera-se para breve o aumento do formato desse jornal para o formato "broadsheet"* à semelhança do que originalmente tinha o "The Independent" ou, o português "O Expresso" na sua dimensão inicial ...
*
Broadsheet (~ DIN A2)
L=380-435 mm
A=530-600 mm

Desta vez os "outros" somos nós...

Estou convencido que grande parte dos portugueses só agora se começou a aperceber que esta "Crise" não é mais uma crise.

Apareceu, para os menos atentos às questões macro-económicas, de repente, com o final do ano de 2008, atenuada pela época festiva e pelo descrédito que fizeram por merecer os nossos governantes.

Mas não. Quando no início desta semana foram anunciados mais de 70.000 despedimentos só entre a Europa e os Estados Unidos, a realidade atingiu-nos como um murro no estômago.

De repente, aquilo que só acontecia "lá fora", entra-nos agora a todas as horas pela casa dentro, sob a forma de notícias que contam as centenas de despedimentos do dia ou as empresas que acabaram de fechar as portas.

E estamos ainda em Janeiro. Nota-se o pânico nas expressões dos Governantes, também eles escancarando a sua ignorância...

Atiram-se milhões para o ar (ou para a rua) 50.000.000 este ano, no mundo... para viabilizar empresas e economias.

Num apartamento na "ova América", um casal com "bilhete marcado" para a fila do desemprego, suicida-se matando os filhos também.

É o mundo a enlouquecer. O desespero de viver este "Momento Histórico"...

E por aqui, caras fechadas e muitas pessoas com papeis nas mãos. Reparem bem.

Toda a gente anda na rua com papeis nas mãos.

Os media ainda andam a inventar mais porcaria para o já tão "mal-cheiroso" Caso-Freeport;

É preciso porcaria para editar todos os dias.

É preciso porcaria para distrair as pessoas todos os dias.

A porcaria é a coisa mais bem gerida neste país. Uma dose por dia... «Esta noite toma lá com a empresa do Tio e do Primo (com ar de chulo) do Sócrates»; parece a gozar mas não é. A dita empresa dedicava-se ao webdesign e chamava-se, se bem me lembro, "Neurónio Único!" Como é que havia de se aguentar?! Se com dois (o Tico e o Teco) já é difícil...

"Consta" que amanhã fará sol. Ao menos isso!

Foto: Gad, 2008

Monday, October 20, 2008

"A lente discreta de Carlos Afonso Dias", segundo "O Público"...


Uma referência acompanhada da devida vénia ao jornal "O Público" que hoje, dia 20 de Outubro de 2008 dedicou um artigo (com uma caixa na primeira página e tudo!) à exposição de Carlos Afonso Dias "Fotografias 1956-2008" inaugurada na Galeria Pente 10, em Lisboa no dia 16 de Setembro e aberta ao público até ao próximo dia 7 de Novembro.

Para quem, como eu, só compra "O Público" esporadicamente, dando preferência a leituras diárias mais independentes, aqui cito o texto que um "anónimo jornalista" dedicou a uma exposição retrospectiva da dimensão desta. Anónimo porque não assina, o que no mínimo me parece pouco sério.
De resto salvam-se as excelentes fotografias já que a prosa não é mais do que um somatório de excertos mal colados de prefácios, textos e referências de livros e catálogos que eu também tenho. Até o título é impessoal, foge ao Homem, esconde-se na lente "discreta"...

É legítima a seguinte dúvida; porque será que o filho do fotógrafo se sente tão incomodado com "O Público"?

Todas as dúvidas são aceitáveis num mundo onde os valores e as prioridades nascem exactamenteno berço dos interesses e das cumplicidades. Onde os artistas são feitos e não se fazem. Não têm tempo...
Custa-me conviver com a hipocrisia. Consigo respirar durante muito pouco tempo nesse ambiente.
Por isso pergunto ao senhor Sérgio B. Gomes (nome profissional, bem sei...), responsável pelo blogue "Arte Photographica", blogue Convidado do jornal "O Público" se não assinou o artigo por timidez ou pelo que antes eu escrevi (a propósito silêncio que manteve em torno desta inauguração) em sua "casa" sem nunca merecer resposta. Assim como, provavelmente, não terá resposta para muitas das perguntas que eu ainda tenho para lhe fazer. A seu tempo.

Mas não quero fechar este post sem um verdadeiro comentário à exposição de C.A.D. escrito por outro anónimo (este, por pudor e pelo conteúdo das palavras julgo conhecer), deixado no post que Sérgio B. Gomes dedicou à exposição de CAD no seu disinto blogue. São palavras espontâneas, como espontâneas são as leituras de quem sente a fotografia. De quem se entende com a fotografia e não precisa da agenda para marcar encontro com ela.

As grandes paixões não precisam de agenda. As amantes de ocasião sim. Convém.



O sentir de um "Anónimo" que julgo conhecer:


(...)"Anónimo disse...
O que mais me prendeu a atenção no conjunto de fotografias de Carlos Afonso Dias, expostas no piso inferir da Galeria Pente 10, foi precisamente o jeito discreto e silencioso de fotografar o aparente silêncio dos outros. Fotografias de pessoas de costas, de perfil, muitas vezes com uma mão com que velam parte do rosto, outras vezes numa atitude secreta e interiorizada, coincidentemente cúmplice. Excepto uma criança de rosto e sorriso aberto, três jovens explicitamente a pousar para a câmara e uma mulher com uma garrafa na mão e a outra mão aberta a combinar com um rosto todo exterioridade, todos os demais parecem introverter o olhar ou falar entre si as palavras que a câmara não diz nem ouve mas com a qual se captou o gesto. É raro ver uma relação directa do fotógrafo com o fotografado. Parece um olhar sensível, um tanto tímido que se movimenta invisível em diferentes planos e dos outros parece absorver parte do que já é. Depois há tomadas de vista mais gerais e panorâmicas mas o que mais me ficou na memória foi a quase ausência de olhos voltados para o exterior e a secreta linguagem dos gestos.Tive saudades dos tempos que não eram os meus, da película fotográfica que utilizo poucas vezes, da surpresa das imagens que não se podem ver de imediato e que forçavam a uma maior precisão e atenção no disparo e na escolha do momento, da poesia roubada às horas mortas dos dias do viver comum e do nostálgico encanto do preto e branco.Depois foi aquele contraste entre a década de 50 do séc.XX e o inicio do séc XXI que me fez sorrir e onde ficou claro que já nada é como antes. As linhas estenderam-se, os planos abriram-se, o espaço ganhou cor, a luz directa parece desvirtuar o chiaro-scuro, as pessoas desaparecem dando realce ao espaço que até pode fazer eco… e aquela janela antiga integrada neste contexto parecia mesmo imbuída na parede, mais real que a realidade se é que a realidade é no fim de contas assim tão verdadeira.Desculpem, foi um Amigo com quem gosto de falar de fotografias e com quem os mails saem sempre longos, que me perguntou o que eu tinha achado da exposição. Acabei por lhe responder aqui mesmo, pois estava a adiar a resposta por não saber de modo mais curto. São tudo linguagens próprias de quem fotografa e de cada vez parece fazer menos sentido gostar ou não gostar…"(...)



Ericeira, 1962




(...) Contam-se pelos dedos de uma mão as exposições individuais de fotografia de Carlos Afonso Dias (1930-): cinco. E a primeira só aconteceu em 1989, na Galeria Ether – Vale Tudo Menos Tirar Olhos, em Lisboa, mais de 35 anos depois de ter começado a fotografar com uma AGFA de fole. Gérard Castello-Lopes, seu amigo e companheiro de “conversas fotográficas”, escreveu no prefácio do catálogo dessa mostra que se tratava da “ressurreição” de um fotógrafo e de uma obra que, nos anos 50, primeiro captou Portugal “não como um hobby academizante destinado a provincianos salons e honoríficas medalhas, mas como uma necessidade, uma tentativa de resolver a questão que cada um de nós tem consigo mesmo”.

Essa primeira iniciativa de resgatar do esquecimento o trabalho fotográfico que Carlos Afonso Dias desenvolveu entre 1954 e 1969 partiu de António Sena, fundador da Ether e responsável por trazer à luz toda uma geração de fotógrafos à procura de uma “independência do olhar”, entre os quais Vítor Palla/Costa Martins, Sena da Silva e Gérard Castello- Lopes. Filho de pai que fotografava “a metro”, Carlos Afonso Dias sentiu o impulso fundamental para a fotografia ao ver uma imagem da ressaca da implantação da República de Joshua Benoliel, mítico repórter do jornal O Século. Como as referências em Portugal se resumiam a quase nada, o resto da inspiração encontrou-a na obra de Henri Cartier-Bresson, Walker Evans e nos grandes ensaios fotográficos da revista Life, cultora de um género humanista e socialmente empenhado, matriz das imagens que foi fazendo não só em Portugal como em Espanha, Itália, França, Canadá e nos EUA. Durante anos, fotografou essencialmente para si e para um grupo restrito de amigos. A viver num país em asfixia artística e criativa, “sem palmas nem recompensa”, Carlos Afonso Dias foi “acometido pelo desalento dos que pregam no deserto” (Gérard). Corriam os anos 70 e deixou de fotografar. Durante muito tempo só entraram na lente da sua Leica as imagens do quotidiano familiar e os afazeres da profissão a que se dedicou, engenheiro geógrafo, primeiro em Angola e depois em Portugal. (...)


O sucesso da exposição na Ehter
– vendeu seis fotografias para a Colecção Nacional de Fotografia e a vários coleccionadores privados – fez com que regressasse à prática.

Na quinta exposição em que se apresenta sozinho, na galeria Pente 10, em Lisboa, o lastro alarga-se mais – no tempo e na técnica. São mostradas fotografias captadas entre 1954 e 2008, em suporte analógico e digital.


Galeria Pente 10, Travessa da Fábrica dos Pentes (ao Jardim das Amoreiras), nº10, Lisboa. Até 7 de Novembro


Paris, 1960



O "olhar" de Alexandre Pomar