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Saturday, July 14, 2012

Zungueiros







Fotografias: Gonçalo Afonso Dias

Luanda, Angola, 07/2012


(…) Nós, aqui na nossa África portentosa, temos uma rica tradição de comércio ambulante, compra aqui, vende acolá, a sair um pouco para fora da bainha larga da praça onde se aglomeram os donos do negócio e os retalhistas, sentados mesmo no chão, enquanto a conversa enche a paisagem do característico burburinho próprio da raça humana.
E a bainha da saia larga da praça esticou tanto até se retalhar e tocar de porta em porta as famílias e, de mão em mão, o transeunte que passa. Parece que sempre foi assim, desde que o dinheiro substituiu a permuta de mercadorias pelo sal-gema da Kissama. Sempre houve um vendedor com uma maior ansiedade e outra visão do negócio que o levaram a escapar-se do recinto da praça e o conceito de mercado tornou-se mais elástico e utilitário. Assim nasceu o zungueiro, palavra que vem do kimbundo “nzunga” e significa rua. (…)

Excerto do Artigo de
José Luís Mendonça (Jornal de Angola):
“O marketing dos zungueiros é um caso de estudo”

Saturday, December 03, 2011

O Zungueiro

Fotografia: Gad. Huambo, Angola, 2010

(...) Zungueiro, deriva da palavra Kimbundo Zunga, que significa andar, deambular. É um nome comum dado aos vendedores de rua do comércio informal. Pelo facto de estarmos habituados a ouvirmos falar mais de zungueira, se calhar alguns leitores poderão chamar-me de machista, confesso que não sou. Escolhi o título desta reflexão pelo facto do Zungueiro e a Zungueira terem os mesmos objectivos, que consistem no exercício económico de sobrevivência para o sustento, consubstanciado na venda pelas ruas de variadíssimos produtos. Podem ter um ponto fixo, ou caminhar sem rumo, até que a mercadoria acabe ou até a hora de irem para casa. Diferenciam-se nos tipos de produtos que comercializam, talvez pelo factor género. É comum o Zungueiro comercializar bens como: vestuário, telemóveis, relógios, medicamentos, DVD’s, CD’s, cartões de recargas, bebidas, etc. Ao passo que a Zungueira vende principalmente bens alimentares, das frutas ao peixe, legumes, sanduíche, mandioca e outros produtos como livros escolares, principalmente no inicio do ano lectivo.
A maioria dos(as) Zungueiros(as), desconhecem que alguns bens são proibidos por Lei nos locais onde comercializam, refirome por exemplo aos medicamentos e outros de venda proibida (os manuais escolares da Reforma Educativa, de distribuição gratuita). Em Angola, a venda ambulante começou a ter expansão nos anos 70, como consequência do êxodo populacional para as cidades, devido a guerra, que originou o agravamento do desemprego.
O desemprego fez com que certas famílias praticassem os seus negócios em casa, posteriormente defronte aos estabelecimentos comerciais, nos cinemas, tendo evoluído para as esquinas, nos mercados paralelos e na rua, sem observância das regras e normas mercantis e higiosanitarias. (...)
(Cristiano Francisco O País - imprensa angolana)

Fotografia: Huambo, Angola, 2010