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Saturday, June 27, 2015

Livre! Finalmente livre|


Gonçalo Afonso Dias



67 dias depois, duas cirurgias - uma "á frente, a outra "atrás", já sem o "fantasma" da terceira, tirei o "espartilho", arranquei os pensos e, "como vim ao mundo", tomei um interminável banho quente!

Ficaram as marcas de uma "guerra" que parecia não ter fim, um reforçado conhecimento da "espécie humana", mais de 10 kilos (que não fazem falta nenhuma!) e muitas dores - "daquelas da alma" - porque as outras não sinto) e uma enorme vontade de continuar a fazer "coisas"!

À minha mãe, Fernanda Seixas, que comigo esteve em todos os momentos
Ao meu pai que, "lá onde está", torceu sempre por mim. Eu sei.
Aos meus filhos, Tiago Dias e João Dias, porque moram no meu coração.
A todos os que, de algum modo, me ajudaram.
Aos "outros" também...

Gonçalo Afonso Dias, Cascais, 26 de Junho de 2015

Friday, May 22, 2015

A "artéria" de tinta acrílica branca e o "canito" do meu vizinho de baixo, que é bem giro, por sinal, e não tem culpa nenhuma de ter de conviver com aquele "coiso"!...



Fotografia: Gonçalo Afonso Dias, 22.05.2015


O MEU VIZINHO DE BAIXO




Não conhecia o meu vizinho de baixo.

Mudou-se "para cá" há dois meses.

Eu "já cá ando" há anos e nunca gostei de ir à varanda espreitar para ver que eram os "vizinhos de baixo" que estavam sempre a mudar... 

Diz o Sr. Chagas, que é o porteiro do prédio onde eu e o meu vizinho de baixo moramos, que "isto já parece um aparthotel" porque estão sempre a entrar e a sair vizinhos de baixo...

No outro dia, eu estava a trabalhar na minha varanda que dá para o terraço do meu vizinho de baixo.

Tinha enchido um maço de Marlboro "normal" com tinta acrílica branca e espessa com a intenção de aumentar o peso da base da "instalação", "manifesto", "coisa", o que quiserem, que já ando a fazer há muitos dias.

Desatento, deixei cair o maço cheio de tinta acrílica branca e espessa no terraço do meu vizinho de baixo.

"Explodiu" e a tinta criou uma espécie de artéria de largura variável. Até ficou giro...

Ainda era cedo e ele devia estar a dormir porque, preocupado, fartei-me de chamar por alguém que lá morasse: " Ó se faz favor?!!!","Ó se faz favor?!!! Repeti inúmeras vezes, cada vez mais alto.

Ninguém apareceu excepto o "canito" do meu vizinho que, por sinal é bem engraçado e engraçou com aquela coisa que lá caiu...

Falei com ele, com o "canito" e disse-lhe para não lamber aquilo porque apesar de ser acrílico aquoso ele podia ficar viciado.

Muito tempo depois, já o acrílico estava mais do que seco, ouvi, lá de baixo, uma voz antipática que disse coisas mas eu só percebi a palavra "Marlboro".

Percebi outra coisa pelo tom dessa voz - "aquilo" era "casca-grossa"...

Hesitei. Entre ficar "caladinho", porque percebi que "aquilo" era "casca-grossa", e porque se nada dissesse nunca ele iria descobrir porque tem mais 15 andares com vizinhos em cima, ou, fazer como os meus pais me educaram e, mesmo já tendo percebido sem o ver, que não devia sair dali coisa boa, abeirar-me do corrimão da minha varanda e diizer: "ó, se faz favor!"

Foi assim que vi pela primeira vez o meu vizinho de baixo e não gostei nada do que vi.
O tipo parecia um camionista "feio, porco e mau" como aqueles dos filmes americanos. Tinha o cabelo e a barba longos e loiros e tudo.

"Olhe! Eu sou o responsável por isso!...
 Desculpe lá! Não posso ir aí a baixo porque estou doente mas já telefonei ao Sr. C. para ele tratar do assunto mas, como é costume, o Sr. C. não atendeu porque, como sempre, em vez de estar no balcão da portaria a aturar vizinhos mal-educados que nem sequer o cumprimentam "pira-se" para a loja da BP aqui ao perto e fica na "brincadeira" com as meninas das caixas...

Foi quando o meu vizinho de baixo que parece um camionista "feio, porco e mau" como nos filmes americanos, cruzou os braços roliços sobre a sua enorme barriga, abriu as pernas num gesto ameaçador que nem as "havaianas" brancas disfarçavam e me disse, num tom desagradável e "cara de poucos amigos":

"Isso é o que eu vou investigar!..."
Desculpe? Respondi, já arrependido por não ter feito como todos fazem e ter assumido a minha responsabilidade.

"Sim! Vou investigar se foi sem querer ou não!"...

"Olhe. Sabe uma coisa? Eu devia era ter ficado calado!...

" E se o animal morresse? respondeu ainda mais ríspido...

"Não morreu porque eu falei com ele e, além disso essa tinta é feita com água que não mata animal nenhum!" O gajo já me estava a começar a irritar e, ainda por cima, eu tenho idade para ser pai dele...

"Isso é o que eu vou investigar!"... Voltou a rosnar...
E acrescentou: "vou investigar se a tinta é mesmo acrílica"...

Passei-me! Disse-lhe "que sim", que investigasse, que chamasse a polícia, o ministério público e a PIDE...

"A PIDE já não existe. Informou-me...

"Não?! Olhe que não parece... "Disparei", já com vontade de lá ir abaixo não fosse o risco que corria de estragar as cicatrizes que tinha...

E foi assim que fiquei a conhecer o meu vizinho de baixo mas, antes de virar as costas, ainda o informei: "Estou aqui há muito tempo e nunca tive problemas com nenhum vizinho e, "sabe que mais?":  Não volto a falar consigo porque o senhor acabou de demonstrar que é uma pessoa malformada e eu não falo com pessoas malformadas.

Passou mais de uma semana e a tinta ainda lá está junto às beatas e aos cocós do "canito" que é bem giro, por sinal, e não tem culpa nenhuma de ter de conviver com aquele "coiso"!...

Monday, May 18, 2015

PRESSÃO SOCIAL, PRESSÃO ARTERIAL, O AVC QUE SOFRI, O QUE ONTEM ACONTECEU NO MARQUÊS E AS "COISAS SEM EXPLICAÇÃO"



(18 de Dezembro de 2003)



Há coisas, como o que ontem sucedeu a meio da festa da conquista do "bi-campeonato" pelo Benfica, que parecem não ter explicação.

Fenómenos como esse não são "explicáveis". São conjecturáveis".
O AVC que sofri no dia 12.12.2003. também não teve "explicação" apesar dos inúmeros exames a que me submeti.


Tinha 39 anos, não pertencia a nenhum "grupo de "risco", não tinha problemas de tensão arterial, nada...

Foi súbito, fulminante e violento
Eu a tomar um duche, de manhã, quando aconteceu.
Caí redondo na banheira mas salvei-me "inexplicavelmente."

Depois de todos os exames a que me submeti fui reabilitar-me em Alcoitão.
Meses de reabilitação em Alcoitão.

Quando perguntei ao meu neurocirurgião: "afinal DR., porque me aconteceu isto?!", Ele disse-me que não havia explicação...
Que "o sangue tinha apagado as pistas"..."Um defeito congénito, talvez", "Algo com que nasceu e que, por algum motivo inexplicável, rebentou agora"...- como uma bomba enterrada durante anos que rebenta quando, por acaso, um "rastilho" se acende...
Disse-me outra coisa que não achei graça nenhuma: "fica com uma história para contar os seus netos!..."

Fiquei. Com vontade de o mandar à merda.
Fiquei, para a vida, com medo (o medo é sempre irracional, está no subconsciente) de ter outro inexplicável AVC, e, todos os dias, desde que sofri esse AVC, penso nisso antes de tomar duche.
Estou "com um certo medo" e estou ansioso.

Ansioso porque amanhã vou ser (outra vez) operado e anestesiado.

Com "um certo medo" porque é já amanhã e porque sei que o "inconsciente" continua a ser um enigma para a ciência. O cérebro também.

Reabilitei-me. Reabilitaram-me.
Custou, levou tempo, exigiu coragem (minha), apoio (da minha família) e cuidados (dos médicos - não do meu neurocirurgião porque não mais o vi.)

O que aconteceu ontem foi, de certo modo, como o meu AVC.
Foi súbito, fulminante e violento.
Parece não ter explicação.
Mas, tal como no caso do meu AVC, tem.
É um defeito congénito.
Houve alguém que acendeu o "rastilho"...
Algo precisa, urgentemente, de ser Reabilitado.
Algo, ou alguém precisa, urgentemente, de ser anestesiado.

A diferença é que há cada vez mais sintomas....

Gonçalo Afonso Dias,
18 De Maio de 2015

Sunday, May 17, 2015

"FUMAR (TAMBÉM) MATA" - WORK IN PROGRESS... ("memória descritiva")




"Fumar (também) mata" - work in Progress. Gonçalo Afonso Dias, 05/2015

Esta "peça", "instalação", "coisa", (o que quiserem), vai ter imagens chocantes que lhe conferirão um carácter de "Manifesto".
Decidi que essas imagens teriam de ser obscenas, embora nunca consiga imagens tão "pornográficas" como aquelas que o Governo propõe.
Por outro lado, acho que as imagens, sejam elas quais forem, devem contar "histórias" e não impor uma moral bacoca e hipócrita ditada pelos verdadeiros "DDT's"  - a União Europeia.
Por isso e por achar também que, no conjunto, as fotografias devem ser didácticas e devem criar uma narrativa dediquei-me, recentemente, a estudar a etimologia das coisas relacionadas com o "fumar", com o "anti-tabagismo", a marca Marlboro (que fiquei a saber que foi criada para as mulheres, contrariamente à ideia do "Cowboy" (que surgiu muito mais tarde), a pornografia, etc.

Resumindo: a "coisa" que estou a fazer e que vai ser do meu tamanho terá uma a componente didáctica. Como devia ser.
Qualquer pessoa de sofrível inteligência, sabe que "fumar mata".
Qualquer fumador sabe que pode estar a matar-se devagarinho. Daí a expressão "mais um prego para o caixão".

No entanto, a História (os mentecaptos como o senhor Passos Coelhos não gostam dela com "H" - só com "h" e de preferência com desenhos...) já demonstrou amplamente os efeitos dos fanatismos, das "proibições" e das ditaduras...

É claro também, para todos (menos para os mentecaptos como o senhor Passos), que a solução para estes problemas não se limita a somar 1+1. É muito complexa, envolve prevenção, educação, sensibilidade, conhecimento e trabalho. Muito trabalho. Que é outra coisa que horroriza os mentecaptos da "tribo" do senhor Passos.

Aquilo que vão fazer com a porcaria dos pacotes de cigarros é muito semelhante àquilo que estão a fazer com os recentes casos de Buyling - torná-los "virais", virulentos e obrigar as pessoas a verem imagens chocantes a todas as horas e a todos os momentos.
E aí, já nem disfarçam... Já não se preocupam com o que a visualização dessas imagens brutais pode fazer a uma criança à hora do jantar.

Hipócritas de merda!
Disse.

Gonçalo Afonso Dias
17 de Maio de 2015

Monday, May 11, 2015

O lado mais Cruel que a vida tem




... contudo, um sorriso...

Fotografia: Gonçalo Afonso Dias, Rans, Viseu, 2009

SOLISTÊNCIA




Eu estou só.
O gato está só.
As árvores estão sós.
Mas não o só da solidão: o só da solistência.

(João Guimarães Rosa)

Fotografia: Gonçalo Afonso Dias, Oeiras, 2009

Thursday, April 16, 2015

TINTA PERMANENTE




TINTA PERMANENTE

gosto de canetas
sobretudo de canetas de tinta permanente
porque elas são de tinta Permanente
gosto de pensar que o que eu escrevo com as minhas canetas
de tinta permanente
Permanecerá.


Eu não.

Gonçalo Afonso Dias, Cascais,
2015-04-16

Sunday, April 12, 2015

Reflexões sobre o Facebook de um utilizador "porque sim"...



(imagem da Net)

Reflexões sobre o Facebook de um utilizador "porque sim"...

Já aqui, há alguns meses, escrevi sobre o FB e exprimi a pouca simpatia que nutro por esta (e outras) Redes Sociais. Essa minha declaração precedeu uma "purga" profunda ao número de "amigos virtuais" que tinha (perto de 600). Como pessoa educada e com valores éticos que me considero, achei que tinha a "obrigação" de anunciar essa minha "limpeza" para que não ferisse qualquer susceptibilidade. Declarei, portanto, as minhas razões e acrescentei que guardaria apenas os amigos da "vida real, os familiares com quem me dou (que são poucos) e os amigos virtuais de longa data e com quem partilho interesses artísticos (fotografia, artes plásticas, cinema, poesia etc.

Só uns dias depois dessa "declaração de intenções”, e para que todos aqueles que me visitam regularmente pudessem tomar conhecimento, fiz a "razia" - ficaram, nessa altura, pouco mais de 60 no meu círculo de amizades virtual.

Passei a aceitar apenas as novas amizades que se enquadravam no perfil que já antes referi.

À pergunta que me faço frequentemente: "porque é que não apagas de vez essa "porcaria? " Encontro sempre a mesma resposta: "Apesar de tudo, prezo muito as pessoas que preservei, gosto de ir partilhando fotografias e algumas reflexões e, acima de tudo, é um meio fácil e rápido de comunicar com os meus dois filhos".

Porém, recentemente, constatei com espanto, que uma amiga de longa data (M), com a qual me identificava através das suas postagens irónicas, "nonsense" e rebeldes e ainda pelas fotografias, desde os tempos em que era assíduo no "Olhares" tinha prescindido da minha amizade sem qualquer motivo ou explicação prévia.


Não ando aqui para tentar "engatar" ninguém, não sou mal-educado com ninguém e só pontualmente visito outras páginas. Por isso, e por não gostar de mal-entendidos, escrevi uma mensagem privada à minha amiga perguntando "o motivo" e demonstrando a minha estupefacção

Não obtive qualquer resposta da minha amiga "M" e, ainda hoje me pergunto "O que lhe terá passado pela cabeça?"...

No entanto, essa (e outras situações idênticas), levaram-me a reformular a minha percepção sobre o fenómeno das Redes Sociais, o que elas têm de bom e de mau (tendo em conta a subjectividade dos qualificativos), para o que servem realmente...

Conclui que o FB (refiro-me a ele por ainda ser o mais popular) tem inerente uma perversidade perturbadora - a facilidade de descartar os amigos (virtuais ou reais) apenas com um clique.

Na "vida Real", quando dois amigos ou familiares se zangam e discutem, por ex, fazem-no maioritariamente "olhos-nos-olhos" e, com maior ou menor razão, esgrimem os seus argumentos.

Há as saudáveis possibilidades de "chorar", de desabar, de pedir desculpa, de invocar razões, de desfazer intrigas ou "contaminações", de dar um abraço ou um beijo e de seguir em frente, muitas vezes com essa amizade mais sólida, mais reforçada.

No FB, uma vez pressionado o botão da "execução sumária" só muito dificilmente poderá haver o "fazer as pazes". Esse gesto tão bonito quanto nobre, implica que, por um lado, quem tomou a decisão do "corte de relações" tenha a "dúvida" como um importante factor da vida e, por outro lado, que a "vítima" tenha a humildade e o esclarecimento de perdoar, isto no caso de o "renovado pedido de amizade do "outro (a)" vier acompanhado de alguma explicação ou pedido de desculpas.

Esta reflexão leva-me, consequentemente, a reavaliar os critérios que considerei válidos para manter um círculo de amizades nesta Rede Social.

Entendo agora que "70" ainda é um número excessivo, desajustado à realidade, e que, para ser coerente com o que sou, sinto, digo e/ou escrevo, é imponderável pensar em cada um desses 70 amigos (virtuais ou não) já com o meu "critério" também apurado face às minhas últimas meditações.

Importa, por isso, fazer-me algumas perguntas: "Porquê?" - desde logo; - "irias visitar essa pessoa a um hospital, ainda que fosse longe, se ela estivesse internada?", "Ajudarias essa pessoa incondicionalmente se ela estivesse em dificuldades (financeiras, por ex?", "O que achas que sentirias se ela morresse ou morresse algum familiar ou amigo seu?", Conversas com ela (a pessoa, claro)?", "Quando fazes "gosto" a uma das suas postagens gostas realmente ou fazes apenas por simpatia?". "Quando não gostas tens a coragem de o manifestar, justificando?" e muitas outras que são, evidentemente recíprocas.

Por isso, meus caros amigos e amigas, não me levem a mal se, eventualmente, em breve, eventualmente, vos incluir nas pessoas que não correspondem ao meu actualizado e rígido (admito) critério.

Gonçalo Afonso Dias,



12 De Abril de 2015

Saturday, October 27, 2012

É a Vida... (1)

 
 
Desenho: Gonçalo Afonso Dias, 10/2012

Thursday, October 25, 2012

Da Relevância de ter um Diário




Desde que aprendi a escrever mantenho um Diário.

Todas as pessoas deviam ter um Diário e "falar" com ele, contar-lhe tudo, registar sentimentos, momentos, paixões e desilusões. Confiar nele como se de o "Maior Amigo" se tratasse. E trata.

Nele colar fotografias, notas, recados, recordações que ilustrem os dias que se sucedem.

Assim, o Diário torna-se não só um confidente fiel como uma espécie de depoimento ilustrado da vida que se vou vivendo.

Numero todas as páginas dos meus pequenos "moleskines" - os meus Diários - e quando essas páginas se esgotam e o caderno chega aofim faço um índice do que ele contém, onde contém -  para lá poder "voltar" quando quiser, quando precisar.

Assim, um dia, quando chegar a altura, escreverei com rigor e com verdade "As minhas memórias",

talvez na forma de uma "Banda Desenhada"...

Todas as pessoas deviam ter um Diário e todas as pessoas deviam também, quando chegasse a altura, deixar escritas as suas memórias, o registo das suas efémeras passagens por este mundo.

Porque todas as vidas são únicas, todas são importantes.

Todas as experiências que conferiram autenticidade, singularidade e conteúdo de todas as vidas são válidas e não deviam morrer "caladas".

Por outro lado, escrever conversando com o Diário, é uma terapia porque, enquanto se escreve se pensa, se reflecte, se analisa.

É por isso que eu hei-de ter sempre um Diário. E se não for eu a contar a minha passagem por aqui os meus filhos o farão.

É para eles que escrevo, todos os dias.

Gonçalo Afonso Dias,
23 de Outubro de 212

Sunday, July 22, 2012

Luanda - A vida nos Bairros



"Atenção!"


"O Peso" (1)Da vida e o do que ela carrega na cabeça...


"O Peso" (2)




"O Chinês"
Esta fotografia retrata um aspecto muito interessante da comunidade chinesa em todo o mundo e em Angola também - a sua enorme (única talvez) capacidade de adaptação. Em Angola há milhares de chineses maioritariamente na construção civil. Têm uma vida de escravos, fazem turnos por uma cama... Contudo já se integraram perfeitamente em tudo. Há chineses a viver nos musseques, já com mulheres negras e filhos mulatos com os "olhos em bico"!

Há chineses taxistas (Kandongueiros), chineses por todo o lado. É uma gente humilde e simpática.

Fotografias: Gonçalo Afonso Dias, Luanda, Angola, 07/2012

Tuesday, June 05, 2012

Xadrez, Futebol e Política



Karpov, um dos grandes mitos do Xadrez moderno, escreveu um livro notável onde estabelece um paralelismo entre o Xadrez e a Vida.
Eu sou um apreciador desse secular jogo desde os meus tempos de criança. O meu pai, um conhecedor e entusiasta do xadrez iniciou, muito cedo, os dois filhos nessa salutar prática.
Recordo com nostalgia os serões que nos proporcionava com campeonatos "à séria" entre os 3.



Karpov x Kasparov 
(Imagem net)


Mais tarde, ainda na minha juventude joguei no clube da escola e participei em diversos eventos.
Hoje continuo a jogar e a estudar xadrez regularmente num site internacional fantástico - InstantChess.com - que se rege pelas regras e avaliações da Federação Internacional de Xadrez.


Sou um jogador vulgar mas empenhado e entusiasta.


O Xadrez é simultaneamente um jogo, uma ciência e uma arte. Assim é vulgarmente definido.
Ciência - pois é objecto, desde há muito, de estudos complexos, de análises e ensaios rigorosos no campo científico.


Arte - porque dá espaço para a criatividade, para o experimentalismo e, por outro lado reflecte o carácter e a personalidade de quem o pratica. Na história dos Grandes Mestres de Xadrez constata-se essa característica. Enquanto alguns grandes jogadores, como Karpov se caracterizam pela astúcia defensiva outros como Bobby Fischer notabilizaram-se e tornaram-se lendas pela impulsividade e improvisação do seu jogo ofensivo.



Bobby Fischer (imagem net)


O Xadrez é um jogo simples; um tabuleiro com 16 peças para cada jogador e 64 casas alternadamente claras e escuras.
Dois exércitos, à partida com as mesmas hipóteses e os mesmos recursos aí se defrontam.
Cada jogador estabelece uma estratégia e joga tacticamente para atingir o objectivo do jogo - O Xeque-mate ao rei do oponente.
A Guerra no tabuleiro tem essencialmente 3 momentos distintos: a Abertura, o Meio-jogo, e o Final de Jogo.


De uma abertura segura, que controle o centro do tabuleiro e abra espaço para soltar as peças da última linha (Cavalos, Bispos e, mais tarde as Torres) depende todo o desenvolvimento da partida. O Meio-jogo caracteriza-se por uma luta desenfreada e com infinitas possibilidades para ocupar estrategicamente posições e preparar o ataque ao rei.
Em teoria, se ambos os jogadores não cometerem qualquer erro, uma partida de xadrez termina sempre empatada. Mas isso é a teoria.



Tabuleiro de xadrez "porca e parafuso" (imagem net)


Tal como no xadrez, o futebol também é um jogo simples e uma bela "metáfora da vida".
11 Jogadores de cada lado, duas balizas e um objectivo: introduzir a bola na baliza da equipa adversária e impedir que o oponente o faça.



Futebol - Esquema táctico
(imagem net)


Tal como no Xadrez há um lado científico, materializado em estudos, em esquemas de treino e em estratégias e uma forte componente artística - a criatividade individual dos jogadores, o desenho de jogadas estudadas, os momentos "mágicos" que, por vezes acontecem.


A política é hoje, mais do que nunca, um jogo também. Contudo, é nesse jogo, de entre os restantes que nomeei que mais se confunde estratégia com táctica e mais batota se faz...
As "aberturas" não são pensadas, o meio-jogo não é acautelado. Apenas o desejo de dar "Mate" ao adversário é comum.
Mas um mate sem classe, sem trabalho e estudo, depois de um meio-jogo orientado essencialmente por influências externas e pressões de todos os lados.
Um jogador de Xadrez de bom nível quando perde uma peça influente na sua estratégia dá-se como vencido. Fica mal, nesse mundo, "esticar o jogo", já perdido, apenas por capricho.


Na política a arte dá lugar à retórica - aí sim, temos verdadeiros artistas...
As ideologias sobrepõem-se aos ideais sendo uma espécie de caminho "cego" do qual depende a vida dos peões - o povo.


Muito gostava eu de saber quantos dos nossos dirigentes políticos sabem jogar xadrez, a sério - não apenas mexer as peças.
Acredito que muito poucos... Se assim não fosse o jogo era claro e transparente, as jogadas leais, as estratégias inteligentes e as tácticas consequentes. Ganhava-se e perdia-se com dignidade e respeitava-se todas as peças do tabuleiro - sobretudo os aparentemente humildes peões cujo valor aumenta significativamente no final do jogo.

Friday, February 17, 2012

Tributo ao meu pai - Carlos Afonso Dias (4 de Setembro de 1930 - 17 de Fevereiro de 2010).




"Olhar"
Desenho: Gonçalo Afonso Dias
Acrílico sobre cartão (70x45cm)


O DESAFIO
(...) Começo pelo princípio: Carlos Afonso Dias é meu amigo e foi meu mentor (...)


Foi assim que Gérard Castello Lopes "abriu" o prefácio do catálogo da exposição de fotografia de Carlos Afonso Dias ...(C.A.D.) na extinta galeria "ether/vale tudo menos tirar olhos", entusiasticamente fundada por António Sena, numa cruzada memorável e apaixonada para "desenterrar" a fotografia feita em Portugal, nomeadamente nos anos 50 e 60, por uma geração de grandes e "esquecidos" fotógrafos: Costa 
Martins, Victor Pala, Sena da Silva, Augusto Cabrita, Carlos Calvet, entre outros.
Como Gérard, companheiro de fotografia, cúmplice e grande amigo de C.A.D. também eu gostaria de começar pelo princípio...


Carlos Afonso Dias é meu pai e é para mim uma enorme honra ter a oportunidade de aqui deixar um registo, necessariamente breve, da infinita admiração que tenho pela sua obra, do exemplo de um percurso de rigor, de humildade, de dedicação, de humanismo, de um grande carácter e de amor por uma mulher única - a minha mãe.
As fotografias aqui expostas são uma pequena parte de uma grande vida, de um olhar tímido mas incisivo, discreto mas irónico, inteligentemente crítico, contundente por vezes... É o seu olhar, com ou sem máquina.


É o olhar de um homem inconformado, que questiona, que duvida, duvida sempre.
Por tudo isso gosto de pensar nesta exposição em 3 tempos distintos: O PASSADO: captado magistralmente através da sua Leica - a maioria das fotografias expostas;
O PRESENTE: a abertura a novas experiências; o "mundo digital" - a coragem e a humildade de "ousar" com o mesmo olhar de sempre - a fantástica e enigmática fotografia "garage". por exemplo.
O FUTURO: SOBRETUDO O FUTURO! Um desafio, um olhar mais cansado mas cada vez mais livre, cada vez mais selectivo - imagens que nos hão-de surpreender sempre.
Veremos isso com certeza numa próxima exposição!


GONÇALO AFONSO DIAS
(prefácio da exposição de carlos Afonso Dias na "Galeria Pente 10" em Lisboa, Setembro de 2008

Até Sempre, Pai !


"Garage" (70 x 100cm)


THE CHALLENGE

(...) I Will start at the beginning: Carlos Afonso Dias is my friend and was my mentor.(...).



These were the words chosen by Gérard Castello-Lopes to begin the foreword of the catalogue that accompanied Carlos Afonso Dias (C.A.D.) photography exibition at the extinct "ether/vale tudo menos tirar olhos" gallery. This gallery was founded with the great enthusiasm by António Sena in a memorable and passionate crusade to dig up photography made in Portugal, namely in the 50s and 60s, by a generation of great and 'forgotten' photographers, such as, Costa Martins and Victor Pala, Sena da Silva, Augusto Cabrita, carlos Calvet, among others.

Like Gérard, photography companion, accomplice and C.A.D.'s very good friend, I would also like to start at the beginning...

Carlos Afonso Dias is my father and it is for me a great honour to have the opportunity of leaving here a necessarily brief testimony of the infinite admiration I have for this work and for the example he hás set of thoroughness, humility, dedication, humanity, great character and loving affecion for one woman only - my mother.

The photographs exhibited here represent a small part of a huge life, and of a Look, witch is shy yet incisive, discrete yet ironic , appraising in an intelligent way and sometimes even blunt...

It is his Look, with or without camera. It is the Look of a resistant, a man who questions, who doubts, who is always in doubt.

For the above, I like to think of this exhibition as an evidence of three distinct periods; THE PAST: captured magnificently  by is Leica

- comprising the majority of the of the exhibited photographs. The PRESENT: opening up to new experiences; the "digital world", the courage and humbleness of "daring" the same Look - the fantastic and mysterious "garage" photograph, for instance.

THE FUTURE, MOST ALL THE FUTURE! A challenge, a Look that is more tired, and yet more fere, more and more selective - images that  Will always surprise us.

We Will certainly witness that in a future exibition!



GONÇALO AFONSO DIAS

(Foreword of the catalogue that accompanied Carlos Afonso Dias (C.A.D.) photography exibition at the "Pente 10" gallery in Lisbon, September 2008.)




(C:A:D:) Feira da Ladra, 1958







(C:A:D:) Cascais, 1956


(C:A:D:) Ericeira, 1962


(C:A:D:) S.Pedro Sintra, 1959




(C:A:D:) New York, 1959


(C:A:D:) Florença, 1958


(C:A:D:) Zurich, 1958


(C:A:D:) Nazaré, 1958


A Homenagem no "Olhares.com":


Tributo ao meu pai - Carlos Afonso Dias (4 de Setembro de 1930 - 17 de Fevereiro de 2010).

Cumpre-se hoje o segundo aniversário em que o meu pai - Carlos Afonso Dias "partiu".
Com ele, entre muitas outras coisas aprendi o significado de "ver". Autor de referência da fotografia feita por portugueses, cientista brilhante, desenhador exímio.
Não faria sentido, para mim, homenageá-lo aqui publicando uma das suas fotografias. Por isso deixo um outro "olhar", um desenho em acrílico sobre cartão (70x45cm) que fiz para o homenagear neste dia. Fi-lo a pensar nele, nos seus olhos, nas suas mãos.
Para o meu pai um "Até Sempre".

Para aqueles, e sei que são muitos, interessados em conhecer uma parte da sua obra fotográfica, deixo aqui alguns links:

http://goncaload-artes.blogspot.com/2012/02/tributo-ao-meu-pai-carlos-afonso-dias-4.html

http://www.publico.pt/Cultura/carlos-afonso-dias-19302010-um-poeta-da-fotografia-portuguesa_1423380

http://www.pente10.com/CAD-EN.html

http://lafototecaguatemala.blogspot.com/2011/05/photobook-collectionphotographs-1954.html

http://goncaload-artes.blogspot.com/2010/02/ate-ja-pai-2.html

Wednesday, November 23, 2011

REVERÊNCIA AO DESTINO


Fotografia: Gad. Oeiras, 2011 

Reverência ao destino

Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que expressem sua opinião.
Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente queremos dizer, o quanto queremos dizer, antes que a pessoa se vá.

Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias.
Difícil é encontrar e refletir sobre os seus erros, ou tentar fazer diferente algo que já fez muito errado.

Fácil é ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que ele deseja ouvir.
Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso.
E com confiança no que diz.

Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre esta situação.
Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer ou ter coragem pra fazer.

Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado.
Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece, te respeita e te entende.
E é assim que perdemos pessoas especiais.

Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar.
Difícil é mentir para o nosso coração.

Fácil é ver o que queremos enxergar.
Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto.
Admitir que nos deixamos levar, mais uma vez, isso é difícil.

Fácil é dizer "oi" ou "como vai?"
Difícil é dizer "adeus", principalmente quando somos culpados pela partida de alguém de nossas vidas...

Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados.
Difícil é sentir a energia que é transmitida.
Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa.

Fácil é querer ser amado.
Difícil é amar completamente só.
Amar de verdade, sem ter medo de viver, sem ter medo do depois. Amar e se entregar, e aprender a dar valor somente a quem te ama.

Fácil é ouvir a música que toca.
Difícil é ouvir a sua consciência, acenando o tempo todo, mostrando nossas escolhas erradas.

Fácil é ditar regras.
Difícil é seguí-las.
Ter a noção exata de nossas próprias vidas, ao invés de ter noção das vidas dos outros.

Fácil é perguntar o que deseja saber.
Difícil é estar preparado para escutar esta resposta ou querer entender a resposta.

Fácil é chorar ou sorrir quando der vontade.
Difícil é sorrir com vontade de chorar ou chorar de rir, de alegria.

Fácil é dar um beijo.
Difícil é entregar a alma, sinceramente, por inteiro.

Fácil é sair com várias pessoas ao longo da vida.
Difícil é entender que pouquíssimas delas vão te aceitar como você é e te fazer feliz por inteiro.

Fácil é ocupar um lugar na caderneta telefônica.
Difícil é ocupar o coração de alguém, saber que se é realmente amado.

Fácil é sonhar todas as noites.
Difícil é lutar por um sonho.

Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata.
Carlos Drummond de Andrade