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Monday, July 30, 2012

Marcelo R. de Sousa: Multado pela GNR



«Marcelo R. de Sousa: Multado pela GNR

O comentador disse ontem na TVI que foi autuado por excesso de velocidade, na A2, mas confessou-se “feliz” e elogiou a GNR, porque não está acima da lei. CM»



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Esta (não) notícia dada pelo Correio da Manhã é exemplar da conduta editorial desse popular órgão de informação… e de tantos outros.

Um cidadão foi multado pela GNR por conduzir em excesso de velocidade. Todos os dias são multados, pelo mesmo motivo milhares de condutores em Portugal.

Acontece que MRS é uma figura pública e mediática.

A mensagem implícita e que justifica para o editor do CM esta manchete é tão simples como básica: “vejam só… um político com os créditos e as responsabilidades de MRS não cumpre a lei, transgride!” 



Fotografia: Gonçalo Afonso Dias, Luanda, Angola
Todos os direitos reservados

Conheço pessoalmente MRS com quem tive o gosto de conversar demoradamente numa dada ocasião em Luanda e de o retratar também.
É um homem como outro qualquer, porventura mais perspicaz, comunicativo e inteligente do que a maioria mas que tem, como “humano” que é, virtudes, defeitos, carácter, “feitio” e as contradições próprias de quem pensa pela sua cabeça.

O CM está, desde a sua fundação na “pole position” do mau jornalismo que por cá se faz.

Esta é uma notícia insignificante, outras muito piores , porque sujam de um modo quase definitivo o Bom-Nome de pessoas e das suas famílias têm sido recorrentes na estratégia deste “pasquim” para vender papel…

Não defendo o fim do CM. Pelo contrário. Como em tudo na vida é importante que estes maus exemplos existam para que se valorize efectivamente quem trabalha com ética, com rigor, com respeito pela dignidade das pessoas, com o princípio basilar em Justiça de que “até prova em contrário qualquer cidadão é inocente. Com ética, enfim. (GAD)

Thursday, March 22, 2012

A cor da Dignidade





A fotografia a P&B é, na minha opinião, tanto mais harmoniosa quanto maior for a escala de cinzas que conseguir abranger.

Já a "vida" não é bem assim... Muitas ideias, afirmações e até testamentos, restringem-se aos extremos - Ou é preto, ou é branco... Ou então não é nada.

E é desse " tudo ou nada" que nasce a intolerância, o absolutismo, a ditadura.

Alguns resguardam-se em "frases feitas", como se de verdades absolutas se tratassem... Citações, máximas e outras banalidades servem, por vezes, para que as pessoas, preguiçosamente, se tentem definir. Somos seres complexos na nossa essência. Não cabemos nesses critérios minimalistas.

A cores ou a preto e branco, pouco importa, temos uma identidade, especificidades.

O "ser" de cada qual. A cada "um" cabe, por isso, a sua "verdade", a cada um pertence o seu carácter.

E, ainda está para nascer, a cor com que se poderá pintar esse distinto sentimento - a Dignidade.

Wednesday, March 21, 2012

A servidão e a dignidade - por Baptista-Bastos (DN)


Vale a pena ler e reler...
A servidão e a dignidade

por BAPTISTA-BASTOS

Vivemos no interior do medo. O medo deixou de ser um sentimento comum à condição para se transformar numa ideologia e numa arma política. A Inquisição e Salazar deixaram discípulos. Não conseguimos libertar-nos desta fatalidade histórica porque há quem limite as nossas forças e liquide as nossas esperanças. Por outro lado, aceitamos este fardo como um anátema. Reagimos escassamente mas não continuamos as acções contra a afronta. Ver os noticiários das televisões, ler a Imprensa tornou-se um exercício penoso, que conduz à depressão. Parece que o mundo desabou sobre os pobres portugueses. Tudo se enleia para favorecer o nosso infortúnio. Em nada acreditamos: a falsidade, a omissão, a desvergonha atingiram níveis desusados, e ninguém descortina onde está a mentira, e onde se oculta a verdade do que nos dizem.

As informações são um caudal contraditório; e há declarações tão surpreendentes quanto imponderáveis. Mohamed El-Erian, um desses senhores do mundo, que poucos saberiam quem é, assevera que Portugal vai pedir mais dinheiro e segue, cabisbaixo, o caminho da Grécia. Erian, leio no Diário de Notícias, é o presidente do maior fundo de investimento mundial e não costuma utilizar a metáfora nem o epigrama para falar das coisas. Papandreu, grego, socialista, primeiro-ministro até há bem pouco tempo, também não faz reserva em dizer que está aberta a vereda para seguirmos a passada do seu país.

O papão, o medo viscoso, ondulante, assustador é a Grécia. A Grécia, tal Asmodeu, rei dos demónios, é o crepúsculo como alegoria de todas as tragédias. Afastamo-nos, repugnados e receosos do contágio. Temos tudo a ver com a Grécia, mas nada queremos ter a ver com a Grécia. Os gregos são a doença infecciosa, larvar, perigosíssima. Passos Coelho, quando regressa de viagens, proclama logo, pensativo, austero e formal: com a Grécia, nem tomar café. Julgando, talvez, que esta frase corresponde a um optimismo criador.

Vivemos num confuso e absurdo almofariz de dubiedades. Agora, para rematar estes clássicos do assombro, surge Vítor Gaspar, campeão do humorismo involuntário, e assegura, arfante: "No dia 23 de Setembro de 2013 regressaremos aos mercados." Vinha dos Estados Unidos. E tudo indicava que lhe tinham segredado a extraordinária novidade. Ninguém sabe, nem Gaspar esclarece o mistério de tão prodigioso milagre.

O português comum, que sobrevive asfixiado entre o desemprego, o fisco, a multa, a humilhação, o vexame, a fome, a doença, a miséria, os impostos, as taxas moderadoras, a demolição do amor, o divórcio, a emigração, e outra vez a fome, a doença, a miséria, os impostos, esse português desorientado, desgraçado e triste sem remissão - que pode fazer ele?, que pode? Em cada um de nós reside a resposta sobre o compromisso com a honra e a recusa da servidão e da indignidade.

(DN)