Wednesday, February 24, 2010

Carlos Afonso Dias (3) - Homenagem de Jorge Garcia

" Não há o último passo". Fotografia e texto de Jorge Garcia


Em Jeito de Homenagem a Carlos Afonso Dias (1930-2010).
Quando em 2008 tive a oportunidade de conhecer Carlos Afonso Dias através do seu filho Gonçalo Afonso Dias ( http://olhares.aeiou.pt/gad), num memorável encontro no CCB em Lisboa, estaria longe de imaginar o quanto importante iria ser para mim tal encontro. Nem tão pouco, confesso, conhecia a sua obra. Quando me estende um exemplar do seu livro com fotos de 1954-1970 com uma dedicatória, num sorriso tímido e cativante eu tão pouco sabia que estaria a receber um tesouro da fotografia nacional. As fotografias do Carlos pareciam-me intemporais e algumas com mais de 50 anos. E depressa me identifiquei com o seu estilo e a sua mensagem. Fazia um tipo de fotografia simples e com poucos elementos, onde a luz era tratada com grande mestria. Amigo de outro grande talento do cinema e da fotografia, João Bérard da Costa, também já falecido, ambos protagonizaram a «nouvelle vague»da fotografia urbana e foram dos mais importantes fotógrafos portugueses de que há memoria. Seguidor confesso de Henry Cartier Bresson fazia do rigor da composição e da luz, os capítulos do seu livro sem palavras. Era fácil entender a sua obra porque se sentia que para ele tudo se resumia a um gesto, tendo a luz como alma mater. Com um carisma encantador e uma timidez apaixonante, era contagiante e inebriante ouvi-lo falar de fotografia. Sei que se tinha convertido ao Digital e que fotografava regularmente. Os seus dois livros publicados, um com fotografias de 1954-1970 e outro com fotografias de 1956-2008 são duas obras-primas onde as imagens se tornam poesia.

Não podia deixar de homenagear este grande Homem e este Grande Fotografo no qual me sentia profundamente identificado e que é sem sombra de dúvida uma enorme fonte de inspiração para qualquer fotógrafo, amador ou profissional. O Gonçalo, seu filho, segue o mesmo estilo do pai, fazendo da fotografia uma linguagem gestual onde o conceito consegue ser superior ao registo da máquina.

Manifesto as minhas mais sentidas condolências ao Gonçalo Afonso Dias e família.
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Obrigado Jorge pelo fiel testemunho e pela sentida homenagem. Gonçalo.

1 comment:

Charo Peiró said...

Me hubiera gustado conocerle. Conservaré con mucho orgullo la caja roja de papel fotográfico de Gevaert.
Gonçalo, recibe mis condolencias y un abrazo muy fuerte.