Thursday, April 29, 2010

Marcelo Rebelo de Sousa - 3 retratos



Fotografias: GAD. Luanda, 04-2010

Foi um enorme prazer conhecê-lo pessoalmente e de ter tido a oportunidade de o retratar em Luanda. Um homem fascinante muito para além do que os "pequenos ecráns" e os "mitos" construídos à volta da sua personalidade fazem passar. Obrigado pela sua paciência...
Luanda, 04-2010

Nota: qualquer cópia, reprodução, manipulação ou outra subversão destas fotografias serão implacavelmente punidas segundo o Código dos Direitos de Autor e leis conexas.

O Sr. Director escreve, eu ilustro... se não se "importa".



Manhattan? Dubai? Não... Luanda, 2010. Fotografia: Gad.
Sub-título " A acelerada (des) construção de uma cidade"


A Palavra do Director
José Ribeiro


Uma cidade com História
25 de Abril, 2010
Luanda é uma cidade centenária e só por isso precisa de cuidados especiais na protecção do seu Centro Histórico. A especulação imobiliária tem um apetite insaciável pelos espaços nos centros das cidades e grandes capitais do mundo foram desvirtuadas na sua matriz original por falta de uma política urbanística adequada. Os países que foram fustigados pela II Guerra Mundial tiveram esse problema. Na hora da reconstrução, surgiram edifícios modernos onde antes existiam monumentos que eram a memória desses povos.
Ao mesmo tempo, começaram a surgir movimentos cívicos que pugnavam pela conservação e preservação dos Centros Históricos. Essas áreas sensíveis foram protegidas, mas a partir dos anos 60 surgiu uma nova guerra, menos destrutiva, mas igualmente devastadora para a memória que sítios e monumentos representam para um povo. A desertificação humana levou a ruína aos Centros Históricos e surgiu uma nova vaga de construções modernas no coração da História.
Hoje, a UNESCO e outras instituições tentam salvar o que resta, classificando sítios e monumentos como Património da Humanidade.
A Baixa de Luanda começou a ser atacada nos anos 50 e foi adulterada durante a década de 60. Falo do casario que começa nos Coqueiros e toda a área urbana que nasceu à volta da Igreja dos Remédios (a Sé de Monsenhor Alves das Neves), os chamados palácios assobradados, com os seus quintalões onde os escravos eram guardados até à chegada dos barcos negreiros, e os edifícios públicos no perímetro que acaba no Banco Nacional de Angola e incluem a imponente Alfândega. No alto da colina temos todo o centro político-administrativo, com preciosidades como o casario da Rua do Casuno ou as imponentes igrejas de Jesus e da Misericórdia. O paço do bispo e o palácio são igualmente peças que marcam a memória da cidade.
Na Baixa temos outros sítios de excepcional interesse cultural. O quarteirão que inclui o edifício da empresa Mabílio de Albuquerque, com exemplares fabulosos de art déco, o Palácio das Telecomunicações, o Palácio dos Correios. Mais além, temos a Igreja da Nazaré embora já não exista pedra sobre pedra do Convento dos Jesuítas, onde foi instalada a primeira máquina de imprimir em África. Temos depois o casario do Bungo, de tal forma adulterado que está quase irreconhecível.
A Baixa tem nos restos da Minerva a primeira grande empresa gráfica de Angola. Nasceu na zona onde no último quartel do século XIX surgiram quase todos os jornais de Luanda e as respectivas tipografias, porque quase todos tinham oficinas próprias. O Palácio do Comércio, onde está o Ministério das Relações Exteriores, é a maior obra de construção privada de Luanda. Foi construído para sede da poderosa Associação Comercial de Luanda, na época sob o impulso de Farinha Leitão, um abastado comerciante que esteve ligado aos mais importantes projectos da imprensa em Angola, inclusive à fundação do “Província de Angola”, hoje Jornal de Angola. O edifício do nosso jornal e o que albergou o antigo “Comércio de Luanda” são igualmente peças de valor cultural extraordinário para Luanda. Ambos nasceram nos anos 20 e foram construídos de raiz como projectos de jornais. Sexta-feira, a ministra da Cultura, Rosa Cruz e Silva, esteve aqui, colocando nesta velha casa, que é um marco indelével da imprensa angolana, uma placa que atesta a sua importância histórica e cultural.
Estamos a viver um momento único na vida da cidade de Luanda. Não apenas porque este edifício elegante já não vai ser vítima do camartelo, mas porque toda a Baixa de Luanda está protegida de atentados urbanísticos, em nome de nada, ou de muito pouco. Porque não há dinheiro que pague a memória de um povo e o seu longo percurso para a liberdade. O que está estragado já não tem remédio. O que acaba de ser classificado, a partir de agora tem de ser cuidado, protegido e acarinhado.
Luanda não nasceu no dia da Independência Nacional, nem é uma moda passageira. A cidade viveu séculos de tragédias passionais, amores felizes, guerras, grandezas, sucessos, insucessos, fome, abastança. Esta magnífica cidade tem nas madrugadas uma brisa quente que faz dela única e inesquecível.
Está nas nossas mãos tratá-la com a dignidade que merece e o respeito que lhe é devido. Duas mulheres, Rosa Cruz e Silva e Francisca do Espírito Santo, estão a trabalhar para isso. É dever de todos ajudá-las na justa causa de salvar cada pedra de Luanda que guarda a nossa memória e o nosso passado.

Muito (Pouco) para os que não dão valor ao Pouco (Muito) que têm


"Matemática, 3ª Classe". Fotografia: Gad. Malange, Angola, Abril, 2010

Angola, o paradoxo das emoções - Ir e Vir

Fotografia: Gad. Bairro da Samba, Luanda, 04-2010


Cheguei hoje. Vim de Luanda. Entretanto, como é costume nas minhas "digressões de trabalho" em Angola, visitei várias províncias. Desta vez - Malange, Saurimo e Ondjiva.
"Angola é grande"... Os võos entre províncias chegam a durar mais de duas horas (mais de 1000 km).
O que eu quero dizer é que a grande maioria das pessoas que (não conhece Angola) se fica por aquilo que vê e sente do pior que Angola, quanto a mim, tem - Luanda. E depois, fala de Angola como se Angola fosse Luanda... nada mais errado. Seria, mal-comparado, como trazer um qualquer estrangeiro a Portugal e "desembarcá-lo" directamente na Cova da Moura, no Bairro da Musgueira, ou na Quinta do Mocho... e, depois, já no seu país, pedir-lhe para falar de Portugal...
Eu Cheguei hoje. Estive practicamente 20 dias em Angola (não só em Luanda, como disse e, confesso, já tenho vontade de voltar. Porque a verdade sente-se. não se lê nos jornais e, muito menos, se vê na televisão.
Mais uma vez constatei que o "meu" avião vinha repleto de portugueses, para cumprirem uns dias com a família... porque, na verdade, aqui não dá!... Nâo falem é (tanto) mal de quem lhes dá "o pão para a boca".

Wednesday, April 28, 2010

Inaugurou hoje.

Fotografia: Gad. Edifídio «BESA ONDJIVA« Ondjiva, Cunene, Angola 04-2010

Trata-se de mais um edifício desenhado pela equipa que eu coordeno, projectado e construído para Angola, no caso para a província de Ondjiva, Cunene.
Apenas edito, por agora, esta imagem, (que nem sequer resume a complexidade, ou sequer a "verdade" do edifício), por uma questão de cumprimento editorial deste blogue.
Na verdade, considero-me, desde há muito (desde que confrontei com a contundência da verdade, a Ordem dos Arquitectos e os seus sucessivos (as) bastonários (as), um arquitecto proscrito.
Proscrito, quanto a mim, no "bom-sentido"... Aquele que me continua a dar a plena liberdade de pensar, de reflectir sobre a arquitectura (reflectir é transigir...) e sobre os seus males, sem, por um segundo que seja, pestanejar, por ter " o rabo preso".
Do mesmo modo que estou noutras áreas, com maior ou menor visibilidade, pauto a minha intervenção, e assim continuarei, pela liberdade.
Pouco me importa que o actual Bastonário da (des) Ordem Dos Arquitectos não responda às múltiplas e frontais acusações que já lhe fiz de negligência, de corrupção passiva e de uma enorme incompetência e de apadrinhamento de lobbys.
Pouco me importa que as minhas denúncias caiam em saco roto.
Apenas respondo com aquilo que sei fazer e já faço há muitos, muitos anos; arquitectura. Em Portugal, no Brasil, em Angola, onde quer que seja. Porque aí o que importa é o espaço, as pessoas, a luz, o desenho, o desenho e o seu rigor feito de experiência, de muito tempo, de muito trabalho.
Por tudo isso, esta minha última obra, será mais tarde integralmente divulgada. Quando eu entender. Mas, desde já é dedicada a todos aqueles que comigo (em Portugal e em Angola) colaboraram para que fosse feito " o melhor possível".

Friday, April 23, 2010

Bom fim-de-semana!

Fotografia: GAD. Saurimo, Lunda Sul, Angola. 04-2010

Saturday, April 17, 2010

Bom fim-de-semana!

"A Peixota" . Fotografia: Gad. Cascais, 2010

Olhares.com - A 400ª fotografia a entrar para as Galerias Públicas do site. (GP's)



Fotografia nº 400 em GP's :"Quando andar já é "ir para lado nenhum".
GAD. Santo Amaro de Oeiras, 2010


Em Janeiro de 2010 aqui registei com agrado a entrada para as Galerias Públicas, na maior comunidade on-line de fotografia em Portugal - o Olhares.com - da minha 300ª fotografia.
O mesmo já tinha sucedido anteriormente com a marca 200 e a sempre emotiva 100ª, em Agosto de 2009.
Olhando para trás satisfaz-me um percurso coerente onde a "pessoa" está maioritáriamente no foco da minha objectiva. A pessoa, as pessoas, nós, eu. Numa análise menos abrangente, fotografar pessoas é, no meu entender, de certo modo, auto-retratarmo-nos.
Desse ponto de vista, a técnica, tão mal entendida por muitos, não é mais do que o profundo conhecimento e a decorrente cumplicidade entre aquele que observa, os conhecimentos que adquiriu com a experiência e o equipamento de que dispõe. Seja ele qual for.
Preferia, por motivos pessoais, que não tivesse sido esta a fotografia nº 400 a entrar para as tão desejadas (e enganadoras) GP's.
Por um lado porque conheço a pessoa. Não que isso seja limitador ou condicionador da mensagem que quis transmitir...mas, era preferível não estar tão perto das emoções que me levaram a fazer essa fotografia.
Sinto, como sempre, cada retrato, como um exorcismo de mim próprio, uma antecipação cautelosa e silenciosa dos dias que hão-de vir e, por isso, sinto também, por cada pessoa que fotografo, um profundo respeito.

Friday, April 16, 2010

Para além dos detalhes

Fotografia: Gad. Lisboa, 2010


Aeroporto Internacional de Lisboa,
Sala de embarque do voo TAP com destino a Luanda.
Como este, há muito que os voos para Luanda vão cheios, mais do que cheios... A TAP chega a vender mais bilhetes do que a capacidade dos aviões.
E são portugueses, na sua grande generalidade.
E não vão vão passar férias, nem visitar familiares doentes...
São gente crescida, muito crescida que vê, diariamente a sua vida, em Portugal, a "andar para trás". Muitos deles até dizem "o pior" de Angola... mas isso agora pouco lhes interessa. São apenas detalhes de vidas forçadas a recomeçar.

Monday, April 12, 2010

Partidas e Chegadas. Até breve!

Fotografia Gad. Carcavelos, 2010

Vou passar uns tempos "à terra". Não demoro. Volto já, com novidades. (espero).


De madrugada acertam-se as horas com a morte

Fotografia: Gad. Carcavelos, 2010

Mudanças

Fotografia: Gad. Sto Amaro de Oeiras, 2010

Saturday, April 10, 2010

Friday, April 09, 2010

Auto-retrato de um (certo) um estado de espirito


Fotografia: Gad. Carcavelos, 2010

O melhor caminho é o que está por descobrir.

Fotografia: Gad. Carcavelos, 2010


Não vale a pena insistir nas "passadeiras" da vida. Não vale a pena voltar aos mesmos lugares. Importa, quanto a mim, procurar na geometria do tempo, o espaço, por onde traçar um caminho que não seja, necessariamente, em linha recta.

Wednesday, April 07, 2010

Mãe, a minha

Fotografia: Gad. Cascais, 05-2010

A minha mãe. A mulher que me trouxe a este mundo.
O desgosto, a perda e o luto que marcam os seus dias desde que o meu pai se "foi embora" não a fizeram desistir. Mulher forte, ainda que franzinza. Foi e é uma lição de vida para todos nós.
Para mim, desde esse dia tão triste e devastador, é, e será sempre Dia-da-Mãe.