Saturday, March 31, 2007

Fotografia


"Encanto"
Ilha do Mussulo, Luanda 2007

DIA NACIONAL DO AVC


31 de Março. Dia Nacional do AVC
"Auto retrato forçado" 12/12/2003
Aqui deixo a minha solidariedade a todos aqueles que, como eu, atravessaram, ou estão a atravessar, esse "deserto" a que José Cardoso Pires chamou de "morte branca" num registo literário único; "De Profundis Valsa Lenta".
Sendo a primeira causa de morte em Portugal, devia todos os dias, ser uma prioridade dos nossos governantes, amparando, com medidas sérias e solidárias, todos aqueles (e são a maior parte) que, não tendo os meios económicos que eu tive para a reabilitação, caem para sempre no esquecimento.
Os médicos fazem o que podem.
Os políticos que façam o que devem.
Tudo o resto, depende sobretudo da "nossa" força de vontade e do carinho da família e dos amigos.

Arquitectura ["Preliminares"] Edifício "Kandando"*, Eixo Viário, Luanda - 2007/... *abraço


Estudo para um edifício de Escritórios e Comércio (10 pisos acima do solo, 3 pisos em cave) a construír no Eixo Viário, Ingombotas,próximo do Mercado do Kinaxixe (do arq. Vasco Vieira da Costa).
-------------------------------
Estudio para un edificio de Oficinas y Comercio (10 pisos por encima del suelo, 3 pisos Estudio para un edificio de Oficinas y Comercio (10 pisos por encima del suelo, 3 pisos en sótano) la construír en el Eixo Viario, Ingombotas, próximo al Mercado del Kinaxixe (del arq. Vasco Vieira de la Costa).
















Wednesday, March 28, 2007

Arquitectura - Condomínio Adelaide, Luanda

Refere-se este post à fase de Licenciamento do projecto de um condomínio fechado a construir em Talatona, Luanda Sul no lote de terreno GU 15C, integrado no Plano Piloto Urbanístico em desenvolvimento nesta região, sob a supervisão da EDURB.

2-Caracterização do terreno:

O Lote GU 15C tem uma área de 20.300 m2 e uma pendente suave, estando a cota inferior (cota 20.00 m) no limite Sudeste do terreno, junto à projectada Via VC3, enquanto a sua cota mais elevada (27.50 m) se situa no limite oposto no encontro com a Via VC1, já consolidada e infra-estruturada, que constitui já o acesso viário a este espaço.



O terreno é relativamente árido, pontuado apenas por pequenas árvores ou arbustos sem relevância.
Tem a forma de um rectângulo extenso com aproximadamente 280 x 82 m, estando o seu lado maior orientado no sentido Sudeste/Noroeste.


3- Programa Base/Conceito:




Esta fase de projecto corresponde ao desenvolvimento, maturação e consolidação do programa Preliminar desenvolvido em Janeiro de 2006 e que se fundou num conjunto de pressupostos que a seguir se enunciam;

A construção de um conjunto habitacional em regime de Condomínio Fechado, de elevada qualidade, quer ao nível das tipologias de habitação estudadas como no que respeita ao conjunto, com especial cuidado no tratamento dos espaços exteriores comuns, ajardinados e arborizados e zonas lúdicas do condomínio.
Em síntese a ideia que esteve na base de toda a proposta foi a de criar um conjunto de moradias inseridas num enorme jardim, podendo desse modo usufruir dessa sempre agradável vivência.



Nesse sentido, a presença e a circulação dos automóveis foi pensada de forma a não interferir com a tranquilidade pretendida.
O acesso automóvel às habitações é feito por uma via de sentido duplo que contorna toda a periferia do lote e inclui espaços de estacionamento exterior.
Para reforçar a ideia de separar a circulação automóvel dos espaços verdes comuns (concentrados maioritariamente num parque central com cerca de 3.700 m2) o acesso às garagens das moradias é feito directamente a partir da via periférica, estando essas garagens integradas na volumetria de cada habitação, com acesso directo ao seu interior.




Esta solução, para além da comodidade que oferece aos moradores, reduz e organiza a circulação das viaturas, deixando espaço livre para a movimentação e presença das pessoas, nomeadamente das crianças que, deste modo, poderão usufruir de todas as potencialidades dos jardins e zonas de estar exteriores com toda a segurança.
Propõe-se 29 fogos distribuídos por duas tipologias de habitação distintas, designadas nos desenhos do projecto como “Tipologia A” (com 10 casas isoladas) e “Tipologia B”, em banda, (com um total de 19 casas), e ainda dois edifícios de apoio ao condomínio com a designação “CD 01” e “CD 02”, para além da portaria e controlo de acessos localizada na entrada deste complexo.



O conjunto das tipologias “A” ocupa a faixa Nordeste enquanto a banda de habitações do tipo “B” se alinha na faixa Sudoeste, estando o parque ajardinado entre as duas e com acesso directo a partir de qualquer das moradias.
O edifício “CD 01” remata a banda das tipologias “B”, no topo junto à entrada.
O edifício ”CD 02” remata todo o conjunto e implanta-se numa plataforma de nível, à cota 20.00 m no extremo Sudeste do lote.

A definição dos lotes de terreno e a fixação das plataformas de implantação das casas foi estudada de forma a evitar movimentações de terreno significativas acompanhando o declive natural existente.
Também os aspectos técnicos referentes às distintas especialidades envolvidas tiveram uma importância considerável para o conceito que desenvolvemos e agora apresentamos, e que será depurado e optimizado na fase de projecto subsequente (Projecto de Execução), assim que esta proposta mereça a aprovação das entidades responsáveis.


4- Caracterização das construções:
4.1- Habitação

A opção por duas tipologias de habitação distintas “A” e “B” procura dar resposta a diferentes necessidades espaciais, económicas ou de carácter particular da parte dos potenciais moradores, flexibilizando a oferta e viabilizando o investimento.
Contudo, as duas tipologias assentam num conjunto de pressupostos comum:

- A qualidade e generosidade do espaço interior e a sua relação com as zonas exteriores adjacentes.
- A particularidade do “modo de vida” enraizado em Angola, propiciado pelo seu clima e que se traduz num usufruto dos espaços ao ar livre, tanto no interior do lote como no exterior, muito valorizado nos tempos de lazer e de celebração familiar.
- A flexibilidade funcional das habitações, assegurada à partida por esquemas de circulação e de compartimentação ajustáveis a diferentes necessidades.
- Um sistema construtivo de qualidade, com a utilização de materiais adequados ao clima, duráveis e resistentes ao desgaste.
- A orientação da construção aliada ao ensombramento das fachadas e caixilharias mais expostas, permitindo um equilíbrio térmico passivo, reflectindo-se naturalmente num menor recurso a sistemas mecânicos de tratamento do ar e nos custos que essa sobrecarga inevitavelmente acarreta.
- A preservação da intimidade no interior de cada lote através de um adequado posicionamento dos espaços íntimos e sociais e do afastamento considerável às moradias frontais, reforçado pela mediação natural do parque verde central.
- A criação de um nicho exterior compartimentado para a ligação às várias redes técnicas (armário técnico) junto à rua que dá acesso às casa, facilitando a componente de manutenção, de leitura de contadores e de distribuição a partir dos ramais principais já traçados nesta fase do projecto pelas distintas especialidades envolvidas.


Tipologia “A”

Os lotes de terreno onde se implantam as 10 casas do tipo “A” têm uma configuração próxima de um quadrado com 21 metros de frente e uma área total de 472.50 m2.
O escalonamento entre a cota de soleira de cada lote é de 75 cm acompanhando, como já foi referido, o declive natural do terreno.
A área bruta de cada habitação, é distribuída em dois pisos perfazendo um total de 400,50 m2.





Tipologia “B”

É uma tipologia clássica de ”banda” de habitações.
tipologia “A”, ou seja 10,50 m. A área de terreno destinada a cada casa é de 212,00 m2 e o escalonamento entre as plataformas de implantação corresponde naturalmente a metade do desnível indicado para a anterior tipologia, ie: 37,50 cm.

O alinhamento dos lotes das diferentes tipologias, aliado ao escalonamento gradual entre módulos, proporciona um equilíbrio estético do conjunto com regras métricas e alinhamentos comuns, transpostos também para o desenho do espaço exterior, com mais visibilidade a partir do jardim central.
Igualmente distribuída em dois pisos, a área bruta total de cada casa desta tipologia é de 294,00 m2, igualmente com o espaço de garagem inserido na sua volumetria.
O conceito subjacente a esta tipologia é inspirado no modelo de moradias unifamiliares de 2 pisos e terraço exterior muito recorrente e popular em Angola.
A volumetria proposta procura através da utilização de planos recuados e de diferentes cérceas individualizar cada casa subvertendo o efeito da fachada contínua, definindo por outro lado linhas de cércea comuns, o que evitará o sempre inestético efeito de “degrau” na linha da transição entre cada par de habitações. Esta intenção será reforçada pela utilização cuidadosa da cor, apesar de, nesta fase, a apresentação da maqueta ser esquemática e monocromática





O programa funcional tem um princípio semelhante ao já exposto na descrição da tipologia “A”; os espaços sociais são concentrados no Piso 0 e a zona privada da casa (os quartos) concentram-se no piso superior.

O acesso à moradia poderá ser feito directamente a partir da garagem (também com ligação interior ao hall de entrada) ou pela porta principal junto ao passeio.
A partir do hall de entrada, onde se localiza a instalação sanitária social poderá aceder-se directamente à cozinha, à sala ou ainda ao piso superior através da escada que daí nasce com 3 “degraus de chamada”.
A sala com 35,50 m2 está voltada para um terraço exterior com 50,00 m2 onde, para além de um canteiro periférico se localiza um anexo para o tratamento de roupa e arrumos. A cozinha prolonga-se, do mesmo modo, para esse espaço exterior propondo-se inclusivamente uma bancada em espaço coberto, onde se situa o barbecue.
As refeições ao ar livre serão naturalmente promovidas pela criação destas condições funcionais e de circulação.


O terraço exterior comunica directamente (à semelhança do proposto na tipologia “A”) com o jardim central através de um portão.

No Piso 1 um hall de distribuição comunica com os 3 quartos (2 suites) com áreas confortáveis e com um escritório que poderá ser usado, se necessário, como um quarto suplementar. Todos os compartimentos principais deste piso têm varandas cobertas.

No alinhamento da escada que dá acesso a este piso localiza-se uma porta de acesso restrito, que conduz a uma “escada de bombeiro” para acesso ao pequeno compartimento técnico situado na cobertura.
Dada a configuração destes lotes optou-se, por razões de segurança, por localizar o compartimento técnico na cobertura (que albergará a unidade exterior do sistema “multi-split” e um termoacumulador). A ventilação é mais uma vez garantida através de uma frente totalmente em grelha.


4.2- Edifícios do Condomínio
Edifício “CD 01”




Está localizado no topo Nordoeste da banda de habitações do tipo “B” rematando-a.
É um edifício que serve duas funções distintas uma técnica e uma administrativa. Parte do imóvel, ao nível do Piso 0, acomoda a central técnica que suportará todo o empreendimento onde prepondera o grupo Gerador de grande capacidade.
O compartimento onde este grupo se localiza será totalmente isolado acusticamente e ventilado através de uma grelha, ao pátio exterior anexo e ainda por meios mecânicos a implementar.

No piso 1, ao lado do secretariado e com uma vista ampla sobre o jardim localiza-se a Sala de Reuniões dos Condóminos.
Um conjunto de Instalações Sanitárias, junto ao elevador, apoiará este espaço que, em dias de reunião será bastante frequentado.
Formalmente, este edifício foi pensado de modo a integrar-se na banda de habitações que remata, mas a ter simultaneamente uma presença mais “institucional” que o distingue e lhe confere uma maior visibilidade a partir da entrada no condomínio.


Edifício “CD 02”

Implantado numa plataforma de nível, à cota 20.00 m, no extremo Sudeste do empreendimento este edifício integra um conjunto de equipamentos exteriores de carácter lúdico que servirão todos os condóminos, nomeadamente uma piscina de 18 x 12 metros e uma piscina circular com 2,5 m de diâmetro para uso das crianças mais pequenas, ambas apoiadas por balneários e zonas de estar.
Será, pelas suas características, funcionalidades e localização, o ponto de encontro de reunião e convívio de todos os moradores deste condomínio bem como dos seus convidados.






O programa para o edifício é organizado em dois pisos, ligados por uma zona de pé direito duplo.

O Piso 0, ao nível da zona das piscinas, é dominado por uma cafetaria, com uma sala interior que explora o referido pé-direito, o que lhe conferirá um acrescido significado.
Esta cafetaria com uma área total de 61.70 m2 é servida por uma área de balcão e cozinha com capacidade para todos os equipamentos de restauração recorrentes nestes programas.

Prolonga-se para o exterior através de uma esplanada com pavimento em madeira (deck) onde a visibilidade sobre a zona das piscinas será total o que constituirá um atractivo e uma mais valia para quem usufrui deste serviço.

Ainda neste piso, e integrada na área de serviço da cafetaria, localizámos os vestiários e balneários exclusivos dos funcionários.
As Instalações Sanitárias dos utentes estão posicionadas de forma a não interferirem com as circulações de serviço e a terem um acesso fácil mais discreto a partir da sala.

No topo do edifício oposto à sala criámos um pátio ao ar livre com comunicação para a via exterior (através de um grande portão) o que permitirá a entrada independente dos funcionários, as operações de lavagem de estrados e equipamentos, bem como as cargas/descargas de uma forma directa sem colidir com o funcionamento deste equipamento nem com a tranquilidade dos seus clientes.





O acesso ao Piso 1 poderá ser feito através de uma escada, localizada no alinhamento da entrada principal da cafetaria ou ainda pelo elevador posicionado na mesma zona.

Estes acessos ao piso superior, pela sua localização não colidem em circunstância alguma com o movimento natural da cafetaria.

No Piso 1 e com visibilidade sobre a sala da cafetaria através do pé-direito duplo, funcionará um espaço mais contido dedicado aos jogos de mesa (snooker, ping-pong, cartas e xadrez, por exº). Esta sala com 77,00 m2 e um pé-direito elevado, prolonga-se também para uma varanda/esplanada exterior através de uma ponte que rasga o espaço central de maior pé-direito.
Dessa grande varanda contempla-se toda a área exterior lúdica dominada pela piscina e pela frescura que a presença da água sempre transmite.

Por fim, é de referir que se prevê a instalação de obras de arte de diversos artistas angolanos tanto nos espaços interiores mais nobres como nos ambientes exteriores mais relevantes.


Tratamento dos Espaços Exteriores

Como foi já referido, todo o conceito deste projecto parte de uma valorização dos espaços exteriores na certeza de que essa premissa marcará a diferença e valorizará o ambiente e o modo de vida no interior deste conjunto habitacional.



A importância que as zonas verdes, arborizadas ou relvadas assumem nesta proposta (quer no interior dos lotes, quer no espaço exterior comum) extravasa as intenções já transpostas para os desenhos desta fase de trabalho e será objecto de um projecto especifico de paisagismo

No entanto é de realçar a presença que o grande parque central terá e a disponibilidade que este oferece para os mais diversos usos ao ar livre.

Desde logo, o caminho central que “serpenteia” entre os passeios que confinam os alinhamentos das duas tipologias, será um percurso lúdico pautado pela presença alternada de espaços relvados e plataformas em madeira e regrado pelos alinhamentos dos lotes marcados pela presença de bancos convidativos à sombra das árvores que aí crescerão.


Nessas plataformas poder-se-á improvisar jogos, almoços ao ar livre, brincadeiras entre crianças, etc.


Por fim, a circulação periférica proposta, não só garante um afastamento significativo aos lotes confinantes, como afasta os automóveis deste ambiente de “habitação em jardim”.
Os 90 lugares de estacionamento exterior previstos complementam o parqueamento privado integrado nas moradias e será maioritariamente utilizado pelos visitantes ou convidados dos condóminos.


Thursday, March 15, 2007

Tuesday, March 06, 2007

Arquitectura - Obra (Potugal): Casa Jorge e Mariana Moreira da Silva, Restelo 2002/2006






(Imagem digitalizada (e convertida para preto e branco) do livro "Atlas Urbanístico de Lisboa

coordenado por Manuel Salgado e Nuno Lourenço com textos de Nuno Portas, Ana Tostões e José Sarmento Matos. Editora Argumentum, Ed. Novembro 2006.)

A encomenda para este projecto surgiu em 2002. Os meus clientes tinham comprado uma casa, em elevado estado de degradação, no Bairro do Restelo, Freguesia de Stª Maria de Belém. 


(Fachada principal classificada pelo IPPAR)


(Fachada Posterior)

Trata-se de um bairro projectado nos anos 40 onde  "as tipologias dominantes são vivendas de moradias geminadas que buscam referências à tradição da dita "casa portuguesa" e pelo Centro Comercial do Restelo (1949-1956), projecto de Chorão Ramalho" (1)

O lote onde se implantou a antiga casa é um rectângulo estreito e comprido (28x12m), confinado no sentido longitudinal por duas ruas, sendo a rua de acesso principal a João Afonso de Aveiro e a rua posterior (acesso alternativo pelas traseiras) a Rua Dinis Dias .





Dado o elevado estado de degradação da construção existente e das suas precárias estruturas optámos pela demolição integral da moradia, com excepção da fachada principal (protegida pelo I.P.P.A.R.), sendo essa, aliás, a condicionante mais importante para o desenvolvimento do novo projecto. 


As restantes condições prévias consistiam na manutenção da volumetria e cércea existentes, cobertura em telha lusa e alinhamento da cumeeira com a da casa "gémea" (nº10). Houve, por isso, a necessidade de um entendimento entre mim e o autor do projecto da casa vizinha, também em remodelação, depois de uma primeira obra então embargada.

O programa pouco diferia do tradicional quadro para uma moradia unifamiliar; Sala, cozinha, quartos, instalações sanitárias, etc. 


Os pressupostos que orientaram todo o projecto foram os seguintes:

Uma solução espacial que se ajustasse com naturalidade às aberturas da fachada principal e que, por outro lado, rentabilizasse ao máximo a área de construção permitida (86m2 por piso e cerca de 40 no aproveitamento do sótão).


A "limpeza" das construções que ocupavam uma parte significativa do espaço exterior (garagem, anexo e escritório) devolvendo à casa um amplo e arejado espaço ajardinado.

A criação de um acesso pedonal coberto a partir da rua posterior.





A criação de um sistema de circulações concentrado num núcleo central que libertasse todo o espaço envolvente (sobretudo no piso 0), possibilitando diferentes percursos bem como distintos enfiamentos visuais. 


A utilização do sótão como um espaço nobre; uma sala polivalente para escritório, atelier e brinquedos.

Um sistema de janelas tipo "Velux" que caracterizasse esse espaço e simultaneamente, através de um vazio na laje (pavimentado em vidro), deixasse a luz natural chegar ao piso dos quartos (Piso1).



Conceptualmente a ideia mais consistente e que se revelou a mais decisiva em todas as escalas de intervenção, foi a de uma certa austeridade, uma procura de soluções relativamente intemporais tanto no aspecto formal como na escolha dos materiais e pormenorização.

Não procurava uma solução minimalista conotada às tendências mais recentes da arquitectura que vamos fazendo. Sentia que o tecido onde iria intervir, com mais visibilidade no alçado posterior, funcionava no meu processo criativo como uma "autoridade" que à partida não tolerava "tiques" nem extravagâncias desnecessários.

Resumindo numa palavra; Contenção.



Por um feliz acaso descobri na altura, num pequeno livro de um arquitecto amigo, uma casa da autoria de Corbusier que não conhecia (santa ignorância...) e que parecia gritar-me "Está tudo aqui..." 



Perturbadora, pouco divulgada mas de uma enorme grandeza e simplicidade.
Não resisti a tão oportuna provocação e influenciou claramente o desenho do novo alçado 



SOLUÇÃO
A fase mais delicada desta construção foi a contenção e reforço estrutural da fachada principal.

Foi utilizado o sistema de "agrafamento" da nova estrutura de betão à parede existente. 


De resto, o desenho da estrutura estava já implícito na compartimentação adoptada e foi resolvido basicamente com 3 pórticos transversais de vão inteiro, travados no sentido longitudinal, de forma a possibilitar as grandes aberturas projectadas.

As paredes confinantes com as casas vizinhas foram revestidas a alvenaria com uma caixa-de-ar intermédia para evitar eventuais infiltrações.


DESCRIÇÃO DOS ESPAÇOS ­Piso 0



+

Foi pensado com o carácter de um "open space".
A entrada principal, recuada relativamente ao plano da fachada e enfatizada por um arco é antecedida de um pequeno e simpático pátio que foi totalmente restaurado.
O hall de entrada recuperou a dimensão generosa e as características do anterior.


No centro da planta deste piso está o "motor" de toda a solução; um núcleo compacto que integra a escada de acesso ao piso superior, uma instalação sanitária de apoio, e uma enorme estante (por detrás da qual se recolhem as portas de correr envidraçadas de acesso à sala e à cozinha. 




Essa estante constitui o principal objecto "decorativo" da sala, só inteiramente conseguido depois de devidamente preenchida pela grande quantidade de livros e objectos dos proprietários. 

A sala, agora posicionada do lado oposto (Relativamente ao projecto original), ocupa toda a largura do lote e abre-se generosamente para o espaço exterior ajardinado, através de um amplo envidraçado. 



A cozinha comunica com o hall de entrada e com a sala. A janela existente nesse quadrante, voltada para o pátio exterior, "convidou" à localização nesse sítio de um espaço recatado para as refeições do dia-a-dia. 


A visibilidade da sala para a zona de estendal, integrada na faixa de circulação exterior coberta pela pala periférica, é cortada por uma sequência de lâminas verticais afastadas o suficiente para permitir a circulação do ar. A parede oposta que confina com o lote vizinho é integralmente revestida a azulejo preto, não chegando a tocar na laje, evitando o efeito de "muro cego" e permitindo a entrada de luz.

Essa pala em betão ensombra o grande vão da sala e prolonga-se longitudinalmente até ao pequeno corpo de anexos, no limite do lote, junto à entrada do automóvel.



PISO 1
Neste piso estão os três quartos da casa.
A faixa central de circulações assume aqui uma espacialidade mais complexa. É um rectângulo transversal e simétrico com a escada e a abertura na laje superior (de igual dimensão). Os topos conjugam as portas com bandeira de entrada nos compartimentos, com utilitários e sempre bem-vindos armários para arrumações diversas, cumprindo o mesmo desenho das portas. 



Do lado da Rua principal e enquadrados com os vãos existentes estão os dois quartos "dos miúdos".

Do lado oposto, virado para a nova fachada, fica o quarto do pais (suite) com uma instalação sanitária privativa e uma janela corrida de parede a parede.

O recuo desse vão, relativamente ao plano da parede exterior permitiu ainda encaixar algum mobiliário complementar.

A instalação sanitária, tal como todas as zonas "húmidas" da habitação é revestida quase integralmente a Lioz, excepto alguns planos acabados a "pastilha" cinzenta

PISO 2 (Sotão) 


Acabou por ser o espaço mais "disputado" pela família. Não só por ter um carácter polivalente, mas sobretudo, pelo ambiente que acabou por conquistar.
É um espaço livre, aproveitado nas faixas com menos pé-direito para alinhar extensas estantes. Os topos, mais regulares, e espaçosos albergam as mesas de trabalho dos dois pais, com um "saudável" afastamento. Esta sala tem ainda o encanto de atrair os miúdos que não resistem à magia de um sótão com tanto espaço para inventar. 





A iluminação proporcionada pelas cinco janelas alternadas, alinhadas com o vazio da laje do piso 2, resultou plenamente e cria, ao longo do dia, ambientes diferenciados. 
O piso envidraçado acabou por ser uma aposta ganha e um conforto adicional para os meus clientes que, de manhã, ao abrirem as portas dos quartos, sentem o conforto da iluminação natural.

Não seria justo fechar este post sem uma referência a todos aqueles que contribuíram com o seu entusiasmo e dedicação para que esta obra se realizasse. 


Não pessoalizo pois iria, com certeza, cometer algumas omissões, tantos foram, ao longo de quase quatro anos, os intervenientes nesta construção.

Em primeiro lugar agradeço a paciência e a dedicação dos "Donos da obra", hoje amigos meus: Jorge e Mariana Moreira da Silva. Particularmente ao Jorge que assumiu a ingrata e desgastante posição de administrador directo da empreitada, numa altura em que eu não tinha condições para o ajudar.

Sem a sua dedicação, tolerância e entusiasmo, não haveria obra.

(1)- Extrato do texto referente ao Restelo do livro "Atlas Urbanistico de Lisboa" 


(Desenho de um dos habitantes mais novos.)
















I