Monday, February 22, 2010
Até já pai (2)
Do meu pai, Carlos Afonso Dias (C.A.D.) tem-se, após a sua morte, escrito o possível. Para além de alguns (muito poucos) testemunhos dos também muito poucos que souberam conhecê-lo, citam-se generalidades maioritariamente acerca da sua faceta mais conhecida - a de fotógrafo.
C.A.D. era também fotógrafo e não foi nenhuma galeria que o "descobriu". Era daqueles homens já raros, muito raros que, possuidores de um vasto conhecimento da vida e dos homens, senhor de uma imensa cultura, tinha um carácter onde a humildade e a honestidade intelectual o impediam de se por "em bicos dos pés" para ser notado, convidado, elogiado ou mesmo homenageado.
A dúvida, a par de um sentido estético transversal a todos os seus gestos, levavam-no à procura, a uma incessante procura de conhecimento, de novos caminhos, de outras abordagens. Carlos Afonso Dias não estava ,(li algures), fascinado com o "mundo do digital". Não o renegou é certo, mas também pouco investiu nele porque como uma vez desabafou "nunca sai aquilo que eu vejo"
C.A.D. viveu e trabalhou num país onde os artistas são desprezados em vida. Para além do fotógrafo, morreu , poucos o sabem, um exímio e irónico desenhador da vida. Até já pai.
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3 comments:
..."um exímio e irónico desenhador da vida".
Lindo!
os meus sentimentos, Gonçalo
Obrigado alma.
Obrigado AM.
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