Wednesday, May 09, 2012

JÚLIO QUARESMA




Della Bestia Triunphante, 2005
Óleo sobre tela e fotografia
160 x 200 cm

(FONTE: WORLD ART CENTER)




POSTA RESTANTE



A ESTA.


Não tenho quaisquer pretensões a ser um crítico (teórico) de arquitectura. 



Não é essa a minha vocação. Muito menos o meu objectivo, ou a minha intenção.



Porventura, não li os livros que devia ter lido. Nem tão pouco me dediquei a estudar, empenhadamente, a História (completa) da Arquitectura.

Confesso que o meu trabalho tem muito mais de intuição do que de "teoria".

Confesso também que invisto muito mais em livros de fotografia do que em revistas de arquitectura...

O que os outros fazem pouco me importa. Sempre foi assim e assim será, desconfio...

Interessa-me muito mais, aquilo que os "outros" fizeram, há muitos anos.

E aí descubro muito daquilo que sou - Corbusier, Loos, Alvar Aalto, Kanh, Tadao Ando.


Um dia, em Angola, há alguns anos, fui convidado para ser professor de arquitectura na "Lusíada de Luanda". Recusei - coitados dos meus eventuais alunos...

A "coisa" ficou apenas por uma palestra onde tentei alertar os futuros arquitectos angolanos para a qualidade (e coerência) da arquitectura feita por portugueses em Angola e da importância de conservar esses exemplos. Vasco Vieira da Costa, incontornável, mas muitos outros que encontraram no "exílio" espaço e tempo para a experimentação.

Nem sei bem porque é que estou agora a falar nisto....

Como sempre, acabo por me perder entre ideias, convicções e, sobretudo, dúvidas.

Comecei esta "posta" por um desenho.

E, também, por uma ideia.

Na sequência da minha anterior "entrada" e sem paciência para grandes abordagens intelectuais, decidi (não decidi - aconteceu) fazer um desenho que, de algum modo, ilustrasse a banalidade da arquitectura que por cá (e por lá...- seja onde for) se vai fazendo.

No fundo, é uma representação, dirigida sobretudo aos jovens arquitectos - sem qualquer paternalismo - da "fórmula" - banalizada - de "dar nas vistas.

É fácil... Entramos no mundo (acho que já falei nisso) da imagem, do impacto.

Eu fiz uma consola maior do que a tua!...

Eu fiz uma "caixinha" melhor do que a tua...

Eu fiz uma "coisa" mais esquisita do que a tua...

Eu fiz um pilar mais "torto" do que o teu...

E, mais nada - um imenso vazio.

É este, na minha opinião, o estado da "nossa" arquitectura. 

Coitada...



Desenho: Gonçalo Afonso Dias. 05-2012

Tuesday, May 08, 2012

Monday, May 07, 2012

ESPERANÇA



Fotografia: Gonçalo Afonso Dias. Belém 2004

Alegres e Contentes



(Desenho: Gonçalo Afonso Dias, 05-2012)

Para os governantes portugueses pouco ou nada importa como os portugueses estão.
Importante sim é passar "lá para fora" (bimbos do caraças...) a ideia de que estão bem e se recomendam...
Nesse sentido, e como patriota que (ainda) sou, aqui fica a minha modesta contribuição.

Sunday, May 06, 2012

A ARQUITECTURA PORTUGUESA - "BARALHAR PARA VOLTAR A DAR"



A ARQUITECTURA PORTUGUESA - "BARALHAR PARA VOLTAR A DAR"


Tenho em relação à arquitectura que vai sendo feita por arquitectos portugueses uma inquietação idêntica à que tenho no que diz respeito à "nossa fotografia", "à nossa pintura", à nossa escultura", enfim às nossas diversas formas de expressão artísticas.

Vivemos tempos onde a "palavra-chave" para o sucesso parece ser o "IMPACTO".

Na fotografia, esse "impacto" traduz-se, frequentemente, em imagens fotográficas (Não Fotografias...) de discutível qualidade mas com essa espécie de "magia" de fazer com que o observador menos informado, menos culto, se sinta (Impa)cotado...




("ANIMALINDAR" - Fotografia de PauloANunes - "foto do Mês" de Abril no Olhares .com)

Quem conhece e estuda os grandes mestres da fotografia internacional - Henri Cartier- Bresson, por ex - e portuguesa também: (Victor Pala, Gérard Catello-lopes, Carlos Afonso Dias, Carlos Calvet, António Sena, entre muitos outros) percebe que esse preceito - o "Impacto"- não fazia parte das suas preocupações nem tinha lugar na sua gramática de expressão artística - muito pelo contrário. A subtileza, a simplicidade, a singeleza das imagens que captaram revelam, acima de tudo uma forma inteligente de ver o Mundo - onde as mensagens estão implícitas, onde a revolta e o inconformismo se descobre com prazer em cada uma das suas fotografias.





Sem "IMPACTO", sem "ARTIFÍCIOS", sem "TRUQUES.

Hoje, na arquitectura, nomeadamente naquela que é feita por portugueses, confronto-me com o mesmo embaraço... O impacto parece prevalecer sobre o conteúdo, sobre o processo criativo, sobre o percurso (tão relevante na conquista das formas e dos espaços).

A verdade da arquitectura é subvertida pela imagem - aquela fotografia tipo "visão de toupeira" ou "olho - de - boi" que depois de passar pelo Photoshop faz as delicias dos arquitectos e das revistas da especialidade.

Por outro lado, a consciência e a intervenção política fundamental na arquitectura como em qualquer forma de expressão (artística ou não) tornou-se numa abstracção - algo até a evitar...- entre os nossos "cérebros".

Vivemos tempos socioeconómicos extremamente difíceis e penalizadores para aqueles que menos podem. Já foi dito e redito, bem sei...

Tempos que, na minha opinião, requeriam das "prima-donas" da arquitectura "portuguesa" uma posição firme, um repensar de preconceitos e de pressupostos, uma atitude activa e influente.



Nada. Siza Vieira, "nasceu" após o 25 de Abril, com uma actuação declaradamente política e com preocupações manifestamente humanas e sociais. Foi assim que se "fez" notar por cá e lá fora.

Contudo, neste tempo de "asfixia" não lhe ouvi uma palavra...

Já de Souto Moura, um sucedâneo de Siza, não esperava muito mais.

E como seria relevante uma declaração objectiva e substantiva de qualquer uma destas "estrelas"...

Enquanto a pratica da arquitectura agoniza entre nós, a Ordem dos Arquitectos Portugueses (O-A) pura e simplesmente não existe.

O nº de arquitectos desempregados há muito ultrapassou os 40%.

Com a (O-A) e com o seu bastonário - João Belo Rodeia - já nem quero perder muito tempo... Cansei-me de "malhar em ferro frio".




Falo (escrevo) apenas do que vejo. E o que vejo é o esvaziamento qualitativo da arquitectura, a colagem despudorada a modelos "importados" - a Holanda, por ex., a total ausência de uma actividade crítica, permanente, consistente, objectiva.

Reproduz-se em Portugal, com evidente sucesso, aquilo que de menos verdadeiro se faz por essa Europa.

É por isso que, na minha opinião, é urgente "baralhar para voltar a dar".

Voltar a conferir um significado e uma dignidade à nossa actividade, valorizar as heranças de saber (Távora, por ex.), estudar, utilizar "a dúvida" como método humilde e consistente para ir mais longe.

De outro modo, os projectos e as obras que por aqui se vão fazendo nunca passarão de ridículas imitações - limitadas intelectualmente, amputadas no desejo.


Gonçalo Afonso Dias - 05-2012

Fotografia - Belém


Torre de Belém, 2006


Torre de Belém, 2006


Belém, 2006


(Fotografias: Gonçalo Afonso Dias)





Em 2003...



Fotografia: Gonçalo Afonso Dias, 2003

Austeridade #02



Austeridade #02
Fotografia: Gonçalo Afonso Dias. 05-2012

Saturday, May 05, 2012

Da Vida das Passadeiras


Faro, 2007


Faro, 2007


Faro, 2007


Oeiras, 2012


Oeiras, 2012


Oeiras, 2012


Oeiras, 2012

(Fotografias: Gonçalo Afonso Dias)





Fotografia - Trabalhar com a Chuva



Fotografia: Gonçalo Afonso Dias. Oeiras, 05-2012

Thursday, May 03, 2012

91 milhões de euros...


("O Grito" - imagem retirada da net)

Versão de"O Grito" torna-se a obra mais cara vendida em leilão
Disputada por sete potenciais compradores, esta versão do quadro "O Grito" foi vendida por 91 milhões de euros em apenas 12 minutos na Sotheby's, de Nova Iorque.

Uma das versões do quadro "O Grito", do pintor norueguês Edvard Munch, foi vendida por quase 120 milhões de dólares (91 milhões de euros), o que torna esta obra como a mais cara vendida num leilão.

A venda feita na quarta-feira na Sotheby's, de Nova Iorque, durou apenas 12 minutos e permitiu que esta obra superasse o valor da obra "Nu, folhas verdes e busto", de Picasso, vendida em 2010 na Christie's, de Nova Iorque, por quase 106,5 milhões de dólares.

Esta era a única das quatro versões desta quadro que estava em mãos privadas e foi disputada por sete potenciais compradores.

As restantes três versões deste quadro estão em mãos públicas, sendo que duas delas estão na posse do Museu Munch, de Oslo, e a outra está na Galaria Nacional de Oslo.



Dia Mundial da Liberdade de Imprensa



Dia Mundial da Liberdade de Imprensa: As preocupações da UNESCO


Em Portugal o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa vai ser assinalado, esta quinta-feira, com uma série de iniciativas organizadas por um grupo de entidades, entre as quais a Comissão Nacional da UNESCO. A presidente da UNESCO em Portugal, Manuela Galhardo, explicou à TSF os objetivos das comemorações deste dia.

"Um Dia com os Media" é o tema que serve de reflexão este ano, uma forma de perceber a importância que os meios de comunicação social têm na vida das pessoas, a forma como a crise afeta o trabalho dos jornalistas e a violência sobre estes profissionais são assuntos que não vão escapar ao debate.

Wednesday, May 02, 2012

Morreu o cineasta Fernando Lopes



Fernando Lopes, morreu hoje em Lisboa, aos 76 anos, no Hospital da Cruz Vermelha.O realizador estava doente há algum tempo.

Fernando Lopes é um dos nomes de referência do chamado cinema novo português, numa aventura que começou nos anos 60.

"Em Câmara Lenta" (2012), o último filme do cineasta, que estreou a 8 de março, será reposto no Cinema Medeia King, em Lisboa, a partir de dia 10 de maio, com uma sessão diária.



PINGO DOCE



(Desenho: Gonçalo Afonso Dias. 05-2012)


Sindicato do Comércio admite apresentar queixa por alegado "dumping"

O Sindicato do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (SCESSP) admitiu hoje apresentar queixa à Autoridade da Concorrência contra a cadeia de supermercados Pingo Doce por alegado "dumping" na campanha promocional que realizou terça-feira.

Em declarações à agência Lusa, a dirigente do SCESSP Isabel Camarinha disse que os responsáveis sindicais vão, durante o dia de hoje, “analisar e decidir o que fazer” em relação à campanha das lojas do grupo Jerónimo Martins, que no 1.º de maio realizou uma campanha de 50 por cento de desconto nas compras superiores a 100 euros.

“Não pomos de parte a possibilidade de apresentar queixa à autoridade da concorrência”, referiu Isabel Camarinha.

“Vamos tomar todas as medidas que estiverem ao nosso alcance, porque estamos perante uma atitude de concorrência desleal em relação aos outros grupos (económicos), além de que foram cometidas imensas ilegalidades contra os trabalhadores”, criticou.

Isabel Camarinha lembrou que o sindicado tinha emitido um pré-aviso de greve para o Dia do Trabalhador, que foi "desrespeitado" pela Jerónimo Martins.

Ao sindicado chegaram inúmeros relatos de funcionários do grupo que terão sido "ameaçados" com faltas injustificadas caso não fossem trabalhar, relatou à Lusa.

“Já no ano passado, a Jerónimo Martins tinha decidido desrespeitar o Dia do Trabalhador, abrindo portas. Este ano, não só manteve essa atitude, como escolheu esse dia para promover uma campanha que teve o efeito que foi visto por toda a gente”, acusou a sindicalista, sublinhando que chegaram ao SCESSP inúmeros relatos de “ilegalidades cometidas contra os trabalhadores”.

Isabel Camarinha denunciou uma outra prática ilegal alegadamente promovida pela empresa Jerónimo Martins: “Os horários de trabalho têm de ser definidos com 30 dias de antecedência, mas a empresa esteve a ligar aos trabalhadores que estavam de descanso ou de férias, para que fossem trabalhar naquele dia”.

“Nós sabemos que houve trabalhadores que foram ameaçados de que se não fossem trabalhar no dia 01 [de maio] teriam faltas injustificadas. No Pingo Doce isso aconteceu em muitas lojas pelo país todo, sabendo eles que o sindicato tinha emitido um pré-aviso de greve e, portanto, os trabalhadores tinham todo o direito de não ir trabalhar, mas foram ameaçados com faltas injustificadas se não fossem”, disse Isabel Camarinha.

Para o Sindicato do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal, a campanha do Pingo Doce, que na terça-feira ofereceu um desconto de 50% em compras superiores a 100 euros, é sinónimo de "dumping" (vender produtos abaixo do preço).

A iniciativa gerou enorme confusão em todo o país, tendo as forças policiais registado 40 incidentes só naa áreas metropolitanas de Lisboa e Porto.

“A campanha aproveitou-se da crise, da situação em que vivem milhares de famílias e da falta de poder económico que vivem as pessoas, para promover aquela campanha que causou aqueles incidentes todos, porque nem sequer estavam preparados para aquilo”, criticou a sindicalista.

ELE TEM UM SONHO...




"2015 - RETRATO ROBOT"
Desenho: Gonçalo Afonso Dias  

15,3%


Desemprego sobe para os 15,3 por cento em Portugal 

A taxa de desemprego em Portugal subiu para os 15,3 por cento em março, revelou o Eurostat. Na Zona Euro, o desemprego atingiu os 10,9 por cento, igualando o número de abril de 1997.

A taxa de desemprego em Portugal atingiu os 15,3 por cento em março, tendo subido 0,3 pontos percentuiais em relação a fevereiro, revelam dados divulgados esta quarta-feira pelo Eurostat.

Ainda de acordo com estes dados, o desemprego em Portugal só é inferior ao registado em Espanha (24,1 por cento) e ao que se verifica na Grécia (21,1 por cento, números de janeiro).

Em Portugal, o desemprego jovem relativo a pessoas com menos de 25 anos subiu para 36,1 por cento contra 35,4 por cento registados em fevereiro.

O Eurostat anunciou ainda que a taxa de desemprego na Zona Euro é agora de 10,9 por cento, a mesma percentagem registada em abril de 1997, ao passo que o desemprego na União Europeia estabilizou nos 10,2 por cento.

De acordo com o Eurostat, a Áustria, com quatro por cento, a Holanda, com cinco por cento, e o Luxemburgo, com 5,2 por cento, são os países com menos desemprego na UE.

1º De Maio de 2012 - Dedicado ao Sr. Passos Coelho e seus acólitos



(Desenho: Gonçalo Afonso Dias. 1 de Maio de 2012)
«Este desenho é dedicado ao Dr. Passos Coelho e aos seus acólitos»

Tuesday, May 01, 2012

Porque hoje é o 1º de Maio



(Fotografia: Gonçalo Afonso Dias. Porto 2007)

Este homem é, para todos os efeitos, um trabalhador - arruma carros.
Mas é mais; é um lutador - deixou a droga, está num Programa de Reabilitação.
Este Governo, com a suas políticas liberais e anti-sociais apagou-lhe a Luz que já via ao "Fundo do Túnel".
Como a ele, a milhares, todos os dias, a todas as horas.
Por agora o que importa ao executivo de Passos Coelho são os números (ainda que manipulados conforme as conveniências) e a "Imagem" deste país à beira da bancarrota, "Lá Fora"...
O tempo que faz a História encarregar-se-à de mostrar a esse "Público estrangeiro" quem foi Passos Coelho e as consequências do seu servilismo aos "Donos da Europa". Trágicas consequências como já se vê.