Monday, May 14, 2012

O Fundo do Poço



Desenho: Gonçalo Afonso Dias. 05-2012


O Fundo do Poço

O Fundo do poço, é o ultimo lugar
que o ser humano chega
e se sente um nada
um perdedor,
um zero a esquerda
um verme.

E foi lá que voce chegou
Tentaste me levar contigo
Mas consegui me erguer
e fugir de voce

Agora o que fazes? sei lá,
e nem quero saber;
o que fazes,
o que sentes,
o que falas,
com quem andas.

Te quero longe de mim
Não quero nem ouvir a tua voz

Quero sim viver e ser feliz
Sem pensar que um dia
te conheci e te amei.

(Nancy Cobo)

Sunday, May 13, 2012

Bom Domingo.



"SPA" , Fotografia: Gonçalo Afonso Dias
Hotel Quinta da Lágrimas, Coimbra

Saturday, May 12, 2012

S/T



"S/T". Fotografia: Gonçalo Afonso Dias
Carcavelos, 2004

MUTANTE



"Mutante". Pintura: Gonçalo Afonso Dias
Acrílico sobre madeira (30x20cm)
05-2012

Bom fim-de-semana.

Friday, May 11, 2012

Horizonte



"Horizonte"
Pintura: Gonçalo Afonso Dias
Acrílico sobre papel (20x15cm)
05-2012


O mar anterior a nós, teus medos 

Tinham coral e praias e arvoredos. 

Desvendadas a noite e a cerração, 
As tormentas passadas e o mistério, 
Abria em flor o Longe, e o Sul sidério 
'Splendia sobre as naus da iniciação. 

Linha severa da longínqua costa — 
Quando a nau se aproxima ergue-se a encosta 
Em árvores onde o Longe nada tinha; 
Mais perto, abre-se a terra em sons e cores: 
E, no desembarcar, há aves, flores, 
Onde era só, de longe a abstrata linha 

O sonho é ver as formas invisíveis 
Da distância imprecisa, e, com sensíveis 
Movimentos da esp'rança e da vontade, 
Buscar na linha fria do horizonte 
A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte — 
Os beijos merecidos da Verdade.

(Fernando Pessoa)


Passos Coelho diz que desemprego pode ser uma oportunidade

O primeiro-ministro considerou que o desemprego não tem de ser encarado como negativo e pode ser «uma oportunidade para mudar de vida»

Durante a tomada de posse do Conselho para o Empreendedorismo e a Inovação, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, Pedro Passos Coelho lamentou que «a cultura média» em Portugal seja a «da aversão ao risco» e que os jovens licenciados portugueses prefiram, na sua maioria, «ser trabalhadores por conta de outrem do que empreendedores».

Numa intervenção de cerca de vinte minutos, o primeiro-ministro defendeu que «essa cultura tem de ser alterada» e substituída por «um maior dinamismo e uma cultura de risco e de maior responsabilidade, seja nos jovens, seja na população em geral».

Passos Coelho referiu-se em especial aos portugueses que estão sem emprego: «'Estar desempregado não pode ser, para muita gente, como é ainda hoje em Portugal, um sinal negativo. Despedir-se ou ser despedido não tem de ser um estigma, tem de representar também uma oportunidade para mudar de vida, tem de representar uma livre escolha também, uma mobilidade da própria sociedade».

Segundo Passos Coelho, a Europa e Portugal precisam de apostar em «modelos de desenvolvimento de valor acrescentado, de forte base tecnológica» para ganharem competitividade económica, e não nos preços baixos.

«Essa não é a competitividade que nos interessa. No curto prazo, no meio da crise em que estamos, claro que é preferível ter trabalho, mesmo precário, do que não ter, claro que é preferível trabalhar mais do que não trabalhar, vender mais barato do que não vender», mas «o modelo para o futuro tem de ser o de acrescentar valor», reforçou.


........................................................................................................................

(GAD)
Se até agora tenho tentado ser contido nos adjectivos dedicados ao Sr. Primeiro-ministro de Portugal - Dr. Pedro Passos Coelho - depois das suas declarações - proferidas hoje, sobre o desemprego, sinto-me compelido a chamar "os bois pelos nomes": Não me recordo de um político tão hipócrita, tão demagogo e tão manipulador como este.

Em português mais arcaico, afirmo que, para além de "bimbo" e de "bronco", Passos Coelho é uma verdadeira Besta ***  que, para além de mentir compulsivamente aos portugueses, ainda os tenta subjugar e endrominar...

As declarações que Pedro Passos Coelho fez hoje ficaram, certamente, na história da hipocrisia política em Portugal.

Entendo que os portugueses, e nomeadamente os jovens desempregados portugueses, já não suportam as tão recorrentes e demagógicas ideias do "empreendedorismo, das "janelas de oportunidade" e de muitas outras tolices que saem da boca dos nossos governantes.

Urge reagir. Reagir violentamente contra este governo. Dar-lhe a reposta que impera.

Infelizmente vivemos num contexto político e social onde a regra é a despolitização, o alheamento, o conformismo.

Os senhores do Governo repetem até à exaustão que "Portugal não é a Grécia". Pois eu tenho muita pena que os portugueses não tenham um décimo da dignidade, da revolta, da capacidade de "ir à luta" que os gregos demonstram a cada momento.

Tenho pena que a nossa juventude, sem futuro, sem ambições, não reaja como se impunha. Como os espanhóis, por ex.

"O desemprego não tem de ser encarado como negativo e pode ser «uma oportunidade para mudar de vida." Foi o que disse Passos Coelho.

Então encaremos o crescente e alarmante desemprego como "oportunidades para mudar a vida"?!

Mas mudar qual vida, se a vida nos é negada...

Não nos podemos calar. É urgente reagir. Seja como for, seja como tiver de ser.

O primeiro-ministro, em cada declaração, em cada opinião, revela aquilo que, no fundo, é. Um homem inculto, impreparado, mas convicto nas suas opções absolutistas e vagamente fascistas.
O destino de Portugal está hoje entregue a energúmenos, inconscientes, impreparados, ignorantes e, para os quais a palavra "Democracia" pura e simplesmente perdeu toda a sua substância.

As palavras de Passos Coelho são facas espetadas nos direitos há muito consagrados pelos trabalhadores, pelos jovens, pelas pessoas.

Pedro Passos Coelho terá de ter a resposta adequada - a bem ou a mal...



***
O termo besta pode referir-se a:

§ Besta (arma), arma de tiro, também chamada de balestra.

§ Besta (carro), carro que foi produzido pela empresa sul-coreana Kia Motors.

§ Besta do Apocalipse, figura bíblica.

Besta pode significar ainda:

§ Um animal utilizado para tarefas que exigem grande esforço físico, normalmente chamados de animais ou bestas de carga;

§ Qualquer tipo de animal quadrúpede, especialmente de grande porte;

§ Um animal híbrido estéril originado do cruzamento entre duas espécies diferentes, como a mula, o muar, o bardoto, o caraval, o servical, o zebróide, o ligre;

§ Uma ofensa, significando "tolo", "ingênuo", "otário";

§ Um sinônimo de "diabo".

(Wikipédia)




Autor : Kimon Berlin, user:Gribeco 


ACTUALIZAÇÃO:
("O Público" , 2012-05-12)



Estou Tonto



Pintura: Gonçalo Afonso Dias.
Acrílico sobre papel (30x20cm)
05-2012

Estou tonto, 


Tonto de tanto dormir ou de tanto pensar, 

Ou de ambas as coisas. 

O que sei é que estou tonto 

E não sei bem se me devo levantar da cadeira 
Ou como me levantar dela. 
Fiquemos nisto: estou tonto. 

Afinal 
Que vida fiz eu da vida? 
Nada. 
Tudo interstícios, 
Tudo aproximações, 
Tudo função do irregular e do absurdo, 
Tudo nada. 
É por isso que estou tonto ... 

Agora 
Todas as manhãs me levanto 
Tonto ... 

Sim, verdadeiramente tonto... 
Sem saber em mim e meu nome, 
Sem saber onde estou, 
Sem saber o que fui, 
Sem saber nada. 

Mas se isto é assim, é assim. 
Deixo-me estar na cadeira, 
Estou tonto. 
Bem, estou tonto. 
Fico sentado 
E tonto, 
Sim, tonto, 
Tonto... 
Tonto. 

(Álvaro de Campos, in "Poemas" )
Heterónimo de Fernando Pessoa

Tributo a Bernardo Sassetti





Fotografias: Gonçalo Afonso Dias

Partiu Bernardo Sassetti - Até sempre.


(@ Rita Carmo)

Morreu o pianista Bernardo Sassetti 
Publicado hoje às 13:23

Bernardo Sassetti morreu aos 41 anos, indicou a sua editora, a Clean Feed. Segunda a mesma fonte, o compositor e pianista caiu de uma falésia no Guincho.

Em 1997, Sassetti gravou «What Love is», acompanhado pela Orquestra Filármonica de Londres, que teve como convidado especial Sting.

O compositor e pianista ia fazer 42 anos no próximo dia 24 de Junho.

Bernardo Sassetti, aqui a interpretar a banda sonora do filme português "Alice":




Não há "mortes" mais justas do que outras - Há mortes mais chocantes do que outras.
Bernardo Sassetti é (nunca deixará de ser) um dos meus pianistas preferidos.
O modo trágico como morreu - afogado no Guincho depois de cair de uma falésia onde estava a fotografar é, para mim, se tal é possível, ainda mais penoso.
Fica a sua obra, fico com a sua música. (GAD, 11-05-2012)

Portugal não é prioridade para Angola



O mercado português deixou de ser prioritário para as autoridades angolanas, sobretudo no que toca a investimento directo. Quem o diz é o próprio governo angolano.


"O Estado tem hoje outras prioridades. Estamos a olhar mais para os problemas internos do que para os problemas externos", disse ontem Manuel Vicente, ministro de Estado e da Coordenação Económica de Angola.O governante falava numa conferência de imprensa em Luanda, para apresentação do balanço de actividades do executivo no primeiro trimestre deste ano.

Recorde-se que Angola tem vindo a aumentar o seu peso enquanto parceiro económico de Portugal nos últimos anos, quer no que diz respeito a investimento, quer nas trocas comerciais. Nesse sentido, aliás, Angola assumiu-se no primeiro trimestre de 2012 como o quarto maior parceiro comercial da economia portuguesa, atrás de Espanha, Alemanha e França.

Mas, pelo menos no que diz respeito a investimento directo, Angola parece agora menos disposta a virar-se para Portugal. Questionado sobre se Luanda iria participar no programa de privatizações em Portugal nos sectores da comunicação e dos transportes, Manuel Vicente deixou tal iniciativa para os privados. "Os empresários privados são livres. Onde eles encontrarem oportunidades e virem que há, de facto, a criatividade e a escala para investir, só nos resta, como governo, apoiarmos essas iniciativas", disse.

(Fonte: O Económico)

ACTUALIZAÇÃO, 2012-05-12:


Leonard Cohen - Darkness

Austeridade #03



"Austeridade #03"
Fotografia: Gonçalo Afonso Dias

"Águia Ficou..."



Fotografia: Gonçalo Afonso Dias

Thursday, May 10, 2012

A Víbora








Desenho: Gonçalo Afonso Dias. 05-2012 


Víbora
Como a víbora gerado,
No coração se formou
Este amor amaldiçoado
Que à nascença o espedaçou.

Para ele nascer morri;
E em meu cadáver nutrido,
Foi a vida que eu perdi
A vida que tem vivido.

(Almeida Garrett, in 'Folhas Caídas')



Desenho: Gonçalo Afonso Dias. 05-2012

Assim continuamos...



Fotografia: Gonçalo Afonso Dias. Braga 2006

Wednesday, May 09, 2012

"Eu não minto"...



"Eu não minto !"

Entendo que é muito preocupante um ministro ou qualquer outro responsável político sentir a necessidade de proferir oficialmente, e perante os seus pares, uma declaração como essa.

O "EU" assume nesse "desabafo" uma demarcação explicíta dos "Outros" - os que, subentende-se, mentem.

Por outro lado, é inconcebível que um Ministro das Finanças, num contexto de e de incerteza (que ele assume) tenha a "lata" de proclamar tais justificações...

A mentira, no "Mundo da Política" é algo de relativamente abstracto. Não tenho memória de algum dirigente que tenha assumido que "Mente" ou que "Mentiu"...

Num cenário mais abrangente, o do Governo de que faz parte Vítor Gaspar, as mentiras têm sido sucessivas, comprovadas, pelos factos, e notórias, pelos efeitos. Passos Coelho mentiu aos portugueses e continua a mentir.

A cumplicidade entre o primeiro-ministro e os seus comparsas - "Vitinho" incluído - faz, obviamente, com que essas mentiras sejam uma co-autoria.

Talvez, admito, os senhores que nos governam, tenham uma interpretação da palavra "mentira" muito específica e conveniente. Para mim continua a valer o significado que vem nos dicionários:


Mentira é o nome dado as afirmações ou negações falsas ditas por alguém que sabe (ou suspeita) de tal falsidade, e na maioria das vezes espera que seus ouvintes acreditem nos dizeres. Dizeres falsos quando não se sabe de tal falsidade e/ou se acredita que sejam verdade, não são considerados mentira, mas sim erros. O ato de contar uma mentira é "mentir", e quem mente é considerado um "mentiroso".




ENTRETANTO...:

Reposição de subsídios a partir de 2015 "não é um compromisso", afirma Vítor Gaspar
OJE/Lusa
A reposição gradual dos subsídios de férias e Natal a partir de 2015, avançada no documento de estratégia orçamental (DEO) do Governo, é uma "perspetiva técnica" e não uma "decisão política", disse hoje o ministro das Finanças.

 Em declarações perante a comissão parlamentar do Orçamento, Vítor Gaspar recusou comprometer-se com uma data específica para o regresso destas prestações, que foram suspensas para funcionários públicos e pensionistas.

O deputado social-democrata bracarense Nuno Reis mencionou que no DEO é avançada a possibilidade de repor os subsídios a um ritmo de 25% por ano a partir de 2015 - voltando ao total em 2018.

Em resposta, Vítor Gaspar disse que há uma "considerável incerteza" à volta da evolução da economia portuguesa e da europeia.

"Não é possível de forma definitiva projetar o que vai acontecer nos anos seguintes", disse Gaspar. Assim, a hipótese de repor 25% 5dos subsídios em 2015 é uma mera "perspetiva técnica" e não "um compromisso".

JÚLIO QUARESMA




Della Bestia Triunphante, 2005
Óleo sobre tela e fotografia
160 x 200 cm

(FONTE: WORLD ART CENTER)




POSTA RESTANTE



A ESTA.


Não tenho quaisquer pretensões a ser um crítico (teórico) de arquitectura. 



Não é essa a minha vocação. Muito menos o meu objectivo, ou a minha intenção.



Porventura, não li os livros que devia ter lido. Nem tão pouco me dediquei a estudar, empenhadamente, a História (completa) da Arquitectura.

Confesso que o meu trabalho tem muito mais de intuição do que de "teoria".

Confesso também que invisto muito mais em livros de fotografia do que em revistas de arquitectura...

O que os outros fazem pouco me importa. Sempre foi assim e assim será, desconfio...

Interessa-me muito mais, aquilo que os "outros" fizeram, há muitos anos.

E aí descubro muito daquilo que sou - Corbusier, Loos, Alvar Aalto, Kanh, Tadao Ando.


Um dia, em Angola, há alguns anos, fui convidado para ser professor de arquitectura na "Lusíada de Luanda". Recusei - coitados dos meus eventuais alunos...

A "coisa" ficou apenas por uma palestra onde tentei alertar os futuros arquitectos angolanos para a qualidade (e coerência) da arquitectura feita por portugueses em Angola e da importância de conservar esses exemplos. Vasco Vieira da Costa, incontornável, mas muitos outros que encontraram no "exílio" espaço e tempo para a experimentação.

Nem sei bem porque é que estou agora a falar nisto....

Como sempre, acabo por me perder entre ideias, convicções e, sobretudo, dúvidas.

Comecei esta "posta" por um desenho.

E, também, por uma ideia.

Na sequência da minha anterior "entrada" e sem paciência para grandes abordagens intelectuais, decidi (não decidi - aconteceu) fazer um desenho que, de algum modo, ilustrasse a banalidade da arquitectura que por cá (e por lá...- seja onde for) se vai fazendo.

No fundo, é uma representação, dirigida sobretudo aos jovens arquitectos - sem qualquer paternalismo - da "fórmula" - banalizada - de "dar nas vistas.

É fácil... Entramos no mundo (acho que já falei nisso) da imagem, do impacto.

Eu fiz uma consola maior do que a tua!...

Eu fiz uma "caixinha" melhor do que a tua...

Eu fiz uma "coisa" mais esquisita do que a tua...

Eu fiz um pilar mais "torto" do que o teu...

E, mais nada - um imenso vazio.

É este, na minha opinião, o estado da "nossa" arquitectura. 

Coitada...



Desenho: Gonçalo Afonso Dias. 05-2012

Tuesday, May 08, 2012

Monday, May 07, 2012

ESPERANÇA



Fotografia: Gonçalo Afonso Dias. Belém 2004

Alegres e Contentes



(Desenho: Gonçalo Afonso Dias, 05-2012)

Para os governantes portugueses pouco ou nada importa como os portugueses estão.
Importante sim é passar "lá para fora" (bimbos do caraças...) a ideia de que estão bem e se recomendam...
Nesse sentido, e como patriota que (ainda) sou, aqui fica a minha modesta contribuição.

Sunday, May 06, 2012

A ARQUITECTURA PORTUGUESA - "BARALHAR PARA VOLTAR A DAR"



A ARQUITECTURA PORTUGUESA - "BARALHAR PARA VOLTAR A DAR"


Tenho em relação à arquitectura que vai sendo feita por arquitectos portugueses uma inquietação idêntica à que tenho no que diz respeito à "nossa fotografia", "à nossa pintura", à nossa escultura", enfim às nossas diversas formas de expressão artísticas.

Vivemos tempos onde a "palavra-chave" para o sucesso parece ser o "IMPACTO".

Na fotografia, esse "impacto" traduz-se, frequentemente, em imagens fotográficas (Não Fotografias...) de discutível qualidade mas com essa espécie de "magia" de fazer com que o observador menos informado, menos culto, se sinta (Impa)cotado...




("ANIMALINDAR" - Fotografia de PauloANunes - "foto do Mês" de Abril no Olhares .com)

Quem conhece e estuda os grandes mestres da fotografia internacional - Henri Cartier- Bresson, por ex - e portuguesa também: (Victor Pala, Gérard Catello-lopes, Carlos Afonso Dias, Carlos Calvet, António Sena, entre muitos outros) percebe que esse preceito - o "Impacto"- não fazia parte das suas preocupações nem tinha lugar na sua gramática de expressão artística - muito pelo contrário. A subtileza, a simplicidade, a singeleza das imagens que captaram revelam, acima de tudo uma forma inteligente de ver o Mundo - onde as mensagens estão implícitas, onde a revolta e o inconformismo se descobre com prazer em cada uma das suas fotografias.





Sem "IMPACTO", sem "ARTIFÍCIOS", sem "TRUQUES.

Hoje, na arquitectura, nomeadamente naquela que é feita por portugueses, confronto-me com o mesmo embaraço... O impacto parece prevalecer sobre o conteúdo, sobre o processo criativo, sobre o percurso (tão relevante na conquista das formas e dos espaços).

A verdade da arquitectura é subvertida pela imagem - aquela fotografia tipo "visão de toupeira" ou "olho - de - boi" que depois de passar pelo Photoshop faz as delicias dos arquitectos e das revistas da especialidade.

Por outro lado, a consciência e a intervenção política fundamental na arquitectura como em qualquer forma de expressão (artística ou não) tornou-se numa abstracção - algo até a evitar...- entre os nossos "cérebros".

Vivemos tempos socioeconómicos extremamente difíceis e penalizadores para aqueles que menos podem. Já foi dito e redito, bem sei...

Tempos que, na minha opinião, requeriam das "prima-donas" da arquitectura "portuguesa" uma posição firme, um repensar de preconceitos e de pressupostos, uma atitude activa e influente.



Nada. Siza Vieira, "nasceu" após o 25 de Abril, com uma actuação declaradamente política e com preocupações manifestamente humanas e sociais. Foi assim que se "fez" notar por cá e lá fora.

Contudo, neste tempo de "asfixia" não lhe ouvi uma palavra...

Já de Souto Moura, um sucedâneo de Siza, não esperava muito mais.

E como seria relevante uma declaração objectiva e substantiva de qualquer uma destas "estrelas"...

Enquanto a pratica da arquitectura agoniza entre nós, a Ordem dos Arquitectos Portugueses (O-A) pura e simplesmente não existe.

O nº de arquitectos desempregados há muito ultrapassou os 40%.

Com a (O-A) e com o seu bastonário - João Belo Rodeia - já nem quero perder muito tempo... Cansei-me de "malhar em ferro frio".




Falo (escrevo) apenas do que vejo. E o que vejo é o esvaziamento qualitativo da arquitectura, a colagem despudorada a modelos "importados" - a Holanda, por ex., a total ausência de uma actividade crítica, permanente, consistente, objectiva.

Reproduz-se em Portugal, com evidente sucesso, aquilo que de menos verdadeiro se faz por essa Europa.

É por isso que, na minha opinião, é urgente "baralhar para voltar a dar".

Voltar a conferir um significado e uma dignidade à nossa actividade, valorizar as heranças de saber (Távora, por ex.), estudar, utilizar "a dúvida" como método humilde e consistente para ir mais longe.

De outro modo, os projectos e as obras que por aqui se vão fazendo nunca passarão de ridículas imitações - limitadas intelectualmente, amputadas no desejo.


Gonçalo Afonso Dias - 05-2012

Fotografia - Belém


Torre de Belém, 2006


Torre de Belém, 2006


Belém, 2006


(Fotografias: Gonçalo Afonso Dias)





Em 2003...



Fotografia: Gonçalo Afonso Dias, 2003

Austeridade #02



Austeridade #02
Fotografia: Gonçalo Afonso Dias. 05-2012

Saturday, May 05, 2012

Da Vida das Passadeiras


Faro, 2007


Faro, 2007


Faro, 2007


Oeiras, 2012


Oeiras, 2012


Oeiras, 2012


Oeiras, 2012

(Fotografias: Gonçalo Afonso Dias)





Fotografia - Trabalhar com a Chuva



Fotografia: Gonçalo Afonso Dias. Oeiras, 05-2012

Thursday, May 03, 2012

91 milhões de euros...


("O Grito" - imagem retirada da net)

Versão de"O Grito" torna-se a obra mais cara vendida em leilão
Disputada por sete potenciais compradores, esta versão do quadro "O Grito" foi vendida por 91 milhões de euros em apenas 12 minutos na Sotheby's, de Nova Iorque.

Uma das versões do quadro "O Grito", do pintor norueguês Edvard Munch, foi vendida por quase 120 milhões de dólares (91 milhões de euros), o que torna esta obra como a mais cara vendida num leilão.

A venda feita na quarta-feira na Sotheby's, de Nova Iorque, durou apenas 12 minutos e permitiu que esta obra superasse o valor da obra "Nu, folhas verdes e busto", de Picasso, vendida em 2010 na Christie's, de Nova Iorque, por quase 106,5 milhões de dólares.

Esta era a única das quatro versões desta quadro que estava em mãos privadas e foi disputada por sete potenciais compradores.

As restantes três versões deste quadro estão em mãos públicas, sendo que duas delas estão na posse do Museu Munch, de Oslo, e a outra está na Galaria Nacional de Oslo.



Dia Mundial da Liberdade de Imprensa



Dia Mundial da Liberdade de Imprensa: As preocupações da UNESCO


Em Portugal o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa vai ser assinalado, esta quinta-feira, com uma série de iniciativas organizadas por um grupo de entidades, entre as quais a Comissão Nacional da UNESCO. A presidente da UNESCO em Portugal, Manuela Galhardo, explicou à TSF os objetivos das comemorações deste dia.

"Um Dia com os Media" é o tema que serve de reflexão este ano, uma forma de perceber a importância que os meios de comunicação social têm na vida das pessoas, a forma como a crise afeta o trabalho dos jornalistas e a violência sobre estes profissionais são assuntos que não vão escapar ao debate.

Wednesday, May 02, 2012

Morreu o cineasta Fernando Lopes



Fernando Lopes, morreu hoje em Lisboa, aos 76 anos, no Hospital da Cruz Vermelha.O realizador estava doente há algum tempo.

Fernando Lopes é um dos nomes de referência do chamado cinema novo português, numa aventura que começou nos anos 60.

"Em Câmara Lenta" (2012), o último filme do cineasta, que estreou a 8 de março, será reposto no Cinema Medeia King, em Lisboa, a partir de dia 10 de maio, com uma sessão diária.



PINGO DOCE



(Desenho: Gonçalo Afonso Dias. 05-2012)


Sindicato do Comércio admite apresentar queixa por alegado "dumping"

O Sindicato do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (SCESSP) admitiu hoje apresentar queixa à Autoridade da Concorrência contra a cadeia de supermercados Pingo Doce por alegado "dumping" na campanha promocional que realizou terça-feira.

Em declarações à agência Lusa, a dirigente do SCESSP Isabel Camarinha disse que os responsáveis sindicais vão, durante o dia de hoje, “analisar e decidir o que fazer” em relação à campanha das lojas do grupo Jerónimo Martins, que no 1.º de maio realizou uma campanha de 50 por cento de desconto nas compras superiores a 100 euros.

“Não pomos de parte a possibilidade de apresentar queixa à autoridade da concorrência”, referiu Isabel Camarinha.

“Vamos tomar todas as medidas que estiverem ao nosso alcance, porque estamos perante uma atitude de concorrência desleal em relação aos outros grupos (económicos), além de que foram cometidas imensas ilegalidades contra os trabalhadores”, criticou.

Isabel Camarinha lembrou que o sindicado tinha emitido um pré-aviso de greve para o Dia do Trabalhador, que foi "desrespeitado" pela Jerónimo Martins.

Ao sindicado chegaram inúmeros relatos de funcionários do grupo que terão sido "ameaçados" com faltas injustificadas caso não fossem trabalhar, relatou à Lusa.

“Já no ano passado, a Jerónimo Martins tinha decidido desrespeitar o Dia do Trabalhador, abrindo portas. Este ano, não só manteve essa atitude, como escolheu esse dia para promover uma campanha que teve o efeito que foi visto por toda a gente”, acusou a sindicalista, sublinhando que chegaram ao SCESSP inúmeros relatos de “ilegalidades cometidas contra os trabalhadores”.

Isabel Camarinha denunciou uma outra prática ilegal alegadamente promovida pela empresa Jerónimo Martins: “Os horários de trabalho têm de ser definidos com 30 dias de antecedência, mas a empresa esteve a ligar aos trabalhadores que estavam de descanso ou de férias, para que fossem trabalhar naquele dia”.

“Nós sabemos que houve trabalhadores que foram ameaçados de que se não fossem trabalhar no dia 01 [de maio] teriam faltas injustificadas. No Pingo Doce isso aconteceu em muitas lojas pelo país todo, sabendo eles que o sindicato tinha emitido um pré-aviso de greve e, portanto, os trabalhadores tinham todo o direito de não ir trabalhar, mas foram ameaçados com faltas injustificadas se não fossem”, disse Isabel Camarinha.

Para o Sindicato do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal, a campanha do Pingo Doce, que na terça-feira ofereceu um desconto de 50% em compras superiores a 100 euros, é sinónimo de "dumping" (vender produtos abaixo do preço).

A iniciativa gerou enorme confusão em todo o país, tendo as forças policiais registado 40 incidentes só naa áreas metropolitanas de Lisboa e Porto.

“A campanha aproveitou-se da crise, da situação em que vivem milhares de famílias e da falta de poder económico que vivem as pessoas, para promover aquela campanha que causou aqueles incidentes todos, porque nem sequer estavam preparados para aquilo”, criticou a sindicalista.

ELE TEM UM SONHO...




"2015 - RETRATO ROBOT"
Desenho: Gonçalo Afonso Dias  

15,3%


Desemprego sobe para os 15,3 por cento em Portugal 

A taxa de desemprego em Portugal subiu para os 15,3 por cento em março, revelou o Eurostat. Na Zona Euro, o desemprego atingiu os 10,9 por cento, igualando o número de abril de 1997.

A taxa de desemprego em Portugal atingiu os 15,3 por cento em março, tendo subido 0,3 pontos percentuiais em relação a fevereiro, revelam dados divulgados esta quarta-feira pelo Eurostat.

Ainda de acordo com estes dados, o desemprego em Portugal só é inferior ao registado em Espanha (24,1 por cento) e ao que se verifica na Grécia (21,1 por cento, números de janeiro).

Em Portugal, o desemprego jovem relativo a pessoas com menos de 25 anos subiu para 36,1 por cento contra 35,4 por cento registados em fevereiro.

O Eurostat anunciou ainda que a taxa de desemprego na Zona Euro é agora de 10,9 por cento, a mesma percentagem registada em abril de 1997, ao passo que o desemprego na União Europeia estabilizou nos 10,2 por cento.

De acordo com o Eurostat, a Áustria, com quatro por cento, a Holanda, com cinco por cento, e o Luxemburgo, com 5,2 por cento, são os países com menos desemprego na UE.

1º De Maio de 2012 - Dedicado ao Sr. Passos Coelho e seus acólitos



(Desenho: Gonçalo Afonso Dias. 1 de Maio de 2012)
«Este desenho é dedicado ao Dr. Passos Coelho e aos seus acólitos»

Tuesday, May 01, 2012

Porque hoje é o 1º de Maio



(Fotografia: Gonçalo Afonso Dias. Porto 2007)

Este homem é, para todos os efeitos, um trabalhador - arruma carros.
Mas é mais; é um lutador - deixou a droga, está num Programa de Reabilitação.
Este Governo, com a suas políticas liberais e anti-sociais apagou-lhe a Luz que já via ao "Fundo do Túnel".
Como a ele, a milhares, todos os dias, a todas as horas.
Por agora o que importa ao executivo de Passos Coelho são os números (ainda que manipulados conforme as conveniências) e a "Imagem" deste país à beira da bancarrota, "Lá Fora"...
O tempo que faz a História encarregar-se-à de mostrar a esse "Público estrangeiro" quem foi Passos Coelho e as consequências do seu servilismo aos "Donos da Europa". Trágicas consequências como já se vê.

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1º de Maio de 2012



CGTP e UGT centram discursos no ataque às políticas do Governo

Publicado hoje às 12:19

A propósito do 1º de maio, o líder da CGTP entende que as políticas do Governo «não trazem futuro aos trabalhadores». Já o líder da UGT insiste que a «austeridade não é solução».

O secretário-geral da CGTP indicou que vai sublinhar no seu discurso do 1º de maio que a política do atual Governo «está a colocar a classe média na pobreza, os pobres na miséria e os miseráveis fora das estatísticas».

Arménio Carlos considerou que este tipo de política «não traz futuro nem aos trabalhadores, nem às suas famílias nem ao país, razão pela qual se justifica que todos, sem exceção, hoje participem em força no 1º de Maio da CGTP e muitas manifestações que vamos realizar em todo o país».

Também em declarações à TSF, o secretário-geral da UGT explicou que as críticas ao Governo vão marcar o seu discurso do 1º de maio, até porque uma «questão central na posição» desta central sindical «é considerar que a austeridade não é solução».

«Temos uma austeridade que nos é imposta, mas a questão central é realmente promover a criação de postos de trabalho, dar resposta à necessidade das pessoas e daí a necessidade e políticas de crescimento e emprego», explicou João Proença.

Para o líder da UGT, a «austeridade não é a solução em Portugal nem na Europa», sendo que «não podemos estar submetidos a políticas que cada vez mais agravam a situação do país».




(Imagem retirada da Net)



Edição do Departamento de Orientação Revolucionária do MPLA
(Colecção Particular)