A ESTA.
Não tenho quaisquer pretensões a ser um crítico (teórico) de arquitectura.
Não é essa a minha vocação. Muito menos o meu objectivo, ou a minha intenção.
Porventura, não li os livros que devia ter lido. Nem tão pouco me dediquei a estudar, empenhadamente, a História (completa) da Arquitectura.
Confesso que o meu trabalho tem muito mais de intuição do que de "teoria".
Confesso também que invisto muito mais em livros de fotografia do que em revistas de arquitectura...
O que os outros fazem pouco me importa. Sempre foi assim e assim será, desconfio...
Interessa-me muito mais, aquilo que os "outros" fizeram, há muitos anos.
E aí descubro muito daquilo que sou - Corbusier, Loos, Alvar Aalto, Kanh, Tadao Ando.
Um dia, em Angola, há alguns anos, fui convidado para ser professor de arquitectura na "Lusíada de Luanda". Recusei - coitados dos meus eventuais alunos...
A "coisa" ficou apenas por uma palestra onde tentei alertar os futuros arquitectos angolanos para a qualidade (e coerência) da arquitectura feita por portugueses em Angola e da importância de conservar esses exemplos. Vasco Vieira da Costa, incontornável, mas muitos outros que encontraram no "exílio" espaço e tempo para a experimentação.
Nem sei bem porque é que estou agora a falar nisto....
Como sempre, acabo por me perder entre ideias, convicções e, sobretudo, dúvidas.
Comecei esta "posta" por um desenho.
E, também, por uma ideia.
Na sequência da minha anterior "entrada" e sem paciência para grandes abordagens intelectuais, decidi (não decidi - aconteceu) fazer um desenho que, de algum modo, ilustrasse a banalidade da arquitectura que por cá (e por lá...- seja onde for) se vai fazendo.
No fundo, é uma representação, dirigida sobretudo aos jovens arquitectos - sem qualquer paternalismo - da "fórmula" - banalizada - de "dar nas vistas.
É fácil... Entramos no mundo (acho que já falei nisso) da imagem, do impacto.
Eu fiz uma consola maior do que a tua!...
Eu fiz uma "caixinha" melhor do que a tua...
Eu fiz uma "coisa" mais esquisita do que a tua...
Eu fiz um pilar mais "torto" do que o teu...
E, mais nada - um imenso vazio.
É este, na minha opinião, o estado da "nossa" arquitectura.
Coitada...
Desenho: Gonçalo Afonso Dias. 05-2012