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Friday, July 20, 2012

Revolta no Aeroporto



Vou aqui contar e ilustar uma "história" que  fala de discriminação, de negligência e de falta de humanidade.

Era segunda-feira, dia 16 e eu estava no Aeroporto de Lisboa. Já era noite.

A dada altura apercebi-me de um enorme burburinho que foi crescendo de intensidade até se tornar numa gritaria.

Olhei para o sítio de onde vinha essa estranha exaltação e vi um grupo grande de africanos, com idosos e muitas crianças - uns 50 no total - embrulhados numa altercação com os funcionários da TAP. Dois polícias assistiam sem intervir.

Pensei que fossem angolanos... era hora de voo para Luanda.

Tinha comigo a EOS 50D com uma 18-200 e um caderno de apontamentos que sempre me acompanha.

Abordei um dos primeiros do grupo e perguntei em "angolanês" _ Qual é a Maka?

Respondeu-me em francês. Tratava-se de um grupo de cidadãos originários do Mali, a residir em Paris e que iam (pensavam eles) de férias para a sua terra.

A TAP anulou o voo, já no dia anterior, sem lhes dar qualquer satisfação credível...

Queriam mandá-los para um hotel por um tempo indeterminado (talvez dois dias, sem qualquer garantia de verem o problema resolvido). Não aceitaram, queriam uma resposta, queriam voltar para Paris... Dali não saíam.

Os funcionários da TAP não percebiam o que eles diziam e tratavam-nos com desdém "se não querem ir dormem aí !" - ouvi, várias vezes exclamarem.

As crianças iam-se entretendo mas os adultos estavam profundamente revoltados e exaltados.

Mostrei-lhes a minha solidariedade e dispus-me a ajudá-los.

Entretanto um dos polícias abordou-me "não nos pode tirar fotografias, disparou. "Bem sei, sou um cidadão informado!, retorqui.

Percebi então que me tinham tomado por um jornalista... aproveitei a deixa e desatei a fotografar enquanto tentava contactar uma estação de televisão.

Estiquei o ISO quase ao limite... Estiquei os nervos, a revolta e a vergonha de assistir a uma situação tão degradante num país que se diz civilizado.

Das estações de TV a quem falei apenas uma (a TVI) me deu uma resposta vaga "quando tivermos uma equipa disponível vamos ver o que se passa"...

Eu sabia que a presença dos media ajudaria e muito a resolver aquela injustiça e insisti.

Liguei para a TSF. Atendeu-me um conhecido jornalista a quem relatei o que se estava a passar. Finalmente alguém reagiu! Mandou de imediato um colega ao aeroporto e as coisas aparentemente ficaram resolvidas.

As pessoas acalmaram-se e chegaram a um acordo com a TAP. Não sei exactamente qual, saí de "mansinho" quando me apercebi que o queria fazer estava feito.






Fotografias: Gonçalo Afonso Dias, Lisboa 07/2012




Saturday, March 24, 2012

24 de Março de 2012


A "BOA NOTÍCIA":
Manifestantes atiram punhados de pétalas de rosas a polícias junto ao MAI 

Punhados de pétalas de rosas encarnadas foram hoje atirados na direção de dois polícias que estavam a fazer a segurança à manifestação contra a violência policial que reuniu cerca de uma centena de pessoas no Terreiro do Paço, em Lisboa.

"Obrigado pelo exemplo de profissionalismo" disse um dos ativistas dirigindo-se aos agentes da PSP presentes, numa atitude irónica para criticar a atuação policial na zona do Chiado durante a manifestação em dia de greve geral e não qual foram agredidos dois fotojornalistas.

Após "presentearem" os polícias com as pétalas de rosas ouviu-se uma salva de palmas e os manifestantes do Movimento dos Indignados gritaram em coro: "estas são as nossas armas", exibindo no ar as mãos abertas.

João Pestana, um dos ativistas do movimento disse à agência Lusa que não estava à espera de reunir uma centena de pessoas nesta ação que disse ser "espontânea e convocada entre amigos apenas quinta-feira ao final da noite".

"Fiquei ainda mais indignado", disse este membro do movimento que disse ter testemunhado a atuação da polícia dno Chiado.

Na sua opinião, os acontecimentos de quinta-feira inserem-se numa estratégia do Governo para reprimir a atividade dos grupos sociais.

"Já cortaram nos salários e nas pensões, agora querem contar nos direitos cívicos das pessoas", disse.

O encontro começou cerca das 19:30 junto ao Ministério da Administração, no Terreiro do paço, e contou com a presença de 15 polícias.


A "MÁ NOTÍCIA": 
Benfica empata 0-0 em Olhão
O Benfica empatou hoje fora com o Olhanense (0-0), no jogo de abertura da 24ª jornada da Liga portuguesa de futebol, podendo cair para o terceiro posto no final da ronda.

Veja aqui as melhores jogadas deste encontro.

Com muitas baixas entre os habituais titulares, devido a castigos e lesões, Sérgio Conceição, que viu o jogo da bancada, ainda suspenso, fez quatro alterações face ao último jogo, com destaque para a chamada de Luís Filipe, que não jogava desde outubro.

Quanto a Jorge Jesus, também operou quatro mudanças relativamente ao encontro (3-2) de terça-feira com o FC Porto, para a Taça da Liga, com o regresso de Artur, Emerson, Gaitan e Cardozo.

A primeira parte do jogo foi demasiado pobre em qualidade, com as duas equipas a exibirem-se muito abaixo das suas prestações recentes.

O sinal mais negativo coube ao Benfica, que, apesar de ter mais posse de bola, via o seu domínio de jogo redundar na incapacidade de criar desequilíbrios no ataque, sem alguém que imaginasse o seu futebol.

Friday, March 23, 2012

Portugal não é a Grécia, mas falta pouco...



A Manifestação 22 Março 2012 e a brutalidade policial

Passos Coelho, Vitor Gaspar, Paulo Portas, Álvaro Santos Pereira e a restante "cambada" que nos (des) governa enchem a boca dizendo recorrentemente que "Portugal não é a Grécia".

As imagens deste vídeo sobre a actuação violenta da polícia sobre as pessoas que ontem se manifestam mostram aos portugueses e ao mundo exactamente o contrário.

Sem mais comentários - É  só ver...



ACTUALIZAÇÃO: 2012-03-23, 20:16 h:
Como eu dizia...:

«Não temos nada a ver com a Grécia», afirma Santos Pereira 

O ministro da Economia sustentou que a violência observada na quinta-feira durante a manifestação em dia de greve geral não permite comparar Portugal com a Grécia.

«Não temos nada a ver com a Grécia. Nada. Não só porque existe um consenso social muitíssimo mais alargado, mas porque assinámos um acordo de concertação social em que o Governo, os sindicatos e as entidades patronais optaram por pôr de lado as suas diferenças e apostaram no interesse nacional», afirmou o governante no final de uma cerimónia de assinatura de vários contratos de exploração de minerais metálicos.

O ministro reforçou que Portugal está a «levar a cabo reformas com convicção, que não são reformas de papel. São reformas que têm consequências e que são muito importantes para tornar a nossa economia muito competitiva. Não temos o mínimo a ver com a Grécia», repetiu Álvaro Santos Pereira.

Sobre a greve geral, Santos Pereira afirmou que «não compete ao Governo fazer o [seu] balanço», optando por sublinhar a existência de um «consenso nacional bastante alargado de que precisamos de ultrapassar a crise e precisamos de nos unir».

De resto, «o Governo entende que o direito à greve não se põe em causa minimamente. Obviamente, não concordamos com os propósitos] da mesma», afirmou.

Claro que não amigo "Álvaro", claro que não... (GAD)