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Wednesday, August 05, 2015

O dia em que abdiquei de "querer ter razão"




"Ensaio sobre a razão"
Técnica mista sobre MDF (100x100x4cm)


Não foi há muito tempo que abdiquei de "querer ter razão" - seja no que for, trate-se do que se tratar.

Mantenho, no entanto, uma destrinça basilar entre "querer ter razão" e "ter razão" - efectivamente.

Não pretendo, neste texto, "filosofar" sobre a Razão. Já o fiz antes...

Cheguei à conclusão que "querer ter razão" é uma "seca"... É desgastante, enfadonho e não leva a lado nenhum.

Seja lá o que for essa coisa da "Razão", acredito que só o Tempo tem o "Saber" e a Equidistância para a outorgar.

Com efeito, desde esse dia - o dia em que abdiquei de querer ter razão - já não me importa ter razão em coisa nenhuma.

A minha vida tornou-se substancialmente mais simples...

Adoptei uma estratégia tão elementar como infalível: Perante qualquer situação, mais ou menos litigiosa, "ofereço de barato" a dita "Razão" à outra parte...

"Tem razão!..."

Duas palavras apenas...

"Vai à merda!" corresponde ao mesmo, mas é substancialmente mais complicado e acarreta consequências imprevisíveis...

Chamem-me, portanto, "hipócrita", "cínico" ou o que muito bem entenderem.

Direi apenas: "Tem razão!"...




Gonçalo Afonso Dias,

Cascais, 05 de Agosto de 2015


Saturday, July 28, 2012

O (Miserável) Estado da Nação


Pouco ou nada aqui tenho escrito sobre a "Actualidade Política" e sobre a situação económica e financeira que por cá vemos e vivemos.

Porque pouco ou nada há de novo para escrever - mais do mesmo...

Nos últimos dias apenas registo, sem grande espanto, a metamorfose da retórica e da postura do Sr. Primeiro-Ministro (PM), o Dr. Passos Coelho (PPC)...

Sem grande espanto, repito, pois a encenada postura de fair-play com que principiou o seu mandato era obviamente estratégica.

Revela com as recentes declarações num tom genuíno de Massamá o verdadeiro PPC...

"Que se lixem as eleições", a metáfora da "ventoinha" são apenas dois exemplos daquilo que antes afirmei.

O tom crispado, irritadiço, provocador que agora o PM evidencia no Parlamento é apenas, na minha opinião, a consequência da constatação do falhanço da sua política seguidista, despersonalizada, gratuita e quase criminosa.




Mas o pior está para vir...

O Descontentamento crescente da população - são disso bons exemplos a situação dos professores com "Horário Zero" e as manifestações contra o "Novo Mapa Autárquico", as vaias que se multiplicam sempre que "aparece um governante" - depois mal digeridas pelos "homens do poder e relativizadas com o argumento obsoleto de que se trata de manifestações orquestradas - não escapam com toda a certeza a quem nos observa de longe.

As evidência, como a de, este ano, já 3000 alunos do Ensino Profissional terem desistido de estudar por não terem como pagar as propinas, o desemprego crescente e assustador, a total ausência de uma política séria, abrangente e transversal de apoio às Pequenas e Médias Empresas que todos os dias fecham as portas às centenas parecem não perturbar a postura intolerante e totalitária de Passos Coelho.

Um Primeiro-Ministro esvaziado de conteúdo, impreparado, sem a experiência de vida - tão importante quando se decide o futuro de pessoas - notoriamente inculto e vagamente burgesso... Um executivo que parece um "jardim-escola", constituído também, à imagem do líder e que padece dos mesmos vícios e das mesmas insuficiências, da mesma imaturidade política, da mesma inexperiência e do mesmo grau - uma consequência, claramente do que antes afirmei - de incompetência.



Um "rapazito" hipócrita que com um descaramento olímpico e uma demagogia refinada afirma que está a "Salvar a Nação"... revelador e sintomático de uma ideologia que roça o fascismo.

O facto de o CDS de Paulo Portas começar a dar sinais de rotura com o PSD e consequentemente com PPC, é um sinal que não se deve desprezar de uma instabilidade crescente e preocupante ma maioria governamental com consequências previsíveis para Portugal e para os portugueses.

Não há, comprova-se, quem ature este PM... À esquerda e já nem à Direita...

No "Meio" o Partido Socialista arrasta-se... ao ritmo empastelado e amorfo de António José Seguro. Entre a espada e a parede, comprometido com o acordo que subscreveu com a Troika, arrependido, titubeante e politicamente mal dirigido por outro político "de calções" que não sabe o que fazer ao "menino que tem nas mãos"...

A olhar por cima, para toda esta miséria, continua um Presidente da República, comprometido com o PSD, incoerente, infeliz nas suas intervenções, incapaz de defender os portugueses - a sua maior obrigação - inexistente mesmo...

E assim caminha Portugal para um abismo onde encontrará a Grécia...

Assim continuam os portugueses a sufocar sob a tortura sádica deste governo materializada em leis e diplomas desumanos, ineficazes, contraproducentes.

Até quando este povo irá manter a tradicional postura de resignação e de inércia? Julgo que é apenas uma questão de tempo. E não me parece que se trate de muito tempo...

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Como o rapazinho mudou e engordou...



(Fotografia retirada da Net)

Thursday, June 21, 2012

Crise faz Portugal perder 300 milionários em 2011 e...Por outro lado...


Crise faz Portugal perder 300 milionários em 2011

Alexandra Brito
20/06/12 00:05

Estudo “World Wealth Report 2012” da Capgemini revela que a crise também afecta o património dos mais ricos.

No ano em que Portugal teve de ser resgatado pelas autoridades internacionais, o País perdeu 300 milionários. Um dado que representa uma quebra de 2,8% face ao número de portugueses com património mais elevado registado em 2010: na altura eram 10.700.

Os números fazem parte do estudo anual elaborado pela Capgemini, intitulado "World Wealth Report 2012". Para este estudo são tidos em conta os indivíduos com um património disponível para investir acima de um milhão de dólares. Todos os outros activos: como casas, carros, jóias ou obras de arte não são contabilizados. Além de acompanhar a evolução do número de milionários a nível mundial, o estudo monitoriza também a evolução do seu património e as classes de activos preferidas dos milionários para investir.

Os números da última edição do estudo, ontem divulgado, mostram como nem mesmo os mais ricos conseguiram fintar os efeitos da crise. Em Portugal, o número de milionários recuou 2,8% para os 10.400. A queda dos preços do imobiliários - no valor de 7,8% no ano passado-, a redução da capitalização bolsista do PSI 20 e a contracção do PIB foram os factores que, segundo a Capgemini, mais contribuíram para a inibição da riqueza em Portugal.


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(Desenho: Gonçalo Afonso Dias)
(GAD)
Por outro lado...
Esta notícia da redução significativa de milionários em Portugal, num contexto de crise económica e de austeridade cega tem com certeza da parte da maioria dos portugueses uma reacção primária mas compreensível: "tadinhos!...a pena que eu tenho deles..." ou coisas parecidas.
Analisando a notícia noutra óptica, abdicando dessa retórica vagamente marxista, a notícia é, de facto má.
Afinal, se pensarmos bem, quem cria emprego e gera riqueza em qualquer economia? Os pobres e/ou os remediados? A resposta é, claro, - Não!
Nesse sentido, o desabafo que me ocorre, é qualquer coisa do género: "até já toca aos ricos..."
Não é preciso ser rico para chegar a essa conclusão. Numa altura em que o acelerado empobrecimento da classe média portuguesa tem tido como consequência o aumento do desemprego para valores nunca vistos por cá, numa altura em que todos nós sofremos, de alguma maneira, as consequências da política liberal deste governo, numa altura em que poucos haverá que não têm ninguém da sua família ou das suas relações no desemprego ou a "fazer as malas", todas as notícias são tendencialmente más. Até essa.

Wednesday, January 18, 2012

A (des) Concertação social a tinta permanente / The social consultation (dis)agreement in permanent ink



O Acordo de Concertação Social  será, sem dúvida, um dos acontecimentos políticos mais relevantes deste ano.



Thee social consultation agreement will be, without a doubt, on of the most relevant political events of this year.

Sobre o conteúdo desse "acordo" muito já se disse (de um lado e do outro).



About the contents of this "agreement" much as been said (from one side and the other).

Na minha opinião, para além do evidente retrocesso que daí resultou para os direitos e garantias dos trabalhadores, há um facto que merece alguma reflexão - a reaproximação da UGT à política devastadora (para os trabalhadores e para os portugueses, em geral) e, consequentemente, o seu explícito (descarado) distanciamento da CGTP.



In my opinion, apart from the evident step back from there resulted for the rights and guarantees of the workers, there is a fact that diserves some discussion - the reapproximation of the UGT to the devastating politics (for the workers and portuguese people, in general) and, consequently, it's increasing detachement to the CGTP

As declarações inusitadas e desproporcionadas de João Proença (o líder da central sindical afecta ao PS e, agora [?] ao PSD abriram, de novo, o fosso histórico existente entre as duas maiores organizações sindicalistas deste país.



The outrageous and disproportionate declarations by João Procença (the leader of UGT affect to the PS and, now [?] to the PS) opened, again, the historical pit between the two bigger sindicalist organizations of this country

João Proença (JP), líder da UGT, já vinha dando sinais (numa entrevista ao Sol, por ex) de algum desconforto e/ou arrependimento por se ter, de algum modo, colado a Carvalho da Silva nomeadamente aquando da Greve Geral de Novembro de 2011.


João Proença (JP), leader of the UGT, was already giving signals (in an interview to Sol, for example) of some discomfort and/or regret for having, in a way, pasted to Carvalho da Silva namely when the National Strike of November 2011 happened.

(JP) aproveitou a conjuntura das negociações que precederam o referido acordo para se demarcar e voltar ao ambíguo lugar onde sempre "morou" e onde mora o Partido Socialista.

(JP) took the juncture of the negotiations preceding the agreement to demarcate himself and return to the ambiguous place ever he ever "lived" and where the Socialist Party lives

Julgo mesmo que essa foi a mais grave consequência resultante das negociações que a CGTP (dignamente) abandonou.


I actually think that it was the worst consquence resulting from the negotiations that the CGTP worthily abandoned.

Diga-se o que se quiser do Partido Comunista (e há muito para dizer...) uma coisa é certa - defende implacavelmente e coerentemente o seu eleitorado de base : os trabalhadores, os operários, os desfavorecidos.



You can say many things about the Comunist Party (and there's a lot to say ...) but one thing is certain - it defends relentlessly and consistently it's base electorate: the workers, and the disadvantaged.

Prevejo (é fácil...) que em breve, a contestação social, apoiada pela enorme, experiente e eficaz "máquina" da CGTP, venha a manifestar-se de um modo mais expressivo, abrangente e, certamente mais contundente.


I predict (it's easy...) that soon, the docial contestation, supported by the huge, experient and effective "machine" of the CGTP, will manifestate itself in a more expressive, comprehensive and, cetainly more bruising.

Se analisarmos com alguma ponderação e equidistância o resultado do Acordo, percebemos facilmente que há dois vencedores - O Governo e os Patrões.


If we analyse with some ponderations and equidistance the result of the agreement, we easily realize there are two winners - The Governement and the Bosses.

Quando assim é o aumento da conflitualidade social é uma consequência previsível, lógica.



If so, the increase of the social conflicts are a predictable consequence, logic.


Gonçalo Afonso Dias (architect)
Translation: Tiago Afonso Dias






O acordo entre o Governo e os parceiros sociais foi alcançado após 17 horas de reunião. Menos férias e mais restrições nos despedimentos, foram algumas das medidas acordadas.

As indemnizações só descem no mês de novembro.

O Governo tinha acordado, quando assinou o memorando com a troika, reduzir as compensações por despedimento dos trabalhadores com contrato assinado antes de novembro de 2011, em linha com as regras já praticadas nos contratos posteriores (e que dão direito apenas a 20 dias de salário por ano de casa).

As indemnizações por despedimento também vão baixar nos casos em que o trabalhador pede a resolução do contrato com justa causa, devido a incumprimento da empresa.

A atual compensação é de 15 a 45 dias de salário anual, o mesmo que se aplica no despedimento sem justa causa. O corte das compensações nestes casos não está abrangido nas novas regras que já se aplicam aos contratos a partir de novembro de 2011.

O Executivo promete, ainda, uma proposta para criar o fundo de despedimentos até ao verão.

Os três dias extra de férias que hoje existem ligados à assiduidade serão eliminados, o que reduz o tempo máximo de férias para 22 dias. Mas só a partir de 2013, face ao período de trabalho do ano anterior. Também serão cortados quatro feriados.

Quando o trabalhador faltar num dia anterior ou posterior a um dia de descanso ou feriado vai perder também a retribuição desse dia de descanso. E isto também acontece quando o trabalhador só falta meio dia.

O Governo pretende alargar o acréscimo de horas extra que podem ser trabalhadas em regime de bancos de horas fixados em contratação coletiva, para 250 horas (face às atuais 200). No caso de acordo direto o acréscimo anual pode ser de 150 horas e não 100 como apontado até agora.

Os desempregados que aceitem um emprego com um salário inferior ao valor do subsídio poderão acumular, em certas condições, a retribuição com 50% do subsídio nos primeiros seis meses (até certo limite) e 25% nos seis meses seguintes.


CGTP abandona concertação social e diz que texto que está a ser discutido é "chocante"

ECONOMIA
O secretário-geral da CGTP abandonou a reunião da concertação social. Carvalho da Silva diz que o texto que está a ser discutido representa o maior retrocesso de sempre em termos sociais e laborais em Portugal.









Desenhos: Gonçalo Afonso dias. Janeiro 2010

Tuesday, December 06, 2011

A polémica sobre a Igreja de S. Francisco Xavier no Restelo - Pretensão e Mediocridade na Crítica de Arquitectura. (With English Translation)





"A arquitetura, boa ou má, representa sempre um momento de procura e esperança profissional quando um arquiteto a elabora. E isso, a meu ver, deve ser respeitado. Criticar um colega é para mim pretensão e mediocridade."
(Oscar Niemeyer)

Pretensão e Mediocridade. A citação de Oscar Niemeyer, sobre a Crítica de Arquitectura,  pareceu-me uma  introdução adequada à finalidade deste texto a propósito da recentemente inaugurada Igreja de S. Francisco Xavier, no Restelo,  projecto da autoria do arquitecto Troufa Real.

Em Portugal Crítica é sinónimo de Maledicência. Na sociedade, na política, na arte e particularmente na Arquitectura.
Não existe uma tradição de crítica séria, fundamentada e objectiva. Por outro lado, a abordagem aos projectos e/ou às obras de maior impacto (quer pela singularidade dos programa, quer pela escala dos edifícios) é, à partida, uma abordagem inquinada por preconceitos, pelos "amores" ou "ódios" aos seus autores e focada essencialmente na expressão plástica das obras (vulgo aspecto exterior).
Portanto, é perversa, vazia, extemporânea. Em suma, inútil.

A polémica é saudável quando não é tardia. A crítica é positiva quando é frontal e construtiva.
Os grandes projectos deveriam envolver as populações, não no sentido de limitar ou condicionar a liberdade criativa dos seus autores, mas num sentido de participação cívica, de discussão pública. Seria com certeza uma mais valia para os arquitectos e para as suas obras.

A polémica que frequentemente se gera (e se alimenta nos media) em torno de uma ideia ou de uma obra de maior impacto não é acompanhada por qualquer iniciativa pedagógica (isenta) da Ordem dos Arquitectos (O-A), instituição que estatutariamente "representa a profissão do arquitecto e regula o respectivo exercício em Portugal".
As poucas iniciativas de que me recordo foram infelizes e serviram basicamente interesses de lobbys mais ou menos organizados (Os casos dos Contentores do Porto de Lisboa ou do Novo Museu dos Coches, por exº.). Acresce que, a (O-A) tem vindo, ao longo dos anos, e independentemente de quem a dirige, a discriminar negativamente os arquitectos. Há uma pequena elite de arquitectos "protegidos" enquanto muitos outros (Troufa Real é disso um paradigma) são ignorados, silenciados, proscritos.


Img -1 (Fotomontagem com a torre que ficou por construir)

Quanto à  Nova Igreja: recuso-me, evidentemente, a alinhar no plano da crítica sem elevação, normalmente limitada a questões de gosto, simplistas e esquemáticas (o "Gosto" e o "Não Gosto"...). Não vou, também, fazer aqui uma dissertação teórica sobre  Arquitectura Religiosa Contemporânea, as suas motivações e os seus simbolismos. É um tema apaixonante, matéria largamente estudada e suficientemente documentada.

Não sou religioso mas tenho "Fé". As igrejas sempre me apaixonaram, muito antes de ser arquitecto. Mais do que em qualquer outro lugar é nas igrejas que encontro o verdadeiro significado de Espaço, de Luz e de Espiritualidade (como dimensão da condição humana e não bem exclusivo da Igreja, enquanto instituição ou de uma Religião em concreto). Nesse sentido, entendo que a "Igreja Caravela" pensada e desenhada por Troufa Real é exemplar e reflecte plenamente essa Dimensão Espiritual da arquitectura.



Simpatizo com o "objecto" enquanto forma de expressão surrealista (tenho pena que a torre não tenha sido construída), plena de simbolismo, artístico, autêntico, pessoal e coerente. As polémicas têm um prazo de validade. As grandes obras não. 
A polémica é vulgarmente suscitada pela "novidade". A memória é curta. As Amoreiras, o CCB, a Casa da Música,  foram, no seu tempo, polémicas. Hoje, não sendo consensuais (e ainda bem), estão assimiladas pelas cidades e pela generalidade dos cidadãos.

Fora de Portugal, não faltam também, exemplos de obras que revolucionaram cidades e mentalidades e que, pela sua originalidade, fazem já parte da Memória Colectiva e da História da Arquitectura Contemporânea.

















The controversy over the S. Francisco Xavier Church in Restelo - Pretension and mediocrity on Architecture Criticism


"Architecture, good or bad, always represents a moment of search and professional hope when created by an architect. And that, in my view, should be respected. Criticizing a colleague is, in my opinion, pretension and mediocrity"

(Oscar Niemeyer)

Pretension and mediocrity. Oscar Niemeyer's citation, about Arquitecture critique, seemed like an adequate introduction to the finality of this text about the recently opened S. Francisco Xavier Church, in Restelo, project by the architect Troufa Real.

In Portugal, Criticism is a synonim of calumnia. In society, politics, arts and mostly Arquitecture.
There is no tradition of a serious, justified and objective criticism. On the other hand, the approach to projects and / or the works of greatest impact (either by the singularity of the program, either by the scale of the buildings) is, in principle, an approach vitiated by prejudice, by "love" or "hate" their authors and mainly focused on the works of artistic expression.
Therefore, it is perverse, empty, out of time. In short, useless.

Controversy is healthy when it isn't late. The criticism is positive when it is frontal and constructive.

Major projects should involve people, not in a sense of limiting or restricting the creative freedom of their authors, but a sense of civic participation, public discussion. It would certainly be an asset to the architects and their works.



The controversy that often generates (and feeds the media) around an idea or a work of greater impact is not accompanied by any educational initiative (free) of the Order of Architects (O-A), an institution that "represents the profession of the architect and regulates the practice in Portugal."



The few initiatives that I remember were unfortunate and served primarily the interests of lobbies more or less organized (The cases of the containers from the Port of Lisbon or the New Museum of Carriages, for example). Moreover, the (O-A) has, over the years, and regardless of who directs it, to discriminate negatively architects. There is a small elite of architects "protected" while many others (Troufa Real it is a paradigm) are ignored, silenced, proscribed.





About the New Church: I obviously refuse, to endorse the plan of criticism without elevation, usually limited to a simplistic and esquematic sense of taste (The “Like” and “Dislike”...). I am not going to make a theoric dissertation about Contemporary Religious Architecture, it's motivations and symbolisms. It is an enthralling subject, widely studied and sufficiently documented.





I am not religious but I have “Faith”. I have always been passionate about churches, long before I was an architect. More than anywhere else, churches are where I find the true meaning of space, light and sprituality (as a dimension of the human condition and not exclusive good of the Church as an institution or any specific religion). In that sense, I understand that the “Caravel Church”, thought and designed by Troufa Real is exemplary and fully reflects that Spiritual Dimension of architecture.

I simpathise with the “object” as a fom of surrealistic expression (It is a pity that the tower wasn't built), filled with simbolism, artistic, autenthic, personal and coherent.
Controversy is commonly raised by the “novelty”. The memory is short. The Amoreiras, the CCB, The Casa da Música, were, in their time, controversial. Today, even (thankfully) not being consensual, are assimilated by the cities and majority of citizens.

Outside of Portugal, there are a lot of examples of works that revolutionalized cities and mentalities and that, by their originality, are already a part of the Collective Memory and History of Contemporary Architecture.




img 1: (Photomontage with the tower)


img 2: (Bilbao Guggenheim Museum, Spain, Bilbao)


img 3: (Oscar Niemeyer Museum, Curitiba, Brasil)


img 4: (New Metrepolis, Amstardam, Holand)


img -5: (“Dancing House”, Plague, Czech Republic)




Gonçalo Afonso Dias (architect)


Translation: Tiago Afonso Dias

http://goncaload-artes.blogspot.com/2008/10/propsito-de-contentores-e-do-porto-de.html

Wednesday, November 30, 2011

O Fado Maior - Uma questão de Lógica



O Fado é agora Património Imaterial da Humanidade.
Eu gosto de Fado. Do Fado "puro e duro", cantado e celebrado nas "tascas", nos restaurantes e nas Casas de Fado, por gente conhecida ou anónima, muitas vezes "à desgarrada".



Aí o Fado é genuíno, o ambiente é vibrante e, sobretudo, divertido.


As distinções e/ ou os prémios internacionais valem o que valem... 
Concordo com a fadista Ana Moura; O Fado já é, há muito, um património da humanidade, (...) A fadista Ana Moura admitiu à Lusa que o reconhecimento do fado como Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO vai dar-lhe uma nova visibilidade, mas defendeu que «o Fado sempre foi património da Humanidade». (...)  assim como sempre foi um património português e, genuinamente lisboeta.


Gosto de Fado, mas prezo sobretudo a Cultura.
Entendo que a política, como quase tudo na vida, deve ter uma lógica. Uma lógica que, em filosofia, é conhecida: Do Geral para o Particular.
A cultura deve ser entendida como um todo. O fado, o Cinema, o Teatro, a Música, a Fotografia, as Artes Plásticas, etc. pertencem, nessa lógica, ao domínio do "particular". Juntas são o "Todo", o "Geral".


Nesse sentido, custa-me a entender que, num país onde a Cultura está no fim da Lista de Prioridades do Governo, em que tem sido sistematicamente desprezada e progressivamente asfixiada, se tenha investido numa candidatura (que vale o que vale, repito) onde se gastou muito dinheiro e muito dinheiro se vai gastar muito mais nos próximos 4 anos: (...) Catarina Vaz Pinto, vereadora da Cultura da capital, explica ao DN que a promoção do fado no exterior custou cerca de 300 mil euros e que, ao longo dos quatro anos que dura o plano de salvaguarda da canção de Lisboa, será investido um milhão e 200 mil euros, metade do que argentinos gastaram com idêntica candidatura do tango e muito menos do que aquilo que espanhóis investiram na defesa do sua dança.(...)


Num país onde as Companhias Independentes de Teatro estão, por via das medidas de austeridade impostas pelo Orçamento de Estado (O-E) para 2012, (hoje aprovado pela Assembleia da República) confrontadas com um corte de 38% nos parcos subsídios com que têm sobrevivido. O maior, mais prestigiado e internacional dos nossos festivais de teatro - O Festival de teatro de Almada - está em risco de colapso. 
Num país onde os mais notáveis actores, agora aposentados, sobrevivem com pensões de miséria.


Num país onde, todos os dias, dezenas de estudantes universitários abandonam os seus cursos superiores, em muitos casos já no último ano do Licenciamento, por não terem como pagar as suas propinas.
Num país onde a mais antiga Universidade, e uma das mais prestigiadas da Europa - a Universidade de Coimbra - está em risco de não resistir aos cortes e restrições do referido (O-E) e de, pura e simplesmente se ver obrigada a "fechar as portas" em 2013.


Num país que assiste presentemente à maior "fuga de cérebros" para todo o mundo, onde encontram condições para trabalhar, investigar e progredir.
Num país onde, este ano, mais de 40% dos arquitectos estão desempregados, ou na eminência de assim ficarem.


Volto à questão da lógica... Não há. Na cultura como na Educação, como em todas as outras áreas da governação. Assistimos a um "cortar a direito", sem atender às especificidades e particularidades daquilo que selvaticamente se amputa; Direitos, Liberdades e Garantias consagrados na Constituição.


Os nossos governantes apressaram-se, em declarações públicas, (hilariantes se não fossem tristemente reveladoras), a realçar o enorme feito, numa unanimidade que a mim me faz desconfiar. Tal como me afligem todas as unanimidades "Toda a unanimidade carece de criatividade" (Ediel)
A questão essencial, quanto a mim, é a de saber o que ganhou, de facto e hipocrisias à parte, a nossa cultura com essa distinção. Provincianamente, os referidos governantes enaltecem as vantagens para o Turismo. Esquecem-se, ou nunca foram aos locais onde se canta o Fado, que aquelas pessoas que lhe dão nome sobrevivem também. Esquecem-se, ou não lhes interessa, que, agora mais do que nunca, esses locais estão a ser condenados à falência e os artistas à emigração.


Acabo como comecei. Gosto de Fado. 
O que não aceito é que nos queiram transformar em figurantes mudos de um Fado Maior;
Onde, no lugar de músicos temos agora tecnocratas.
Onde, no lugar de um público autêntico, conhecedor e entusiasta, se pretendam turistas mais ou menos endinheirados.
Onde, no lugar de autores e intérpretes temos agora ministros e Secretários de Estado.
Onde, no lugar de letras inspiradas, de poemas sentidos, temas agora as regras da Troika e os diplomas do (mal)dito Orçamento de estado.


Não tem lógica.



(...) Se tendermos a identificar o estado de direito à democracia na medida em que a lei é o produto de um parlamento representativo, a elaboração quase contratual da lei com os grupos de interesse contradiz-se com a noção de lei como expressão da vontade geral, ou mesmo, se assim desejarmos, da maioria dos cidadãos.
Por outro lado, a atribuição à vontade geral ou a uma maioria dos cidadãos torna-se uma ficção cada vez mais difícil de aceitar.
As negociações comportam a redução da transparência da lei e a perda da publicidade e da sua produção que a visão liberal da lei considerava importante. (...)


(PITKIN, 1985, P. 188)



Saturday, November 26, 2011

Greve Geral - Foram muitos... e alguns os que ficaram muito desapontados...

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Novos, velhos, trabalhadores, desempregados, reformados, indignados.
Foram também muitos, sem dúvida, os que ficaram profundamente desapontados. Porque queriam ver Portugal a arder, como aconteceu e acontece na Grécia e em outros países em convulsão.
Os incidentes pontuais que ocorreram em frente à Assembleia da República não debilitaram, em nada, o notável civismo e o espírito democrático do protesto de ontem.
Por explicar ficam as motivações dos poucos agitadores que tentaram, sem êxito, incendiar os ânimos dando, desse modo, o mote para o início de uma convulsão social descontrolada e com efeitos imprevisíveis.

Portugal não está livre de assistir a esse fenómeno contagioso. A Greve Geral pretendia, e conseguiu, unir e sensibilizar muitos milhares de portugueses para as grandes questões sociais e económicas que o Orçamento de Estado para 2012 levanta. Por outro lado, como em todos os protestos dessa dimensão, mostrou a força de um povo indignado e revoltado procurando, através do sindicalismo, abrir caminho para a negociação das medidas selvagens que atingem duramente toda a classe trabalhadora. Negociação que o governo de Passos Coelho recusa metodicamente, ostentando uma pose totalitarista, arrogante, digna de uma ditadura.

Não é preciso estar muito atento para perceber indícios de uma movimentação contra a democracia, que se tem, desde há algum tempo notando um pouco por todo o lado.


Em declarações avulsas ou de pessoas com responsabilidades e com o dever de respeitar o rumo da História, como foi o caso da autêntica provocação feita por Otelo Saraiva de Carvalho quando recentemente incitou criminosamente as Forças Armadas para um Golpe de Estado.
Na internet, com a divulgação e ameaças de um auto-denominado "Grupo 30 de Novembro".

Recentemente (não há coincidências) denunciei aqui uma ameaça que me foi dirigida via "Braganza Mothers" por um individuo que se apresenta como "O militar que também alinha" em que referia, precisamente, o dia 30 de Novembro como a data em que "iriam pôr ordem nesta choldra"...



Mencionei também, nesse post, o facto de esse indivíduo utilizar (ilegitimamente?! - já não sei e explico porquê***) a página oficial do site do Corpo de Fuzileiros como fundo do seu site pessoal.
Já tenho dúvidas em relação à referida legitimidade dessa apropriação para fins ilícitos.


***Na dúvida, denunciei o facto no próprio site do Corpo de Fuzileiros, num espaço dirigido a "Reclamações e Sugestões". Dirigi o e-mail/denúncia/reclamação (o que lhe quiserem chamar) ao Comandante desse organismo do exército e, estranhamente, não recebi qualquer resposta ou esclarecimento.


Estranhamente também, o dito "militar" continua on-line, com o mesmo perfil, usando o referido site. Estranho. Muito estranho mesmo...
Ou talvez não.
As autoridades portuguesas parecem não dar a devida importância, nem ter a atenção que têm outros países, em relação à utilização da internet como veículo privilegiado para a divulgação e mobilização de actividades criminosas.

Otelo ficou impune. Mário Soares branqueou hoje as declarações  golpistas de Saraiva de Carvalho com um paternalismo confrangedor (...) diz uns disparates mas tem bom coração.(...). Pois...






Thursday, October 14, 2010

Monday, October 11, 2010

Verdade ou o Oportunismo dos Media ?. Provavelmente as duas coisas...



Desde o passado dia 5 de Agosto, data em que os 33 mineiros ficaram soterrados na Mina de San José, Chile) que à superfície se montou um autêntico "circo mediático" .
A comunicação estabelecida com os mineiros trouxe ao Mundo sucessivas imagens e palavras de esperança, confiança, e sobretudo de uma incrível coragem.

Desde o início que tento imaginar o estado emocional daqueles homens a viver uma experiência tremenda, num espaço reduzido, no limite da resistência e da dignidade humana.
Vi e ouvi com desconfiança as noticias que se sucederam, porque sei, que um contexto como aquele, é propício à depressão e à instabilidade emocional que conduz a uma crescente irracionalidade e a uma decorrente degradação da capacidade individual de relativizar o medo.

Também me parecia evidente que no grupo se teria gerado espontaneamente um "Líder", condição natural, tanto entre os humanos como nos restantes animais - a "Lei do mais forte" acaba por se impor.
E, tanto quanto se sabe agora, esse líder tem nome - Luís Urzúa.

A progressão extraordinária dos trabalhos para o resgate (inicialmente previsto para o Natal) e os riscos que envolviam e envolvem essa iminente operação trazem agora notícias alarmistas, especulativas, numa manipulação descarada que, perante um final prematuro do "filão chileno", empolgam agora os riscos e os alegados desentendimentos entre os mineiros nomeadamente quanto à "ordem de saída" do "buraco".
Como se essa questão não tivesse sido anteriormente estudada, discutida com os interessados, debatida multidisciplinarmente (engenheiros, psicólogos, psiquiatras, etc.).
Parece-me, para acabar, que estamos perante uma encenação que nada tem a ver com os sentimentos e a realidade daqueles homens óbviamente fragilizados, mas antes com os interesses e o pragmatismo cruel e abutre da rentabilização da notícia.
Prevejo um "directo" que se prolongará até à saída do último homem, com muitas entrevistas, comentários e "pareceres" da outra "fauna" recorrente que são os comentadores de ocasião.

Tudo acabará bem, como nos filmes
.
Depois, à medida que "a notícia" for perdendo a intensidade e o "cheiro a morte" virá o esquecimento e os "Heróis de San José" passarão à História. Sózinhos.

(Fonte: Reuters - Infografia JN)


Thursday, October 07, 2010

Tiririca e outros Palhaços que não se vestem como ele.

" Tiririca", Foto: Net
As recentes eleições Presidenciais no Brasil deixaram o mundo e particularmente os políticos estupefactos com o fenómeno da popularidade (traduzida em votos - mais de 1 milhão) do candidato e eleito deputado"Palhaço Tiririca", alegadamente iletrado, pretexto para que agora seja posta em causa a validade da sua "palhaçada".
É, para mim, evidente, que Tiririca é já há muito um homem popular e querido entre os seus concidadãos no Rio de Janeiro, popularidade conquistada pela proximidade e pela empatia que gera entre essas pessoas.
Tiririca é evidentemente um homem inteligente que satiriza, no fundo os políticos que, não se vestindo de palhaços o são aos olhos de toda a gente.
Satiriza a classe politica repleta de títulos académicos e distinções importantes mas que agem e reagem com um profundo desconhecimento das necessidades e das prioridades de quem os elege.

Palhaço Português. (Foto: Gad, 2004 - post "O Circo, 19-02-2009)

Em Portugal observamos presentemente uma autêntica Palhaçada que tem como protagonistas o Primeiro-ministro (P.M.) e o líder do maior partido da Oposição (P.C.), qual Claudinei & Batatinha...
A aprovação ou não do Orçamento de Estado é, e será com mais intensidade nos próximos tempos, o cenário preferencial para a actuação desses "artistas".
O (P.M.) agita-se no palco, desfazendo-se em números ridículos para conquistar ao público os aplausos de que tanto depende para (sobre) viver...
(P.C.) é o "Palhaço Mau"... Gira em volta de (P.M.) dando-lhe, volta e meia, uma martelada na cabeça, seguida de um exagerado "aperto de mão", empatando aparentemente com seu parceiro no nº e intensidade dos aplausos.
Como é evidente acho notável, mas simultaneamente decadente e impróprio para a credibilidade e funcionamento da Democracia, o fenómeno "Tiririca".
Do mesmo modo que vejo com profundo desgosto e crescente preocupação a actuação, em Portugal da Classe Politica nomeadamente a da "dupla do momento" (P.M / P.C.).

Wednesday, August 11, 2010

Provável Inquilino

Fotografia: Gad. Rua Stª Catarina, Porto, 2010

Ao percorrer as mais antigas e históricas ruas das nossas cidades e vilas constata-se o estado de decadência, de abandono e de risco de grande parte dos edifícios de habitação, sobretudo privados aí localizados, em locais nobres. As razões são por demais conhecidas, as motivações dos donos também... O que já não é admissível é a negligência das Câmaras Municipais e das autoridades que, tendo ao seu dispor uma legislação implacável (obras compulsivas, por ex.) permanecem impunes, negligentes até. "De vez em quando", sem motivo aparente, na calada da noite, surge mais um incêndio... "A casa vai abaixo", os bombeiros fazem o seu papel, os autarcas - solidários com os desalojados mostram-se transtornados e repetem as promessas apropriadas para a ocasião.
As cidades e os cidadãos perdem o seu património, o seu passado, os desalojados perdem-se no enredo das promessas de gabinete, perdemos todos um pouco da nossa identidade. Quase todos. Porque há quem não a tenha.

Saturday, August 07, 2010

Tolerância 0




(...) mais do que o descarado olhar de escárnio da senhora, impressiona-me a postura e a expressão do homem ... desolado, de olhar perdido no chão, vergado pelo peso de tantos e tantos olhares (só olhares?) como esse. Julgo que é apenas mais uma demonstração da intolerância e do atraso que caracteriza as nossas grandes cidades e noutra escala o nosso País. Ser Cosmopolita, abraçar com alegria as diferenças culturais, as escolhas (sejam elas de que natureza forem) é algo que talvez os meus filhos ainda possam vir a viver... Por enquanto, quem pode dá um "salto" a Londres, a NY, ou até a Barcelona.(...)
Gad, 2010

Tuesday, August 03, 2010

Ao "MAZUNGUE.COM"


Quem tenha lido a edição de 15 de Maio de 2010 do V.Blogue e visto as fotografias que ilustram os respectivos textos ficaria com a ideia que Gonçalo Afonso Dias é um digno colaborador ou freelancer do Jornal de Angola.
Editar fotografias de autor limitando-se apenas a referir o seu nome é, infelizmente uma prática cada vez mais corrente em sites, blogues ou edições mais ou menos marginais.
Os direitos de autor não deixam de ser lesados pela simples transcrição de um nome.
Por isso, mesmo sendo insuficiente, é comum "linkar" esse nome ao sítio original de onde foi retirada a fotografia.
Mas, neste caso, e reportando-me à primeira imagem (a das crianças) devo dizer-lhe que tenho motivos para ficar duplamente incomodado; O texto fala de dança e, no caso da captação dessa foto quem dançou fui eu... Acontece que os kandengues estavam junto a casa, na proximidade do Comando da Polícia. Acontece que alguém foi dizer à polícia que estava um branco a tirar fotografias das crianças mal vestidas ou sem roupa para levar para a "Tuga" (provavelmente para denegrir a imagem de Angola). Acontece que fui detido, foi-me retirado o passaporte e fui conduzido ao Comandante onde passei largos momentos a que já me vou habituando. Acontece também que sou cidadão angolano, conhecedor dos meus deveres e dos meus direitos e a "coisa" resolveu-se a bem.
Talvez fosse uma história interessante para, quem sabe, um dia, publicar no vosso espaço.
Quanto às fotografias, de futuro, terei o maior prazer em cedê-las. Bastará para isso pedirem e seguirem os procedimentos adequados .
Com os meus melhores cumprimentos,
Gonçalo Afonso Dias

Friday, July 09, 2010

O Centro Histórico de Oeiras é um deserto.

Para além de algumas (tímidas) acções de reabilitação de velhos edifícios para conversão em programas sociais e da mais que discutível reabilitação e ampliação do Palácio do Egipto (de reabilitação tem muito pouco - trata-se sobretudo de uma construção repleta de maneirismos pseudo-contemporâneos e de legitimidade legal (volto aos concursos públicos...) abstracta - "ele há um gabinete na Câmara Municipal de Oeiras (C.M.O.) que por sua vez subempreita alegadamente "grandes nomes" da nossa praça para "coordenar" os seus projectos importantes, aquilo que se pode constatar é um Casco antigo envelhecido, degradado, onde a partir das 23:00 horas não há vida.
Faltam ideias, falta vontade politica, falta um pouco de tudo.
Na avenida principal, a Cândido dos Reis, onde se concentra a maioria do pequeno comércio, a decadência é confrangedora. Lojas fechadas ou a agonizar, degradadas, a sobreviver com todas as dificuldades.
A "vida nocturna", que aqui teria, sob regras relativamente simples, condições excepcionais - esplanadas junto à Igreja, no largo 5 de Outubro, nas ruas periféricas, nos recantos antigos - não existe porque a C.M.O. "não deixa"...
Faltam ideias, falta cultura, falta conhecimento de outras realidades, noutros países.




Fotografia: Gad. Oeiras, 2010


Mas quero falar das pessoas. Sobretudo das pessoas, tendo como mote o Francisco que conheci há bem pouco tempo, na "troca" de um cigarro por um retrato;
O Francisco é Angolano mas (sobre) vive por aqui. Vende "buzios-da-sorte" na rua mas pinta, desenha e faz escultura. Não tem é dinheiro para os materiais nem tão pouco espaço para trabalhar ou expor.
Mas antes do Francisco conheci outros como ele. O Mário, pintor e desenhador, sonhador que vive praticamente na miséria porque não consegue um espaço para vender o seu trabalho. E muitos outros de muitas outras áreas da cultura haverá que não se vêm por causa da cegueira e do vazio de ideias de quem, nos seus gabinetes só vê números e só responde ao chefe.
Estivesse eu na Cultura desta (C.M.O.) e, tirava esta gente da rua. Dava-lhes uma oportunidade. Alugava um espaço - está, por ex. para alugar um armazém fantástico na Rua febus Moniz (ao lado dos "Netos"). Investia pouco e propunha responsabilidade e disciplina. Criava assim um atelier livre, ligado a um verdadeiro Projecto Social bem organizado e bem orientado. Dava lugar à Cultura, ocupava espaços "mortos" do centro Histórico mas sobretudo valorizava a Inteligência Política e a verdadeira solidariedade social.

Um Povo com medo - um País doente





Ontem dei um passeio a pé pelo centro de Oeiras para fazer fotografia. A certa altura deparei-me com uma cena que me interessou, em pleno centro histórico; um homem descarregava sacos de cimento para o interior de uma velha casa, a partir de uma camioneta de caixa aberta encostada à janela. Fiz a primeira fotografia e logo o senhor, brasileiro, percebi então, pediu desculpa e perguntou-me se estava ali mal, etc, etc...
Respondi-lhe que não era um polícia mas sim um fotógrafo e pedi-lhe para lhe fazer um retrato ao que acedeu.
Esta cena, por vulgar que possa parecer, contextualizada com as diversas agressões verbais e enxovalhos publicos que tenho vindo aqui a registar, por fotografar pessoas na rua, revela, quanto a mim, o simbolismo atávico e a evidência de um povo com medo de tudo: de ser denunciado, de fazer parte de quaisquer arquivos, de ir "parar à internet", de ser vítima, em conclusão.
Num país saudável, culturalmente evoluído, com legislação adequada, uma pessoa, na rua a fazer fotografias é apenas uma pessoa na rua a fazer fotografias (desde que respeite obviamente o referido quadro legal).
Por cá nem sequer, em caso de conflito, ou divergência na interpretação da Lei do Direito à Imagem, de nada serve recorrer à mediação da policia. Pura e simplesmente desconhece e, pela experiência, já longa, que tenho, toma desde logo a defesa intransigente do cidadão queixoso.
A fotografia em Portugal ainda, só em determinados círculos intelectuais é considerada uma forma de expressão artística.
Os seus autores, só num círculo muito fechado são entendidos como artistas, como são os pintores, os escultores, etc.
O Centro Português de Fotografia e as restantes instituições com responsabilidades na promoção e divulgação da fotografia e na formação de novos fotógrafos, bem como algumas das maiores comunidades de fotógrafos online (ex. Olhares.com) poderiam desempenhar (com acções de sensibilização ou promocionais Públicas) um papel importante junto das pessoas no sentido de, de uma vez por todas fazer perceber a diferença entender a diferença entre uma máquina fotográfica e uma pistola, num "mundo" onde sub-repticiamente somos (todos), cada vez mais, controlados, vigiados e fotografados pelo Estado.




Fotografias: Gad. Oeiras, 2010

Thursday, July 01, 2010

VOLTANDO AO PORTUGAL x ESPANHA - A arrogância de Queiroz.


Teria ficado bem a Carlos Queiroz a assumpção da derrota frente aos espanhóis
Não lhe teria ficado mal também um pedido de desculpa aos dois ou três (milhões) de portugueses que o viram "partir" a equipa, quando no seu melhor momento, em que dominava o adversário retirou um jogador em alto rendimento (Hugo Almeida) e abriu caminho para o "carrossel espanhol" ( que aproveitou para fazer entrar Torres) que ditou o nosso afastamento.
Acresce que mentiu na conferência de imprensa quando justificou a substituição com o estado de esgotamento (negado pelo próprio) do jogador).
Mas, mais uma vez, a "cagança" do Dr. Queiroz levou-o por outros caminhos...
Espero, de facto, que os dois ou três, que o Dr. quer conquistar sejam de facto milhões e estejam tão fartos dele como eu.