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Sunday, June 24, 2012

Todos diferentes, todos iguais /All different, all the same



(Fotografia: Gonçalo Afonso Dias, Ilha do Mussulo, Angola 12/2011)


(Texto inserido no site Olhares.com)


Esta fotografia é dedicada ao João Clemente que, na foto "Sem medos" (http://olhares.sapo.pt/sem-medos-foto5295723.html?nav1 ) desta série expressou uma dúvida muito pertinente sobre estas crianças: "criançada muito alegre, não sei se feliz..".
Sem entrar em reflexões filosóficas do que é a felicidade (uma utopia..., uma abstracção...) essa questão permite-me, neste resumo, dar-vos a conhecer um pouco mais do contexto social e humano em que estas crianças vivem, comparativamente com a maioria das crianças angolanas, uma reflexão baseada no meu profundo conhecimento da realidade Angola, e particularmente das suas crianças um pouco por todo o país, antes e depois da independência, antes, durante e depois da guerra civil que só teve fim em 2001.

O que distingue estas crianças, por ex dos meninos de Luanda?
Qual a razão da sua alegria?

São duas questões cuja resposta, precedida de uma breve contextualização, explica esta realidade.
Os meninos do Mussulo, que acompanho, fotografo e ajudo há mais de oito anos, vivem numa ilha. Apesar da proximidade à grande e densamente povoada Luanda (mais de cinco milhões de habitantes...) na sua grande maioria, não a conhecem. O seu mundo resume-se à ilha onde nasceram e onde continuam a crescer.

Longe do caos, das tentações, dos perigos com que vivem os meninos de Luanda e um pouco por todo o país, não lhes falta o essencial. Os pais, em grande parte ilhéus também, vivem do que o mar lhes dá - o peixe, o marisco.
As famílias no Mussulo mantêm uma estrutura ancestral. Aos mais velhos são respeitados e ouvidos, os mais novos são protegidos e bem alimentados.
A solidariedade existe na comunidade. A entreajuda, as relações entre famílias.
A grande ameaça para esta gente boa é a doença - a Malária, a cólera. Mas, hoje, com as campanhas de consciencialização e de prevenção que têm vindo a ser feitas por todo o país, esses flagelos perderam muito terreno.

O meninos do Mussulo vão à escola, vão ao posto médico e não sabem o que é pedir, o que é passar fome, o que é ver os pais mortos ou mutilados - já nasceram, na sua maioria, em Paz.
Não têm IPods, computadores, brinquedos sofisticados... Mas têm uma imensidão de praia, têm o mar... Constroem, a partir do lixo criativos e engenhosos brinquedos.
Como todas as crianças, como todas as pessoas, têm momentos de tristeza e momentos de alegria. Mas têm momentos de alegria! Muitos, mesmo.

É uma alegria que nasce com eles, que caracteriza, por outro lado, todo o povo angolano que, mesmo vivendo dificuldades para nós inimagináveis, consegue sorrir, cantar e dançar.

Tenho a honra, o gosto e o orgulho de ter proporcionado ao longo destes anos, alguns dos momentos de alegria destes meninos. Tenho-os visto crescer, têm-me visto crescer.

Dia 30 deste mês volto a Angola no âmbito das minhas actividades profissionais e comigo levarei a certeza de os encontrar bem. Levarei uma bola de futebol... Uma corda de saltar e os retratos que lhes fiz e que estão nesta série tão bem acolhida por todos vós - o que agradeço profundamente - por eles. Bem hajam!

Fotografia: Ilha do Mussulo, Angola, 11/2012
Na foto com os meninos do Mussulo - a nossa colega e minha mulher Suzana Alvarez que, pela expressão, revela bem a felicidade de os ter conhecido.


This photo is dedicated to João Clemente, that in the photo "Sem medos" (http://olhares.sapo.pt/sem-medos-foto5295723.html) off this series expressed a very relevant doubt about this children: "Very cheerful children, not sure if happy..".

Without going into philosophical thoughts about what's happiness (an abstraction...), this doubt allows me, in this description, to let you to know a little more of the social and human context in which these children live, compared with most of Angola's children, a reflection based on my profound knowledge of the Angolan reality, and particularly of it's children all over the country, before and after the independence, before, during and after the civil war that only saw an ending in 2001.

What distinguishes these children, for example, of the children of Luanda?

What's the reason of their joy?

These are two questions which question, preceded of a small contextualization, explains this reality.

The kids of Mussulo, that I follow, photograph and help for over 8 years, live in an island. Despite the proximity to the large and densely populated Luanda (more than five million people ...) the vast majority have never been there. Their world comes down to the island where they were born and continue to grow.

Away from the chaos, the temptations, the dangers the kids of Luanda live with, they are not lacking the essentials. Their parents, in most of the islands, live of what the sea gives them - the fish and the shellfish.

Families in Mussulo maintain an ancestral structure. Elders are respected and heard, the young are protected and well fed.

Solidarity exists in the community. The mutual support, the relations between families.

The big threat for this good people are the diseases - Malaria, cholera. But, today, with the big campaigns of awareness and prevention that have been made all over the country, these scourges have lost much ground.

The children of Mussulo go to school, go to the medical post and don't know what's begging, starving, seeing their parents dead or crippled - they were born, mostly, in Peace.

They don't have iPods, computers, sophisticated toys... But they have the beach, they have the sea... They build, from trash, creative and ingenious toys.

Like every children, like everybody, they have moments of sadness and moments of joy. But they have moments of joy! Many, really.

It's a joy that is born with them, that characterizes, on the other size, all the Angolan people that, even living difficulties that for us are unthinkable, can smile, sing and dance.

I have the honor, love and pride to have provided over the years, some of the moments of joy of these kids. I have seen them grow, they have seen me grow.

30th of this month I go back to Angola as part of my professional activities and will bring with me the certainty of finding them well. I will take a football ... A jumping rope and pictures that I have taken from them in this series and are so well received by all of you - which I deeply thank - for them. Thank you!

Translation: Tiago Afonso Dias

Saturday, June 23, 2012

Todos diferentes, todos iguais.





(Fotografia: Gonçalo Afonso Dias, Ilha do Mussulo, Angola, 12/2011)


(Texto no Olhares.com) :

Esta fotografia é dedicada ao João Clemente que, na foto "Sem medos" (http://olhares.sapo.pt/sem-medos-foto5295723.html?nav1 ) desta série expressou uma dúvida muito pertinente sobre estas crianças: "criançada muito alegre, não sei se feliz..".

Sem entrar em reflexões filosóficas do que é a felicidade (uma utopia..., uma abstracção...) essa questão permite-me, neste resumo, dar-vos a conhecer um pouco mais do contexto social e humano em que estas crianças vivem, comparativamente com a maioria das crianças angolanas, uma reflexão baseada no meu profundo conhecimento da realidade Angola, e particularmente das suas crianças um pouco por todo o país, antes e depois da independência, antes, durante e depois da guerra civil que só teve fim em 2001.


O que distingue estas crianças, por ex dos meninos de Luanda?
Qual a razão da sua alegria?

São duas questões cuja resposta, precedida de uma breve contextualização, explica esta realidade.
Os meninos do Mussulo, que acompanho, fotografo e ajudo há mais de oito anos, vivem numa ilha. Apesar da proximidade à grande e densamente povoada Luanda (mais de cinco milhões de habitantes...) na sua grande maioria, não a conhecem. O seu mundo resume-se à ilha onde nasceram e onde continuam a crescer.

Longe do caos, das tentações, dos perigos com que vivem os meninos de Luanda e um pouco por todo o país, não lhes falta o essencial. Os pais, em grande parte ilhéus também, vivem do que o mar lhes dá - o peixe, o marisco.

As famílias no Mussulo mantêm uma estrutura ancestral. Aos mais velhos são respeitados e ouvidos, os mais novos são protegidos e bem alimentados.

A solidariedade existe na comunidade. A entreajuda, as relações entre famílias.

A grande ameaça para esta gente boa é a doença - a Malária, a cólera. Mas, hoje, com as campanhas de consciencialização e de prevenção que têm vindo a ser feitas por todo o país, esses flagelos perderam muito terreno.
O meninos do Mussulo vão à escola, vão ao posto médico e não sabem o que é pedir, o que é passar fome, o que é ver os pais mortos ou mutilados - já nasceram, na sua maioria, em Paz.
Não têm IPods, computadores, brinquedos sofisticados... Mas têm uma imensidão de praia, têm o mar... Constroem, a partir do lixo criativos e engenhosos brinquedos.

Como todas as crianças, como todas as pessoas, têm momentos de tristeza e momentos de alegria. Mas têm momentos de alegria! Muitos, mesmo.
É uma alegria que nasce com eles, que caracteriza, por outro lado, todo o povo angolano que, mesmo vivendo dificuldades para nós inimagináveis, consegue sorrir, cantar e dançar.
Tenho a honra, o gosto e o orgulho de ter proporcionado ao longo destes anos, alguns dos momentos de alegria destes meninos. Tenho-os visto crescer, têm-me visto crescer.

Dia 30 deste mês volto a Angola no âmbito das minhas actividades profissionais e comigo levarei a certeza de os encontrar bem. Levarei uma bola de futebol... Uma corda de saltar e os retratos que lhes fiz e que estão nesta série tão bem acolhida por todos vós - o que agradeço profundamente - por eles. Bem hajam!

Thursday, June 14, 2012

Perdido, não. Abandonado...




O Belmiro em primeiro plano - ao fundo o Lobito que veste o mesmo fato preto e branco.

(Fotografia: Gonçalo Afonso Dias)
Publicada AQUI


Um comentário tocante de uma companheira do "Olhares.comhttp://olhares.sapo.pt/":


«Fiquei sem palavras quando vi o Belmiro, tem sido uma luta para mim a não aceitação do comportamento humano em relação ao abandono (...não só dos animais...), tenho dez e parei por aqui por diversos motivos (minha saúde e a minha bolsa e não só...). Por aqui nada lhes falta, só entre nós fica um Olhar que é todo seu estendendo ao Belmiro ao Lost, Lobito e Clarinha a Isabella. Mais gostava de dizer mas faltam-me as muitas palavras retidas num cérebro cansado (epilepsia). Abraçado beijo»

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Há aproximadamente uma semana atrás, dia 8, aqui postei um anúncio sobre um cão aparentemente perdido que resgatámos junto à casa onde moramos em Oeiras.

Mas fizemos muito mais; Publicamos o anúncio nos sites dedicados a quem procura animais perdidos e colámos esse folheto nos sítios mais movimentados da Vila(a estação dos comboios, o quiosque dos jornais do centro, a mercearia, na praça junto à igreja, etc.

Parecia-nos, nessa altura, pelo estado relativamente saudável do animal, e apesar de não ter qualquer placa identificativa ou chip, que poderia alguém estar desesperado à procura do seu amigo fugido...

Mas não... nada de nada. Por aqui o cão nunca tinha sido visto e escusado será dizer que os telefones que constam do referido anúncio nunca tocaram...
Mais um animal abandonado, portanto.

Apesar de já termos uma autêntica "Arca de Noé" não o deixamos entregue a um destino previsível e recorrente - o atropelo, a fome, as doenças, o sofrimento.
Quem tem 3 (2 gatos e um cão - todos "adoptados") também fica com 4...

E assim foi.

Entrou na nossa casa com uma indescritível alegria e um enorme reconhecimento. Pequeno, alegre, brincalhão, meigo e sociável adaptou-se de um modo incrível ao novo lar.

E que lições nos dão os animais! Os outros receberam-no como se o conhecessem desde sempre... tanto o cão - o Lost - como os gatos - Lobito e Clarinha.
O Lost, em minoria, ganhou um amigo com quem passa parte do dia a brincar.

Bem sei que os tempos são difíceis. Bem sei que manter e cuidar de um animal tem custos. Mas não aceito o argumento estafado de quem afirma que é compreensível que pessoas que pouco ou nada têm, que estão no desemprego ou para lá caminham, abandonem os seus animais de estimação.

Não aceito e acho mesmo que é uma enorme maldade.

As pessoas pobres, muito pobres, pedintes até não abandonam esses amigos. É muito frequente vermos essas pessoas na companhia deles, a repartirem o nada que têm com esses companheiros.

O abandono dos animais não surgiu com a Crise nem com a decorrente austeridade.
Muitas pessoas fartam-se deles e "despacham-nos" porque serviram apenas para corresponder a um efémero capricho - o menino ou a menina queria um cãozinho, por exº...

Concluindo: O pequeno cão ganhou um lar onde é feliz e nos faz felizes também. Ganhou um nome - "Belmiro" por ser um "chico-esperto"...

"Chegará o dia em que os homens conhecerão o íntimo dos animais, e,
neste dia, um crime contra um animal será considerado um crime contra a
humanidade". (Leonardo Da Vinci)"

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O ABANDONO DE ANIMAIS EM PORTUGAL


«Em Portugal mais de 10.000 animais são abandonados anualmente. Muitos encontram a morte nos canis camarários e outros acabam por morrer à fome ou nas estradas, enquanto vagueiam pelas ruas em busca de alimentos e de abrigo. Quando abandonados, os animais sofrem todo o género de maus tratos ficando igualmente sujeitos a contrair doenças. Para além do sofrimento infligido ao animal, o abandono é, portanto um risco para a saúde pública.
Nestes casos, os mais afortunados, que são poucos, são adoptados por uma ou outra pessoa mais sensível.
As associações zoófilas, que recolhem animais, já há muito que ultrapassaram a capacidade de alojamento para o qual estão preparadas. Isto reflecte-se no mau tratamento dispensado aos animais.
VOCÊ PODE AJUDAR A MUDAR ESTA SITUAÇÃO:
Os animais são seres vivos, sensíveis e sofrentes, não são BRINQUEDOS.
Um animal deve ser desejado pelo dono e bem aceite pelos restantes membros da família. Por isso, a compra ou a adopção de um animal deve ser muito ponderada e estar de acordo com a sensibilidade e disponibilidade do novo dono.
Um animal de companhia precisa, não só de alimentação adequada e água fresca, mas ainda de uma série de outros requisitos que não devem ser ignorados, tais como alojamento adequado e espaço para se movimentar, acompanhamento veterinário, e atenção, entre outros. Assim, oferecer animais às crianças, só para lhes satisfazer os desejos é uma atitude incorrecta. Um animal deve fazer parte da família, ser desejado e estimado até à sua morte natural.
Colocar um animal num canil albergue deve ser o último dos recursos, pois ele nunca será feliz sem o dono.»

Saturday, March 17, 2012

A Roda, o "Olhares", os Clichés e outras coisas mais...





Fotografia: Gonçalo Afonso Dias






Simples, sem pretensões ...

Para muitos cientistas, a roda é o maior invento de todos os tempos.

Acredita-se que seus inventores foram os povos que habitavam a antiga Mesopotâmia, atual Iraque, acerca de 5.500 anos atrás, porém seu uso no neolítico era meramente pelos oleiros para fazer instrumentos de barro a exemplo da ceramica; a primeira roda para uso vertical num veículo de tração animal foi encontrada nos Montes Zagros centrais, possivelmente pertencente a povos proto-arianos em expansão pela região, pouco a norte de Elam.

Foi originada do rolo (um tronco de árvore). Mais tarde, este rolo se transformou em disco. A evolução das rodas dos automóveis se originou diretamente das rodas das antigascarruagens puxadas a cavalos, às quais eram, a princípio, idênticas. É uma mera sintetização/otimização dos rolos/troncos de arvores que inicialmente eram usados pra boiar na agua como proto-canoas que tambem foram logo melhoradas com o tempo; não se sabe porem se antes de surgirem as rodas, os proprios troncos eram usados como rodas, mas possivelmente era assim que os egipcios conseguiam deslocar suas pedras na construção das piramides posteriormente usando rampas e planos inclinados simples, porem grandiosos e altos.

A roda é também o princípio básico de todos os dispositivos mecânicos.

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Inseri esta fotografia plenamente consciente que pouca ou nenhuma receptividade iria ter - como muitas outras que tenho aqui publicado.
Mas fi-lo exactamente por isso.
Quem olhar para esta imagem, no contexto daquilo que são as "grandes fotografias do Olhares " poderá, legitimamente, perguntar: "mas o que é "isto" tem de relevante?!
Não é uma fotografia com "impacto", não é, tão pouco, uma imagem transcendente...
Contudo, na minha opinião (que vale o que vale - e cada vez menos) é um exercício sobre o enquadramento, o motivo e a luz.
Não sou (na fotografia, como nas restantes formas de expressão artística, um adepto da máxima "menos é mais".
Na arquitectura, por ex. o meu trabalho, renuncia claramente esse pressuposto minimalista da vida e do olhar.
Entendo que há, de facto, "coisas" muito simples que, vistas com subtileza, podem dizer muito mais do que aparentam.
O "Cliché ***" é muito mais fácil...
Todos nós o fazemos, por vezes, sem darmos por isso.
Eu tenho muitos clichés... Imagens que mesmo inconscientemente sei que resultam - porque remetem para algo já consolidado na cultura de cada um.
O Olhares é, no meu entender, um "mar de clichés".
As "GP'S", as "nossa escolha", e as fotografias do mês contribuem, em larga medida para influenciar (negativamente, digo eu) aqueles que estão a dar os primeiros passos nesta arte - independentemente do talento genuíno que têm.
Concretizando para melhor me fazer entender: Uma fotografia de um "velhote" sentado num qualquer banco de jardim, com um ar desolado, é claramente considerada uma "excelente fotografia". Mas, nos dias de hoje, é apenas e só mais um cliché.
Compete a cada um de nós reflectir sobre este assunto.
Tenho visto (vejo muito mais do que comento) fotografias notáveis e singulares neste sítio que são votadas ao esquecimento - por falta de "quórum"...
As regras deste site, por muito que as questionemos, são o que são... Na minha opinião promovem a "quantidade" em detrimento da "qualidade".
Acho deprimente que grande parte dos membros deste sítio comente e vote no estilo "copy/paste" apenas na expectativa de um retorno favorável.
Não alinho nisso e nunca alinharei.
Prefiro "gastar" 20 minutos a apreciar uma fotografia e a escrever o respectivo comentário (fundamentado, concreto) do que entrar no jogo do "digo bem de ti, e dizes bem de mim..."
A administração do "Olhares" depara-se com uma enorme dificuldade, que eu entendo - a de ter um critério justo e consensual.
É deveras difícil, não tenho dúvidas. No entanto, esta administração terá inevitavelmente de fazer algo para evitar o esvaziamento (que tem vindo a crescer) de muitos dos bons (boas) fotógrafos (as) que o têm enriquecido.
De outro modo, este lugar passará, inevitavelmente, a ser apenas mais \"um lugar comum\".


***m clichê ou cliché (do francês cliché), chavão ou lugar-comum na linguagem tipográfica diz respeito a uma matriz geralmente feita em metal cuja técnica é a mesma usada na linotipia ou anterior a essa na xilogravura, de tão aplicada em outros meios a palavra se tornou uma expressão idiomática de tudo que diz respeito a repetição seriado etc, e em alguns casos desgastou-se ou desviou o sentido se tornando algo que gera uma má interpretação em vez de dar outro efeito.

Sunday, March 04, 2012

Candid Photography






"O Comentário do Vasco Leão à minha foto: “Cabeça de Cartaz” (http://olhares.sapo.pt/cabeca-de-cartaz-foto5142313.html?nav1) complementou e enriqueceu o tema que aí abordei “a Fotografia de Rua (Street photography), mais especificamente “a importância dos personagens."

Comentário do vasco Leão:
“Atenção que candid é extremamente importante em street e já os classicos o praticavam. Candid deu-nos inúmeras fotografias imortais .O que já é outra história é que nem todos conseguem praticar este "sub-genero" e ainda há outros que o praticam de modo errado em contextos "fracos.”

O Vasco introduziu um conceito que importa conhecer melhor – A Fotografia “Candid”.
Entendo que estes comentários são uma excelente forma de partilha de conhecimentos e de abertura ao diálogo sério, enriquecedor e didático sobre FOTOGRAFIA.

Nesse sentido, e para melhor concretizar o conceito abordado pelo Vasco, acompanho esta fotografia – uma “Candid” – com a tradução livre de alguns excertos de um texto sobre esse género fotográfico.

Um bom Domingo para todos!

«Uma fotografia “Candid” é uma fotografia feita com o conhecimento do sujeito ou sem a sua explicita permissão, de forma a captura-lo sem pose.»
CONTEXTO:
«A fotografia “Candid” é o oposto da perseguição envolvida em fotografia animal, fotografia desportiva ou fotojornalismo intrusivo, que têm o objectivo de fotografar objectos distantes, por exemplo usando tele-objectivas.
É normalmente feita por um sujeito que está com os "sujeitos" a serem fotografados, perto, não escondidos. As pessoas que são fotografadas ignoram ou aceitam a presença da camara.»

COMO UMA FORMA DE ARTE :
« Alguns fotografos encaram a fotografia Candid Photography como uma forma de arte. Henri Cartier-Bresson pode ser considerado o mestre da arte dessa arte capturando o "momento decisivo" do dia-a-dia sobre uma extensão de muitas décadas. Arthur Fellig, mais conhecido como Weegee, foi um dos grandes fotógrafos a documentar a vida nas ruas de Nova York, capturou a vida, e morte, nos seus mais cruéis extremos.
Quase todos os fotógrafos com sucesso nesta área dominam a arte de fazer as pessoas relaxar e sentir-se bem com a camara, de se misturarem em festas, ou encontrar aceitação apesar de existir um elemento intrusivo - a camara. Isto é certamente verdade para a maior parte dos fotógrafos célebres, como René Burri, ou Raeburn Flerlage.

Pode-se argumentar que a Candid Photography é a forma mais pura do fotojornalismo. Há uma linha tênue entre o fotojornalismo e este género, uma linha que foi obscurecida por fotógrafos como Bresson e Weegee. Fotojornalismo muitas vezes se propõe a contar uma história em imagens, enquanto a “Candid” é simplesmente captura pessoas que vivem um evento.»

EQUIPAMENTO:
« Equipamento para fotografia sincero é geralmente leve, pequeno e discreto, em vez de grande e intimidador. Lomo rule photography descreve o uso de uma velha camara "point-and-shoot" para a “Candid”. Quanto maior o equipamento, mais difícil é fazê-lo parecer discreto para fazer “Candid Photography”.
Essa fotografia normalmente exige velocidades de filme ou ISO altos devido a flashes estroboscópio poderem interromper interações, levando as pessoas a encenar a sua aparência ao invés de se comportar naturalmente. Por este motivo, a “Candid” tem tradicionalmente sido feita ao ar livre, onde o sol fornece a luz ampla. Devido a velocidades mais altas do filme (ISO), sendo necessários para fotografia com a luz ambiente artificial, fotografia cândida pode caracterizar granuladas, imagens de alto contraste. No entanto, várias recentes câmeras full-frame DSLR trouxeram alta ISO com ruídos a níveis historicamente baixos, permitindo imagens limpas e saturadas em velocidades de até e para além de ISO 6400.»

Fotografia feita em Zamora, Espanha, 2010

Saturday, March 03, 2012

Fotografia - A importância dos Personagens




"Cabeça de Cartaz"
Fotografia: Gonçalo Afonso Dias, Porto, 2011



A importância dos personagens


Tenho aqui, desde há algum tempo, procurado publicar fotografias que sejam, simultaneamente, um pretexto para "falar de fotografia", partilhar textos, experiências e conhecimentos.
Esta imagem, tipicamente uma "fotografia de rua", presta-se a uma breve abordagem a esse género fotográfico, às dificuldades que comporta e a pequenos "truques" que a experiência (sobretudo as más experiências) nos vão ensinando.
Há, desde logo questões éticas que muitas vezes são ignoradas face a um "bom boneco".
Um bom exemplo são as fotografias feitas "à socapa" de pessoas em condições pouco dignas, sem o seu consentimento.
Nesses casos cabe ao fotógrafo encontrar um posicionamento respeitador - evitando, por exº focar a cara dessa pessoa, procurando uma exposição que a deixe na penumbra, irreconhecível.
Os bons fotógrafos prezam esse princípio e não deixam de reportar ou denunciar as misérias que a sociedade faz por não ver.

Em contextos mais pacíficos, como o desta imagem, o fotógrafo encontra um "cenário". Não se esconde, fica sentado (por exº) a focar essa realidade - as pessoas passam normalmente indiferentes ao "tipo" que está encantado pela parede...
Mas é preciso paciência, muita paciência... Não é qualquer figura que se "encaixa" no quadro que se pretende criar. Um chapéu, uma postura diferente, um olhar de esguelha e até um cigarro na boca fazem toda a diferença.

Há alguns anos que faço esse tipo de fotografia, frequentemente em ambientes relativamente hostis - em Angola, por ex.
Adquiri, depois de várias situações complicadas (detenções), abordagens agressivas, etc. uma certa forma de viajar pelas ruas. Determinado, sorrindo e cumprimentando os transeuntes, metendo, aqui e ali, conversa.
Quando se trata de retratar alguém, tenho por princípio, perguntar primeiro se posso. Quando a resposta é "não" avalio a convicção com que foi dada para, no caso de não ser taxativa tentar outra abordagem: "Eu tiro e mostro-te. Se não gostares apago."
perdi a conta às vezes em que este "truque" acabou por me dar uma carga de trabalho... Ele, ou ela, gostou de se ver no LCD e chamou os amigos, os filhos, o avô...

Frequentemente, também, as pessoas, depois de se verem fotografadas pedem para que se lhes dê o retrato. Por vezes é difícil explicar-lhes que a "coisa" ainda tem de passar pelo computador e etc... mas há sempre um amigo ou conhecido que tem um e-mail. Cumprir essas promessas é uma questão de boa educação.

As compactas com o LCD móvel (G12, por ex.) podem ser de grande utilidade para fotografar despercebidamente. Eu não o faço, sinto-me mal com isso, sinto-me como um puto a roubar rebuçados numa loja de doces.

Bom fim-de-semana para todos(as).

Thursday, March 01, 2012

"Falar de fotografia" - entre a cor e o P&B.




Dedico-te esta fotografia "a cores" não como um desfio, mas sim como uma forma de prolongar a interessante abordagem que fizeste (à questão da cor , do P&B e das "modas") na resposta ao meu comentário na tua última fotografia - "olhares":


(...) Esta fotografia vale apenas pelo olhar da «neguinha» no quadro e mais nada e talvez pelo vermelho que adoro. É uma fotografia muito difícil de fazer e parece fácil. Não há tempo para nada. Tens uma luz deficiente e portanto vais ter que trabalhar com baixas velocidades e tens pessoas em movimento. Além disso perdi a focagem que estava no olhar da mulher com o upload. Trabalhar a cores é muito mais difícil. Temos mais megas e qualquer coisinha nota-se. Recuso-me a entrar na moda do p&b e fazer o que toda a gente anda a fazer: fotografia de rua. Parece-me tudo muito igual e «já muito batido» e anda muita gente a estragar fotografias passando-as para o monocromático. Trabalhar a p&b não é para qualquer um porque é preciso saber trabalhar a escala de cinzentos. Não estou treinado para o fazer. De maneira que para sair um pouco do «dejá vu» tens que arriscar numa variedade de temas. Um fotografo que se preze tem que fazer coisas diferentes, inovar a cada dia. Tem que mostrar que é capaz de fazer coisas variadas. Há aqui apenas uma meia dúzia deles que inova. Não aponto nomes para não ferir suscetibilidades, mas por exemplo há aqui um dos comentadores a esta foto que muito admiro. Tenta adivinhar quem é. Só faz coisas difíceis e é por aí que eu tento andar, pelas coisas difíceis. Esta foto não é um primor de técnica e o enlace não édos melhores. Mas foi o que se pôde arranjar. Trabalha a cores e depois manda uma foto e vês como vais ter surpresas desagradáveis no upload. Mas concordo ctg no essencial. No acessório lá me tentei explicar da melhor maneira. Para já estou à espera de um pedido de desculpas da administração do Olhares pelo que me fizeram na minha foto «o medo». Já sei que vou esperar sentado… mas tb estou com muito trabalho e preciso de concentração máxima. Abraço.P.S. – Espero ter-te respondido ao que em perguntaste. É que perco-me em explicações por vezes…  (...) [Jorge Garcia]





[GAD]

Rejeito, de facto, as "verdades absolutas", as generalizações.
Não me parece, de todo que exista uma "moda" do P&B e, muito menos da "Street Photography". Basta ver as "fotografias do mês" para concluir que são maioritariamente eleitas fotografias a cores.
No meu caso, aprendi de facto, a ver a preto e branco - na fotografia e na arquitectura.
É curioso, quando principiei a minha licenciatura em arquitectura na antiga Escola de Belas Artes do Porto (ESBAL) o paradigma da forma de expressão pelo desenho (ferramenta essencial no percurso de projecto) era o preto e branco, à imagem (e na forma) como tinha sido consagrado pelo Mestre Siza Vieira.
Já nessa altura eu era "rebelde" e insistia em desenhar a cores, nomeadamente usando aguarelas. Fui várias vezes "achincalhado" pelos profs... chamavam aos meus desenhos "postais para as avós".
É inevitável , sobre este tema, referir a influência que, desde muito pequeno, tive dos P&B's do meu pai.
No entanto, e desculpa toda esta prosa também me perco...), eu e o meu pai, falávamos frequentemente de fotografia, como seria natural. Mas não falávamos por palavras...
O meu pai e eu tínhamos uma forma muito particular de comunicar - com o olhar.
Quando lhe mostrava uma série de fotografias impressas em papel, avaliava a sua crítica pelo olhar e, sobretudo pelas "pausas" que fazia ao virar determinadas imagens.
Quando se demorava ligeiramente nalguma eu percebia que, para ele, tinha algum interesse. E isso acontecia frequentemente nas fotografias a cores.

Eu não acho que seja mais ou menos difícil editar a cores ou a P&B. Do mesmo modo que é fundamental "sentir" a escala de cinzas, a relevância dos contrastes e da intensidade dos negros, ou dos brancos, é decisivo "sentir" a cor, na sua plenitude.
Um negro, por exemplo (e é este o caso) tem uma variedade de cor impressionante. Uma predominância do vermelho (que é preciso moderar), uma gama de amarelos que pode estragar a imagem e por aí fora.

Por fim, eu não fotografo a cores para depois converter para P&B.
Gosto de fotografar como vejo. Se estou a "ver" em P&B, fotografo em P&B, salvaguardando com o RAW, algum momento, que na altura me tenha escapado, onde a cor é decisiva.
Como na arquitectura, exerço, frequentemente, um exercício crítico sobre o que já fiz mas sobretudo sobre o caminho que quero seguir. E tenho vinte e muitos anos de arquitecto e apenas 8 de fotógrafo amador...
Há um aspecto que me parece importante e que tem a ver com alguma maturidade nas formas de expressão artística - a coerência, a descoberta de um fio condutor para avançar criticamente. Uma espécie de "GRAMÁTICA" que se vai consolidando obra após obra e onde a "DÚVIDA" é, mais do que uma angústia, um estímulo.
Um grande abraço.


Fotografia: "Maka". Ilha do Mussulo, Angola, 2008

Wednesday, February 15, 2012

"Subir sempre" - A fotografia a P&B




Fotografia:Gonçalo Afonso Dias
Ávila, Espanha, 2010

A fotografia a P&B

"A ausência de cor, sublima, de certo modo, a aparência do mundo. Recusar a cor é considerá-la, de certa maneira, inútil à essência mesmo do que se quer registar."
(Gérard Castello-Lopes)


(Catálogo da exposição Oui-Non, CCB, Abril 2004)

Referi aqui recentemente, no resumo da fotografia "Coca-Cola" a questão da preferência que tenho pela fotografia a preto e branco e, por outro lado, as razões porque, pontualmente opto pela cor.
Afirmei também que essa escolha não era absoluta nem tão pouco obrigatória nos trabalhos que faço. Tem essencialmente a ver com a natureza daquilo que pretendo transmitir.
A fotografia que agora publico é, de certo modo, um pretexto para partilhar alguns conhecimentos que, acredito, poderão ser úteis a alguns membros que procuram informação (sobretudo teórica) que não encontram nos comentários feitos aos seus trabalhos.
Quando se invoca a obra de Gérard Castello-Lopes, Carlos Afonso Dias, e tantos outros dessa geração de fotógrafos pensa-se exclusivamente na fotografia em P&B, maioritariamente revelada e ampliada a gelatina e prata.
Muitos de nós desconhecem, por exemplo, a fantástica série de fotografias a cores de espantalhos feitas pelo Gérard e que originou a exposição «"Espant' Homens» que aconteceu na Fundação de Serralves, há alguns anos.
Carlos Afonso Dias fez também, sobretudo na sua fase derradeira, diversas experiências onde o seu olhar se concentrou na cor e que fizeram parte (ampliadas em grande formato) da sua última exposição na Galeria "Pente 10" em Lisboa. A mais conseguida, no meu entender, tem o título "Garage" e foi feita, quase espontaneamente no piso de estacionamento do prédio onde morava. Uma obra notável que considero uma síntese de toda a sua obra.
Mas o assunto que esta imagem pretende ilustrar é o Preto e Branco.
Respeito evidentemente todas as formas de fotografar e de editar a fotografia monocromática. Desde os alto-contraste, até às investidas mais experimentalistas

Eu entendo que a beleza de uma fotografia em P&B, independentemente do assunto que a motivou, resulta em grande parte da "largura" da "escala de cinzas". Desde o preto até ao branco são infinitas as tonalidades captadas e reproduzidas.
A edição digital destas fotografias deve ter essa preocupação: assegurar uma gama larga de cinzas, não deixar "explodir" os brancos, não exagerar nos negros.

Para quem, como eu, limita a edição das fotos ao essencial (ajuste de luz, brilho e contraste) o Photoshop é uma ferramenta praticamente inútil.
No meu caso, o laboratório da minha preferência e que vai ao encontro das minhas necessidades é o "ACD see). Possui uma ferramenta simples mas de enorme utilidade - uma espécie de equalizador de luz.
Um pequeno truque, a adição no "color Balance" de uma tonalidade muito contida de "amarelos" (-5 nas médias luzes, -3 nas sombras e -1 nas altas-luzes) é o suficiente para quebrar a frieza da edição directa em P&B e conferir às fotografias uma tonalidade mais próxima daquela que se obtinha nos laboratórios.

Mexer demasiado nas fotografias acaba com elas... Cada um, através da pesquisa, da experimentação e da partilha de conhecimentos acaba por encontrar os mecanismos que melhor os permitem transmitir as suas obras.

Espero que esta abordagem possa ter alguma utilidade para alguém já que, os comentários às fotografias incidem excessivamente no objecto fotografado e muito pouco em matérias mais didácticas.

Um abraço a todos (as).

Nota: Texto e fotografia editos no "Olhares.com"

Tuesday, February 14, 2012

Friday, January 13, 2012

A minha fotografia nº 700 nas Galerias Públicas do "Olhares.com"



Se bem me recordo, a última vez que aqui dei conta de um "número redondo" de fotografias minhas distinguidas para as Galerias Públicas (Gp's) do "Olhares" foi quando "aconteceu" a nº 500. Desde aí, pouco tenho "investido" na minha galeria desse site. Basicamente porque não estou de acordo, nem me revejo, nas recentes alterações formais e no (des) investimento que constato na divulgação da Fotografia e dos Fotógrafos. É, logicamente, uma interpretação pessoal. Entendo que a Fotografia (e não é por acaso que escrevo com "F" grande, tem vindo a ser subestimada pela "imagem fotográfica de maior - ou menor - impacto. Considero que um sítio com a dimensão do "olhares" deveria investir na formação, informação e cultura fotográfica dos seus milhares de membros. Há espaço, e tempo, para todas as formas de comunicação pela fotografia. Todas são válidas quando ao "click" precede uma determinada intenção e uma maior ou menor consciência de que a máquina é apenas um intermediário do olhar. Mostro aqui a minha fotografia nº 700 (das 883 que já editei) que entrou para as tão desejadas Galerias Públicas do Olhares. Mostro-a e celebro-a porque tem um significado especial para mim: foi captada em Angola no primeiro dia deste ano de 2012. Desejo também que o "maior site de fotografia de língua portuguesa" evolua. Que crie novas funcionalidades. Que convide autores consagrados para comentar (criticar) as populares escolhas como a "Fotografia do Mês". Estou, como sempre estive, disponível para, nesse sentido, sugerir, criticar, colaborar. Porque, pesados os "prós" e os "contras", o Olhares continua a ser um excelente veículo de divulgação da fotografia que se vai fazendo entre nós, e não só.