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Friday, May 22, 2015

A "artéria" de tinta acrílica branca e o "canito" do meu vizinho de baixo, que é bem giro, por sinal, e não tem culpa nenhuma de ter de conviver com aquele "coiso"!...



Fotografia: Gonçalo Afonso Dias, 22.05.2015


O MEU VIZINHO DE BAIXO




Não conhecia o meu vizinho de baixo.

Mudou-se "para cá" há dois meses.

Eu "já cá ando" há anos e nunca gostei de ir à varanda espreitar para ver que eram os "vizinhos de baixo" que estavam sempre a mudar... 

Diz o Sr. Chagas, que é o porteiro do prédio onde eu e o meu vizinho de baixo moramos, que "isto já parece um aparthotel" porque estão sempre a entrar e a sair vizinhos de baixo...

No outro dia, eu estava a trabalhar na minha varanda que dá para o terraço do meu vizinho de baixo.

Tinha enchido um maço de Marlboro "normal" com tinta acrílica branca e espessa com a intenção de aumentar o peso da base da "instalação", "manifesto", "coisa", o que quiserem, que já ando a fazer há muitos dias.

Desatento, deixei cair o maço cheio de tinta acrílica branca e espessa no terraço do meu vizinho de baixo.

"Explodiu" e a tinta criou uma espécie de artéria de largura variável. Até ficou giro...

Ainda era cedo e ele devia estar a dormir porque, preocupado, fartei-me de chamar por alguém que lá morasse: " Ó se faz favor?!!!","Ó se faz favor?!!! Repeti inúmeras vezes, cada vez mais alto.

Ninguém apareceu excepto o "canito" do meu vizinho que, por sinal é bem engraçado e engraçou com aquela coisa que lá caiu...

Falei com ele, com o "canito" e disse-lhe para não lamber aquilo porque apesar de ser acrílico aquoso ele podia ficar viciado.

Muito tempo depois, já o acrílico estava mais do que seco, ouvi, lá de baixo, uma voz antipática que disse coisas mas eu só percebi a palavra "Marlboro".

Percebi outra coisa pelo tom dessa voz - "aquilo" era "casca-grossa"...

Hesitei. Entre ficar "caladinho", porque percebi que "aquilo" era "casca-grossa", e porque se nada dissesse nunca ele iria descobrir porque tem mais 15 andares com vizinhos em cima, ou, fazer como os meus pais me educaram e, mesmo já tendo percebido sem o ver, que não devia sair dali coisa boa, abeirar-me do corrimão da minha varanda e diizer: "ó, se faz favor!"

Foi assim que vi pela primeira vez o meu vizinho de baixo e não gostei nada do que vi.
O tipo parecia um camionista "feio, porco e mau" como aqueles dos filmes americanos. Tinha o cabelo e a barba longos e loiros e tudo.

"Olhe! Eu sou o responsável por isso!...
 Desculpe lá! Não posso ir aí a baixo porque estou doente mas já telefonei ao Sr. C. para ele tratar do assunto mas, como é costume, o Sr. C. não atendeu porque, como sempre, em vez de estar no balcão da portaria a aturar vizinhos mal-educados que nem sequer o cumprimentam "pira-se" para a loja da BP aqui ao perto e fica na "brincadeira" com as meninas das caixas...

Foi quando o meu vizinho de baixo que parece um camionista "feio, porco e mau" como nos filmes americanos, cruzou os braços roliços sobre a sua enorme barriga, abriu as pernas num gesto ameaçador que nem as "havaianas" brancas disfarçavam e me disse, num tom desagradável e "cara de poucos amigos":

"Isso é o que eu vou investigar!..."
Desculpe? Respondi, já arrependido por não ter feito como todos fazem e ter assumido a minha responsabilidade.

"Sim! Vou investigar se foi sem querer ou não!"...

"Olhe. Sabe uma coisa? Eu devia era ter ficado calado!...

" E se o animal morresse? respondeu ainda mais ríspido...

"Não morreu porque eu falei com ele e, além disso essa tinta é feita com água que não mata animal nenhum!" O gajo já me estava a começar a irritar e, ainda por cima, eu tenho idade para ser pai dele...

"Isso é o que eu vou investigar!"... Voltou a rosnar...
E acrescentou: "vou investigar se a tinta é mesmo acrílica"...

Passei-me! Disse-lhe "que sim", que investigasse, que chamasse a polícia, o ministério público e a PIDE...

"A PIDE já não existe. Informou-me...

"Não?! Olhe que não parece... "Disparei", já com vontade de lá ir abaixo não fosse o risco que corria de estragar as cicatrizes que tinha...

E foi assim que fiquei a conhecer o meu vizinho de baixo mas, antes de virar as costas, ainda o informei: "Estou aqui há muito tempo e nunca tive problemas com nenhum vizinho e, "sabe que mais?":  Não volto a falar consigo porque o senhor acabou de demonstrar que é uma pessoa malformada e eu não falo com pessoas malformadas.

Passou mais de uma semana e a tinta ainda lá está junto às beatas e aos cocós do "canito" que é bem giro, por sinal, e não tem culpa nenhuma de ter de conviver com aquele "coiso"!...

Friday, May 15, 2015

A propósito do Bullying, do rapaz que foi agredido na Figueira da Foz, do vídeo que se tornou "viral", dos média e da nossa Sociedade

A primeira coisa que hoje vi no "face", quando, pela manhã, liguei o computador foi esta imagem:



Os olhos foram "desfocados" por mim porque, apesar da imagem também, aparentemente, já se ter tornado "viral, com múltiplas "partilhas" e "apelos" à partilha, me recuso, por Princípios, a alinhar em actos ou prácticas que considero "medievais"...

Transcrevo o comentário que deixei a um grande amigo que o fez (partilhou a imagem original - com olhos), pois esse comentário resume o que penso acerca deste assunto:

(...) Caro amigo,

Pela grande amizade e pelo respeito que tenho por si, consolidados em tantos anos de conhecimento, quero dizer-lhe que "não gosto" disto.

A "culpa" parece-me, neste caso tão mediatizado, algo difícil de definir.
São adolescentes e praticaram um acto a todos os títulos condenável. Abominável.
A vítima dificilmente será "o mesmo", depois disto.

É certo. Não "há volta a dar"...
Contudo, tenho visto com acrescido desgosto, o vídeo da agressão (que se tornou "viral") a passar, nos horários mais concorridos, nos vários canais de Tv.
Como sempre, o mal "vende muito"...

Mas, caro amigo, a culpa será delas? Alguém já nos disse como é ou como foi as suas vidas, as suas infâncias.
Se os pais estão no desemprego? Se os amigos estão "na rua"?
Alguém já contou como vivem as suas famílias? Que eventuais traumas viveram (ou vivem) essas raparigas? 


Já o escrevi e repito a minha convicção: A sociedade está doente, muito doente, e uma sociedade em declínio, em decadência, gera todo o tipo de consequências aberrantes...

Estas jovens não devem, quanto a mim, continuar a ser castigadas, "apedrejadas" em público como na Idade Média - devem, isso sim, ser tratadas. Ouvidas e tratadas.
Um grande abraço.(...)

E, já agora, a resposta que dei a um amigo desse meu amigo (que não concordava também) mas manifestou o "não saber o que se fazer" nestes casos:


(...) Pois é C.. Parece-me, contudo, mais importante a pergunta: o que não se deve fazer? (...)

(...) Obrigado C. e desculpe-me o meu amigo G.. se estou a abusar do seu espaço. Não é preciso "recuar" a Freud para saber que, sobretudo a infância, é decisiva para a formação da personalidade da Pessoa. O Ego, o Inconsciente, a auto-estima.


Gonçalo Afonso Dias,
15 de Maio de 2015