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Wednesday, December 31, 2014



MY DREAM HOUSE - WORK IN PROGRESS


A todos os que participaram neste projecto e aos que ainda irão participar deixo os meus votos de um Grande 2015!

Dado o interesse que este projecto tem revelado, o objectivo inicial foi alargado (de 25 para 30 interpretações) e consequentemente o prazo para a edição do livro respectivo, data que anunciarei após confirmação com a editora.

BONS SONHOS!
Gonçalo Afonso Dias,
31 de Dezembro de 2014


Friday, November 07, 2014

MY DREAM HOUSE - WORK IN PROGRESS [M.D.H.] PONTO DE SITUAÇÃO - 06/11/2014






MY DREAM HOUSE - WORK IN PROGRESS [M.D.H.]
PONTO DE SITUAÇÃO - 06/11/2014

Boa noite!

Publiquei hoje o oitavo trabalho desta série que principiou no dia 15 do mês passado com a "Casa 000", a minha casa de sonho.

Tendo em consideração que pretendemos publicar o livro que eternizará esta "aventura" no início de Janeiro de 2015, já considerando o tempo para a revisão dos textos e eventual tradução para inglês, recolha de informação biográfica, e edição, impus um limite de 3 dias para desenvolver cada um dos trabalhos, prazo que está a ser cumprido e superado.

Como referi no início não tenho uma ordem para interpretar cada "sonho", nem tão pouco o faço segundo qualquer critério que não o "momento" em que pego nele, quando sinto que é a altura certa para por no papel aquilo que, desde logo, se instala nos meus pensamentos. Daí a importância de ir recebendo os textos (ou outro meio qualquer) com antecedência. Dá-me mais tempo para ir pensando...

Tenho uma grande convicção no interesse deste projecto que surgiu espontaneamente e, quando assim é, entrego-me "de corpo e alma".

Considero que todos os 16 "sonhos" que já me fizeram chegar são igualmente interessantes e importantes para o objectivo definido - pela diversidade das formas com que são comunicados e pelos distintos conteúdos.

Para que o trabalho tenha "peso" e matéria para o livro, e para uma previsível exposição, espero ter um mínimo de 25 ideias para trabalhar. Repito, porque essa dúvida já me foi colocada mais de uma vez, que não pretendo desenhos. Pretendo que as ideias sejam postas da forma que o seu autor entender (textos, poemas, músicas, etc.)

Acabo agradecendo a todos os que já participaram e, em antecipação, àqueles que ainda irão participar.


Gonçalo Afonso Dias

06/11/2014

Thursday, October 09, 2014

My Dream House - Work in Progress




GAD, 1970


Challenge #02 (In https://facebook.com/goncalo.afonsodias)

My Dream House - Work in Progress

I'd like to propose to you a new "challenge", the "challenge #02" after the adherence that the first one had ("what is this") with almost 40 participations. Comments and interpretations of an image that I posted came from people with the most diverse professions, ages and life experiences, all of them different, all of them very interesting and didactic.

The idea passed - Using this platform for something more interesting than the usual "selfies", video sharing, "likes and comments on a friend's birthday," even though I have nothing against those uses. I do it too.

More than the amount of adherence to that challenge, what impressed me was the quality of most of what was written here, for that purpose. On the other hand, I like the idea of seeing my friends, mostly from facebook, interacting, generating potential friendships between people with a common passion - art in it's most distinct ways of expression.

The challenge #02:

All of us were architects - we have drawn at least one house.

All of us live in a house.

All our houses are different, independently of the possessions of each one.

However, they all have something in common: with time they were, by us, changed to suit our lifestyles, our necessities of space, our taste.

Who has never thought of the house of their dreams?

A home. An apartment or a mansion, that would hold all our desires, all our necessities, many times decurring from our professions or ways of life, all our dreams.

The challenge is not exclusive (on the contrary) to architects.

It is supposed to be way more broad.

The interest in this challenge is in seeing how everyone feels and lives their house in every aspect - the place, the space, the light and the shapes.

The way of expressing that dream is absolutely free and without any limitations or constraints. It doesn't matter how much it costs, if it's approved by the city council, if the neighbor likes it or not... It can be a sketch made on a napkin, a poem, a text, a bit of a film, a photo... It can be anything you want.

From this moment, whoever lets themselves be seduced by this challenge, can start posting their ideas, developing them and thinking about them for a week (a limit date must be established...) - until the next Thursday, the 16th.

The dialog between participants, their suggestions, the criticisim, the opinions and reflexions are all welcome and constructive. And, who knows if, in the end, this challenge will not materialize into something publishable? Everything is possible, there must be dreams and the joy of participating by interacting.

I will also participate with the "house of my dreams" even though, the realization of that dream would pass by first winning the lottery...

I am counting with everyone and will be very grateful for every participation!


Hugs,

Gonçalo Afonso Dias (GAD)

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DESAFIO #02



"My Deram House - Work in Progress"



QUEM ALINHA ?!

Venho propor-vos um novo "Desafio", o "Desafio #02" depois da adesão que aqui teve o primeiro (" O que é isto") com quase 40 participações. Comentários e interpretações de uma imagem por mim posta vindas de pessoas com as mais diversas profissões, idades e experiências de vida, todas elas diferentes, todas elas muito interessantes e didácticas.

A ideia passou - Usar esta plataforma para algo mais interessante do que os os habituais "Selfies", Partilhas de vídeos, "gostos e parabéns no dia do aniversário de um amigo (a), embora nada tenha contra esses usos. Também os faço, entenda-se.

Mais do que a quantidade de adesões a esse desafio impressionou-me a qualidade da generalidade do que aqui, e a esse propósito, foi escrito. Por outro lado, agrada-me a ideia de ver os meus amigos, maioritariamente do FB, a interagirem, gerando possíveis outras amizades entre pessoas com uma paixão comum - a arte nas suas mais distintas formas de expressão.

O desafio #02:  (Em: https://www.facebook.com/goncalo.afonsodias)


Todos nós em pequenos fomos arquitectos - desenhámos pelo menos uma casa.

Todos nós vivemos numa casa.

As nossas casas são todas diferentes, independentemente das posses de cada um.

Contudo, têm uma coisa em comum: Com o tempo foram por nós adaptadas à nossa forma de vida, às nossas necessidades de espaço, ao nosso gosto.

Quem nunca pensou na Casa dos seus Sonhos?

Uma casa. Um apartamento ou uma moradia, que albergasse todos os nossos desejos, todas as nossas necessidades de espaço, muitas vezes decorrentes das nossas profissões ou das nossas formas de vida, todos os nossos sonhos.

O desafio não é exclusivo (pelo contrário) a arquitectos.

Pretende ser muito mais abrangente.

O interesse deste desafio consiste, em parte exactamente em vermos como cada um sente e vive a casa em todos os seus aspectos - o sítio, o espaço, a luz e as formas.

O modo de exprimir esse sonho é absolutamente livre e sem quaisquer limitações ou condicionantes. Não importa quanto custa, se é aprovada pela câmara, se o vizinho gosta ou não... Pode ser um esboço feito num guardanapo, um poema, um texto, um excerto de um filme, uma fotografia... Pode ser aquilo que cada um quiser.

A partir deste momento, quem se deixe seduzir por este desafio, poderá começar a postar as suas ideias, desenvolvendo-as e pensando nelas durante uma semana (há que estabelecer uma data...) - até à próxima quinta-feira, dia 16.

Friday, August 09, 2013

GOSTEI MAIS DO AVIÃO...

 
 
Fotografia: Gonçalo Afonso Dias
Agosto 2013
Casa das Histórias Paula Rego, Cascais, Julho 2013

Monday, June 03, 2013

Em Obra - Sede do Banco Espírito Santo de Angola (BESA) no Lobito

01 de Maio de 2013
Uma breve passagem pelo Lobito para ver mais um "filho" crescer.
Sede do Banco Espírito Santo de Angola (BESA)
 
 
Fotografias: Gonçalo Afonso Dias

Tuesday, November 20, 2012

EM OBRA... EDIFÍCIO SEDE DO BANCO ESPÍRITO SANTO DE ANGOLA (BESA) NO LOBITO 2012/... (ACTUALIZAÇÃO)

 
 
 
 
 


A Obra da Sede do Banco Espiríto Santo de Angola (BESA) no Lobito, Angola, por mim projectada, está a crescer depressa, muito depressa... Não da
maneira como qualquer "pai" gostaria que crescesse. Mas isso é uma história para aqui contar mais tarde, quando ela já "souber falar".

Aqui fica também o meu sincero reconhecimento aos arquitectos que comigo trabalharam mais recentemente para que este edifício, na minha cidade de infância fosse uma realidade: Moisés Rosa, Rui Cavaleiro, Susana Alvarez e Mafalda Fonseca.
Um reconhecimento extensível a toda a equipa de especialidades: Eng. Grade Ribeiro, Eng. Paulo Freire e Graucelsius.

 
 
 
No atelier quando ainda era um sonho.
(Fotografia de Rui Cavaleiro)
 
 

Wednesday, October 24, 2012

Filho Perdido - Arquitectura, Obra e (Re)sentimentos

 
 
Desenhos e fotografias: Gonçalo Afonso Dias
(Clique para ampliar)


Filho Perdido

Nasceu sem que eu soubesse apesar de tanto o ter desejado, apesar de de tanto o ter sonhado. Por tanto, tanto tempo...

Nasceu onde eu quis que ele nascesse - na cidade que me viu crescer, na cidade onde fui feliz - o Lobito.

Mais tarde, muito mais tarde, soube que o parto não correu bem, que foi feito "à pressa" e que não tinha nascido saudável.

Foi parido no esterco dos feitiços em que o dinheiro e o poder confiam e a que se entregam.

Cegamente...

Vi-o, de longe, no "outro dia". Não me quis aproximar, não quis que ele soubesse que tem um pai exilado pelo Poder dos que pouco Podem mas muito "se Acham".

Ele cresceu depressa, muito depressa - porque assim quiseram que ele crescesse - à força, Apenas bonito por fora.

Mas por dentro está doente, muito doente, agonizante...

E eu, algemado, nada posso fazer. Apenas sofrer e esperar.

Quando ele for grande e o tempo já tiver passado, aquelas parteiras porcas, imundas, que lhe tiraram o pai e a saúde, estarão no sítio onde vão ficar... No Inferno.

Até lá vou continuar a espreitá-lo clandestinamente através das grades que o cercam, que o sufocam e o impedem de "Ser".

Um dia, essas grades hão-de ser derrubadas pela força da verdade.

Há sempre um dia, mais tarde ou mais cedo.


(Dedicado ao Moisés, ao Rui, à Mafalda e à Susana)

 

 

 

 

Tuesday, July 24, 2012

Casa no Mussulo - Habitada por um dia






O Guarda Fernando, Nome de Guerra: "Relevo"





A minha "família" do Mussulo

Fotografias: Gonçalo Afonso Dias
Ilha do Mussulo, Angola, 07/2012





Friday, July 20, 2012

Em Obra - Sede do Banco Espírito Santo de Angola (BESA) no Lobito - Arquitectura e Sentimentos - 2011/...



ARQUITECTURA E SENTIMENTOS:

De todos os projectos que já fiz ao longo de 24 anos de arquitectura, tanto em Portugal como em Angola este - o Besa/Lobito/Sede - é, sem dúvida, aquele em que os sentimentos e as memórias maior impacto tiveram e têm na concepção e nas fases posteriores do trabalho.




No Lobito, uma belíssima cidade outrora conhecida como "A Sala de Visitas de Angola", cresci, fui adolescente, livre e feliz.






A RESTINGA - (FOTOGRAFIA RETIRADA DA NET)


O EDIFÍCIO DOS CORREIOS



EDIFÍCIO DA M.E.B.P.A.

Vivi durante muitos anos nesta cidade - primeiro na Restinga, em frente à praia, depois na Caponte, junto à Colina da Saudade, na mesma rua e dois prédios à frente do local desta obra - o "Prédio da Casa Lopes".



UMA DAS CASAS ONDE VIVI NA RESTINGA




No Lobito aprendi a ler a contar e a desenhar... frequentei a Escola Primária Pedro Alexandrino da Cunha, também na Restinga, onde tive como professora da 1ª à 4ª classes a inesquecível D. Célia.





DESENHOS DE 1970 (5 ANOS)

Ali frequentei também o Liceu até à altura em que a guerra, a invasão a partir da África do Sul das tropas da UNITA acompanhadas pelos mercenários Sul-Africanos nos obrigaram, integrados numa memorável coluna de fugitivos, a recuar para Luanda. Uma Odisseia que durou 3 dias e ficará para sempre gravada na minha memória.

Fiz também muitos amigos (O Riki - com quem andava sempre às "turras, o Frazão, o Pedro Vaz Pinto - o maior de todos -, os Catalões, etc.) que "eternizávamos" em pequenos livros de autógrafos e dos quais guardo belas recordações e uma enorme saudade.

A Independência de Angola estava prestes a acontecer e a guerrilha urbana entre os 3 movimentos armados (MPLA, UNITA e FNLA) era intensa e fraticida.

No Lobito fui membro da "Organização dos Pioneiros Angolanos (O.P.A) afecta ao MPLA, tive instrução militar aos 11 anos... participei em comícios e tive a Honra de apertar a mão ao histórico líder e fundador do MPLA -  Dr. António Agostinho Neto.




Fotografia retirada da Net

Depois a vida cumpriu o destino. Vivi em Luanda até 1981, no famoso "Prédio do Livro" na antiga Av. Guilherme Capelo, Maianga, altura em que vim para Portugal completar os estudos e fazer a licenciatura em Arquitectura.

Só voltei "à minha cidade" em 2004, quase 30 anos depois de a ter deixado. Fui conhecer "O Sítio" desta obra que deu início a um longo percurso (até hoje) de colaboração com o BESA.

Fui ver a minha escola e o recreio onde brincava.




FOTOGRAFIA "REENCONTRO" 07/2004

«Em 2004, acabada que estava a guerra voltei ao fim de mais de 20 anos à cidade onde cresci e fui feliz; O Lobito. Atordoado pelos sentimentos econfundido pelas memórias procurei desesperadamente pela minha escola primária onde aprendi o "babá" com a D. Célia - a antiga escola Pedro Alexandrino da Cunha. Ninguém me sabia dizer onde era. Eu tinha uma vaga ideia, mas parecia-me agora tudo tão pequeno. Depois de muito penar alguém me disse que já não havia escola. Agora era um hospital e estava a decorrer um período de febres contagiosas... Pouco me importou, tremi ao entrar no átrio recheado de macas com gente a sofrer, o ambiente impregnado de dor e desespero. Fui à minha sala. O mesmo. Corri para o recreio já sem ar, sem controlar as emoções. Foi nesse recreio» 

(GAD, 2004)

(TEXTO NO OLHARES.COM). A minha última estadia no Lobito, nos dias 3 a 5 deste Mês de Julho de 2012 foi já no âmbito da Assistência Técnica à obra que vai agora crescendo.





Indescritível foi a emoção de ali ver o grande "Painel da Obra" com o meu nome inscrito. O Sentimento de fazer obra na cidade que me viu crescer, de deixar o meu nome e o dos meus pais e irmãos ligado ao Lobito não é possível traduzir em palavras...

Esta obra é por isso dedicada ao meu pai - Carlos Afonso Dias que dirigiu, durante muitos anos como oceanógrafo a Missão de Estudos Bioceanológicos de Pescas de Angola (MEBPA) e à minha mãe - Fernanda Seixas, angolana do coração que lutou de armas e medicamentos na mão junto dos guerrilheiros, na frente de combate, prestando-lhes os primeiros cuidados de saúde, salvando e confortando muitos deles. 




Os meus pais - anos 90, Cascais

É também para os meus irmãos - Manuel e Ana que comigo partilham os sentimentos, as vivências e as emoções que antes descrevi.

A arquitectura não se faz apenas com Donos de Obra, Empreiteiros, Fiscais, orçamentos, programas e prazos. Faz-se também e muito com sentimentos de onde quer que eles venham.

Santo Amaro de Oeiras, 20 de Julho de 2012















ESQUISSOS COM ALTERAÇÕES À FACHADA SUDESTE AINDA NÃO ACTUALIZADAS NA MAQUETA





MEMÓRIA DESCRITIVA

1- Introdução:

A proposta do edifício BESA/LOBITO/SEDE é a sequência natural da fase anterior (estudo prévio) apresentada e analisada pelas entidades envolvidas, e após algumas afinações com o objectivo de optimizar funcionalmente o espaço, finalmente aprovada. O iniciar deste projecto foi consequência da conclusão de um processo já desenvolvido para um edifício, que projectado para o mesmo local, já não servia os propósitos e objectivos do requerente.

A fase de projecto que agora concluímos, não só compreende todas as observações, sugestões e críticas construtivas naturais e desejáveis num processo criativo, como tem em consideração a urgência de iniciar os trabalhos de construção, por isso apresenta um desenvolvimento mais aprofundado quer do ponto de vista da arquitectura como, no que diz respeito à intervenção e coordenação das diversas equipas das especialidades.




(O LOBITO EM CONSTRUÇÃO) - FOTOGRAFIA RETIRADA DAQUI


LOCALIZAÇÃO (CLIQUE PARA AMPLIAR)

2- O sítio e a importância urbana desta intervenção:
A responsabilidade de intervir arquitectonicamente no tecido urbano desta cidade, assume elevada importância quando nos debruçamos sobre a História da cidade. A revitalização do caminho-de-ferro e a existência de um porto marítimo conferem à cidade, características únicas num país em franco desenvolvimento. Cidade de belezas naturais ímpares, onde a qualidade arquitectónica e o desenho urbano “respiram” seriedade e bastante reflexão (é disso exemplo a “inventiva” Colina da Saudade), impõem uma intervenção de grande responsabilidade.



LOCALIZAÇÃO (CLIQUE PARA AMPLIAR)

ratando-se de um gaveto junto a um eixo viário estruturante, maior ainda será a visibilidade do conjunto projectado o que aumenta também, o grau de responsabilidade de quem conscientemente projecta.







O GAVETO AINDA COM A ANTIGA CONSTRUÇÃO POSTERIORMENTE DEMOLIDA

(FOTOGRAFIAS DE 07/2004)

A área destinada à construção do edifício situa-se na Caponte, junto à Colina da Saudade. Trata-se de um gaveto nas Ruas Eng. Gomes da Costa e 1º de Agosto, sendo actualmente um terreno descampado, anteriormente ocupado por precárias construções.

Na envolvente próxima, consolidada e qualificada do ponto de vista arquitectónico, destacam-se vários edifícios modernistas de indiscutível qualidade arquitectónica como por exº o "Edifício da Radio", o Mercado do Lobito - com o traço de Vasco Vieira da Costa e ainda o conjunto do Porto do Lobito.



EDIFÍCIO DA RÁDIO





MERCADO DO LOBITO
3 - Programa:

O factor impulsionador deste programa foi naturalmente a criação de um edifício do Banco Espírito Santo de Angola (BESA), no centro da cidade do Lobito, dimensionado para dar resposta às necessidades actuais, tendo em conta o desenvolvimento urbano que trará novas e diferentes exigências espaciais.

Um dos problemas com que nos deparamos é a diferente escala dos edifícios circundantes. De forma a minimizar os desequilíbrios volumétricos, formalmente a construção assume diferentes escalas, variando conforme a presença dos edifícios vizinhos.


A fachada principal assume-se na Rua 1º de Agosto, marcando o remate deste eixo urbano com um volume que se quer imponente e contemporâneo, digno da instituição que representará.




Os 8 pisos que o compõem não deixa de privilegiar a qualidade arquitectónica e a relação com a envolvente, quando torneando para a Rua Eng. Gomes da Costa, o corpo alto assume a cota de 2 pisos do edifício vizinho, deixando a cidade respirar.

Programaticamente o edifício é composto por agência bancária, escritórios, habitações e zonas técnicas :

Piso -1 – Zonas técnicas

Pisos 0 e 1 – Agência bancária

Pisos 2, 3, 4, 5 e 6 – Escritórios

Piso 7 – Habitação

Piso 8 - Sala dos condóminos e Instalações técnicas

3.1 – Zonas técnicas

Dada a complexidade e diversidade do programa funcional do edifício, optou-se por localizar a maioria das infra-estruturas técnicas num piso enterrado. O acesso a este piso é feito unicamente pelo exterior e por um acesso independente do edifício, de forma a facilitar a vivência no interior do edifício (poluição sonora, elevadas temperaturas, etc.) , minimizando o conflito com todas as circulações.

Para evitar uma sobrecarga na estrutura do edifício localizamos neste piso o reservatório de água e respectivas infra-estruturas, o posto de transformação e posto de seccionamento, grupo de geradores e depósito de gasóleo.

3.2 – Agência do BESA


A agência do banco assume, na concepção deste projecto um papel fundamental.

O seu programa espacial, genericamente semelhante aos anteriores, nomeadamente ao do edifício do BESA Soyo ou do BESA Ondjiva, foi no entanto optimizado ao nível das circulações, flexibilidade e segurança.

Esta optimização do modelo tem vindo a ser realizada com base na percepção das necessidades e na evolução dos próprios conceitos do BESA, no que respeita ao funcionamento das suas instalações.





Sendo um modelo já bastante optimizado, temos sempre que considerar as características morfológicas, as dimensões dos lotes e o contexto em que os edifícios se inserem.

Um dos princípios que tem vindo a ser sistematicamente valorizado tem a ver com o dimensionamento e a espacialidade das áreas de público.

As áreas anexas ao balcão, o átrio de entrada (aqui novamente sublinhado por um duplo pé direito), os atendimentos privados, etc, têm vindo a ganhar uma maior dimensão que se traduz na imagem e no conforto dos funcionários e clientes.

Sendo a área do lote insuficiente para a implementação do programa da agência, optou-se pela ocupação em dois pisos, sendo que no piso 1 se encontram áreas menos utilizadas pelo público (atendimentos privados, gabinete do gerente, zonas técnicas e arquivos)

Noutra vertente tem-se procurado uma maior flexibilidade na utilização dos espaços como por exemplo o Back Office e o Gabinete do Gerente.

A circulação de serviço foi pensada para a obtenção de percursos curtos e práticos.

As áreas mais restritas da agência, tesouraria, gabinetes de contagem e áreas técnicas são posicionadas estrategicamente por forma a diminuir a frequência do seu atravessamento e a aumentar a segurança desses espaços vitais.

3.3 – Escritórios
O funcionamento destas áreas de negócio exigem uma diversidade e complexa rede de apoios, quer técnicos / humanos, quer espaciais. A existência de espaços de escritórios para auxiliar o funcionamento de uma agência é cada vez mais uma realidade incontornável.



Os 5 pisos de escritórios foram pensados para poderem responder a uma ocupação versátil. Desenhados para um grande openspace, permitindo a sua futura divisão, conforme as necessidades de quem o vai ocupar. O acesso a estes pisos é comum aos pisos de habitação, sendo a circulação efectuada por espaço independente do da agência.

Estes pisos estão dotados de instalações sanitárias, pequena copa e zona técnica. A relação com a cidade não é esquecida, existindo sempre varandas em ambas as fachadas (Rua 1º de Agosto e Rua Eng. Gomes da Costa).

3.4 – Habitação
A ocupação deste piso foi estudada de forma a dar resposta a uma necessidade crescente de alojar as pessoas que aqui vão trabalhar. As tipologias apresentadas permitem uma vivência diversificada no que respeita aos agregados familiares. Daqui resultam 1 apartamentos de tipologia T1, e um de tipologia T2, localizados no 7º Piso



O acesso às tipologias T1 e T2 é efectuado por uma galeria exterior, de forma a trazer a iluminação e ventilação natural a esta zona do edifício.

Os espaços interiores são estudados de forma a dar resposta à utilização contemporânea dos dias de hoje (materiais, relações de espaços sociais com privados, instalações sanitárias de carácter social / privado, equipamentos, etc).

As varandas privilegiam a relação com a cidade, quer na integração urbana com o tecido existente, quer com a paisagem natural que a região oferece. O sombreamento destes espaços é uma preocupação, materializado por lâminas verticais, procurando uma solução tão largamente utilizada em edifícios desta cidade ( como é exemplo o edifício do Mercado ).


3.5 – Piso técnico e cobertura
O acesso à cobertura é feito pela caixa de escadas interiores. Este espaço é composto por um espaço que alberga os termo-acumuladores para aquecimento de águas sanitárias e espaço para a localização das máquinas exteriores de ar condicionado e ventilação.

4- Aspectos formais mais relevantes na concepção do projecto:
Dada a já referida importância que a cidade representa e representará num futuro próximo, procuramos que o edifício se imponha através de um desenho simples e contemporâneo mas, também com um carácter digno e corporativo que a instituição BESA merece. O desenho procura equilibrar volumetrias distintas e não ferir a harmonia do tecido da cidade. A forma contida e serena do objecto arquitectónico é já uma constante dos projectos para o BESA que, acreditamos transmitir a idoneidade, a modernidade, e o desenvolvimento que esta instituição tem vindo a consolidar.

5- Breve abordagem aos aspectos técnicos e construtivos:
Este documento vai acompanhado das memórias descritivas das especialidades mais relevantes para esta fase: fundações e estruturas, equipamentos de águas e esgotos e infra-estruturas eléctricas.

No entanto, as restantes especialidades (mecânicas, segurança contra incêndios) foram desde o início consultadas e integradas no projecto garantindo, deste modo, todas as condições e para que a fase de projecto de execução se realize sobre bases rigorosas e adequadas às exigências do edifício.

Em termos construtivos, para além da abordagem anexa do especialista de fundações e estruturas, é de referir que se mantém, neste trabalho, a ideia de uma operacional racionalização dos materiais de acabamento, e uma adequação à realidade construtiva local do grau de dificuldade na execução dos pormenores.

Em síntese, o conceito é o de “não complicar”. Defendendo a qualidade da construção, o rigor do desenho e a visibilidade do edifício, reforçando com isso a postura e visibilidade da própria instituição.



FICHA TÉCNICA:

Promotor da Obra: Banco Espírito Santo de Angola (B.E.S.A) - Coordenação: Eng. Luís Trocado Ferreira

Fiscalização: TPF Angola - Direcção Obra: Eng. Jorge Rocha; Fiscalização: Eng. Jorge Santos (coordenador)

Constructora: Soares da Costa - Direcção Eng. Jorge Rocha, Director Geral adjunto da Soares da Costa / Angola

Directora de Obra: Eng. Joana Alves

Projecto Geral de Arquitectura: Metáfora, Arquitectos Associados, Lda.

Coordenação da equipa projectista: Arq. Gonçalo Afonso Dias

Colaboração: Susana Alvarez, Andreia Carinhas, Edgar Soares, Tiago Iglésias, Vanda Santos, arquitectos

Projecto de Fundações e Estruturas: Safre / coordenação: Eng.º. Paulo Freire

Projecto de Instalações Mecânicas: Instec /coordenação: Eng.º. Viegas Rodrigues

Projecto de Instalações Eléctricas, telecomunicações e Segurança: Copreng / coordenação: Eng.º. António almeida

Projecto de Infraestruturas de Águas e Esgotos: Grade Ribeiro, Lda. / coordenação: Eng.º. Grade Ribeiro

Assessoria e implementação de sistemas de segurança: Securitas de Angola 
Maqueta: Edgar Soares

Fotografias: Gonçalo Afonso Dias