Thursday, October 08, 2009
Imagens de campanha' 2009
Wednesday, October 07, 2009
A utopia de uma Liberdade Plena
Entre a utopia de uma Liberdade Plena e as noites vividas perigosamente....onde as "passadeiras" inventadas pelos homens não fazem qualquer sentido.
Adenda a um post recente
Fora de horas, junto ao jardim em frente à pequena Capela de Santo Amaro, cruzei-me com ele e interpelei-o: _ " sabe? Ontem escrevi uma coisa sobre si no meu blogue...e não me sentiria confortável se não lhe dissesse.
O simpático senhor, agora já lhe conheço o nome - Luís - que me viu tirar a fotografia que postei no artigo, apenas me perguntou se "já tinha fechado o texto..." "É porque as coisas não são bem o que parecem", desabafou. E disse mais... "Há quem não queira, sabe?!
Não, não sabia. Sei há muito que há gente para tudo. Mas o Sr.ª. Luís conhece pelo menos um caso de quem não tenha querido uma cadeira de rodas eléctrica...
Em tudo o resto, da descrição do texto que lhe fiz, estava de acordo e acrescentou alguma "lenha" para a fogueira da indiferença autárquica. falou-me com gosto, e com um brilho nos olhos, de uma livraria "Havanesa", junto à Igreja Matriz, cuja dona mandou fazer uma pequena rampa para que ele pudesse "visitá-la" mais confortavelmente. Uma iniciativa tão simples e tão humana, pensei.
Contou-me também um momento que guarda com tristeza, quando, uma das rodas da frente da sua cadeira se soltou e ele se viu tombado, numa posição «perigosa para os cotos» - "É esse o meu grande problema...". Por perto estava um homem que ele conhecia de rapaz e que se escusou a ajudá-lo justificando-se com uma "oportuna" maleita nas costas...
Foi uma conversa perturbadora mas profundamente humana. confirmei aquilo que pensava. Aquele homem tem uma enorme força, uma enorme coragem.
Não nasceu sem pernas, fiquei a saber. Foram as diabetes que lhe levaram primeiro uma e depois a outra perna cortando-lhe também uma carreira próspera no sector bancário. Perturbador mesmo foi saber que, com a idade que tem, e a vida que já teve, diz sem pudor mas com um ar solene: " não tenho um único amigo" .
Oeiras - Autárquicas - Isaltino?
Acontece que vivo (vivo mesmo, não durmo) em Oeiras, mais especificamente no centro histórico de Santo Amaro.
E, como não durmo, (vivo) tenho muitas razões para não votar em Isaltino de Morais.
Em síntese, para não me "esticar demasiado" as minhas razões têm a ver com princípios estruturantes e dinamizadores (ou não) dos centros históricos e das vilas ou cidades
Em Oeiras o centro histórico é um deserto e o comércio local é literalmente desprezado
Por outro lado, não alinho em "execuções sumárias", venham elas da esquerda, do centro ou da direita.
Tanto me faz que agora Isaltino seja acusado de actos ilicitos como "amanhã" seja outro qualquer o "nomeado" para os óscares do mal...
As únicas e consolidadas razões que eu tenho para eventualmente votar em Isaltino são as alternativas que se apresentam, quer da parte do PS (por amor de Deus), quer da parte do PSD (por amor da Santa).
É que o Isaltino, com o seu charuto em riste, fez obra que é reconhecida pelas gentes do burgo. e a "malta" gosta dele... e mais nada!
O Sr. João
Há um ano que vejo passar este senhor pela rua onde moro, invariavelmente às 16:30 nas tardes em que fico na varanda a ver "passar a vida".Por diversas ocasiões, fotografei-o na sua rotina de ida e vinda ao "Mini-Preço" para as compras do dia.
Contudo, havia nele algo que me intrigava; o andar pesado, o semblante triste e sobretudo os passos mecânicos de quem cumpre um ritual a que é obrigado. Fotografei-o em diversas ocasiões como fotográfo muita gente que passa na "minha rua".
Só hoje edito uma fotografia do Sr. João porque finalmente quebrei o muro de silêncio que entre nós existia, pontualmente subvertido por uns breves acenos, e fiquei a saber um pouco da história desse homem que tanta empatia me causava. O Sr. João, é natural de Cabo-Verde e já lá não vai há mais de 15 anos. É um homem só, apesar dos filhos (emigrantes em França), e de uma mulher de que já não quer falar. Entre palavras e retratos retive uma que ele "deixou sair" quando lhe perguntei se os filhos não lhe davam "uma ajuda"...« Não gosto que mandem em mim!... os filhos, depois de casarem mudam e já querem mandar no pai...» Foi mais ou menos assim que sr. João, de cabelos brancos e andar pesado, justificou, à sua maneira, a sua solidão mas também, para mim, a sua Liberdade...
Fotografias: Gad. Santo Amaro de Oeiras, 2009
Tuesday, October 06, 2009
Sunday, October 04, 2009
Dia Mundial dos Animais - A Lagartixa
Hoje é o dia dos animais...
Em casa temos um cão (que salvámos do abandono), um gato (que adoptámos em bébé), mais de cinquenta peixes distribuídos por dois aquários, moscas, pulgas e bichos da madeira.
Contudo escolhi uma pequena lagartixa-Ibérica (o meu filho tratou da pesquisa) que ontem nos veio visitar, saída do pequeno quintal que há "lá em baixo".
É um animal como os outros e, tal como a osga, pertence, quanto a mim, a uma espécie de "minoria étnica" dos animais que andam pelas nossas casas. A generalidade das pessoas tem "nojo" ou até "horror" a estes simpáticos bichinhos que, para além de bonitos cumprem brilhantemente o papel de mata-mosquitos e de outros terroristas potencialmente portadores de vírus do tipo H-N1 ou "lá o que é".
A propósito, e se ainda houver alguns "dias mundiais" livres proponho um "Dia Mundial dos Animais Abandonados" e um "Dia Mundial das Bestas que abandonam os animais".
Os Candidatos a autarcas, as cadeiras de rodas eléctricas e o desprezo que tenho por eles.
De vista, de me cruzar com ele inúmeras vezes na rua e de trocarmos cumprimentos e, sobretudo de o admirar.
Somos praticamente vizinhos, desde que me mudei, há um ano, para Santo Amaro de Oeiras.
Vejo-o de dia, na sua rotina, vejo-o, por vezes, à noite quando nos cruzamos na rua do café onde paro sempre que vou passear o meu cão. Ele não toma café mas compra cigarros.
Resumindo: tem uma qualidade de vida que nunca teria sem a sua cadeira de rodas motorizada.
Penso nisso muitas vezes... Na quantidade de pessoas que, por diversos motivos, estão condenadas ao isolamento, à solidão, a uma vida vazia de tudo apenas porque não podem sair de casa.
Quando vejo os políticos em campanha eleitoral, sobretudo para as autárquicas, como agora, altura em que "acordam" e se lembram das mais demagógicas e disparatadas ideias para "caçar votos", (ex: António Costa, o Porsche, o taxista e a bicicleta, ou as ciclopistas na "cidade das sete colinas") já não fico perplexo, apenas sinto um crescente e continuado desprezo por essa gente engravatada, de vistas curtas e rasgadas ambições.
E se um candidato à presidência de uma Câmara Municipal se comprometesse com os idosos e /ou deficientes motores dessa autarquia entregando, a fundo perdido, cadeiras de rodas eléctricas aos cidadãos em "prisão domiciliária", pagando-as com parte dos fundos da campanha?!
Desses não há... Preferem amealhar as "sobras" para depois as porem num qualquer "mealheiro" longe das vistas e dos corações.
Saturday, October 03, 2009
Friday, October 02, 2009
E Agora?!
Fiz esta fotografia há exactamente 5 anos. Decorria a campanha para as eleições legislativas de 2004 e eu estava em Braga.
Nessa altura o "Bloco" era "pequenino", Louçã marcava a diferença pela postura séria, pela retórica inteligente, por colocar o partido que liderava como uma opção válida para a esquerda democrática menos acomodada aos "vícios" do Partido Socialista ou à ortodoxia opaca dos comunistas.
Entre os meus registos fotográficos desse dia estão alguns que ilustram bem o modo simples, quase simbólico, como a campanha do Bloco de Esquerda (B.E.) decorria na grande praça da cidade. Uma mesa posta na rua e meia dúzia de jovens com ar sofrido, mas militante, esforçavam-se por distribuir panfletos e "frases feitas" aos pacatos cidadãos que por ali passavam nessa tarde soalheira.
Entretanto o (B.E.) foi crescendo e, como uma criança que não recebeu o carinho dos pais, tornou-se agressivo, intolerante, (irrascível) e violento.
Louça perdeu a compostura e, muitas vezes, sobretudo neste último ano, fez da Assembleia da República uma espécie de palco onde, no lugar da retórica perspicaz e oportuna expeliu ódios, insinuações e insultos distintos...
Transfigurado em "Pit Bull" de Blazer, garras cravadas na nobre madeira do varandim da sua bancada, dirigiu invariavelmente a sua raiva contra o mesmo homem - Sócrates - enquanto ali e por fora não escondia patéticas piscadelas de olho a Manuel Alegre.
Na campanha eleitoral que precedeu as legislativas deste ano, nomeadamente nos debates que decorreram, entre candidatos, na televisão, Louça não teve arte nem engenho para disfarçar o indisfarçável ; as suas profundas raízes bem fundadas na extrema-esquerda.
Pior, ficou claro para quem quis ver com alguma equidistância, a utopia, quase anarquista, daquilo a que o (B.E.) tem a audácia de qualificar como "Programa de Governo".
Mas o Bloco saiu reforçado das eleições. Não por ter convencido os portugueses que nele decidiram votar mas por ter acolhido grande parte da "desilusão" dos socialistas.
E agora?!
Sócrates tem um governo minoritário e está objectivamente fragilizado.
Por certo, a menos que o "pânico" lhe apague o Sentido de Estado, o (B.E.) não fará parte das suas contas de somar...
Restam-lhe duas opções: governar em minoria e ver as suas principais reformas (e alguns dos seus compromissos já assumidos internacionalmente) chumbadas, ou (tendo como certo que o Bloco Central está fora de causa) virar à direita e alinhar com Portas.
Qualquer dos cenários é preocupante...
A ver vamos.












