Friday, July 08, 2011

Era uma vez um "Menino Bom" que levou um "Murro no Estômago"

(Ilustração: Net)


O Menino Bom
O menino bom sentava-se na primeira fila da sala para ver e ser visto pelo (a) St'ôr(a).
O menino bom dava-se apenas com os (poucos) meninos bons da sua classe.
O menino bom gostava de agradar aos pais, aos avós e, sobretudo, aos professores.
O menino bom gastava apenas o dinheiro necessário para a senha do almoço e para o lanche.
O menino bom fartava-se de "marrar" e tinha sempre, por isso, excelentes notas.
O menino bom passou no exame com um admirável aproveitamento. Não houve, nesse ano, mais nenhum(a) menino(a) se aproximasse, sequer, das altas notas do menino.
Nas férias, o menino bom, ao contrário dos seus colegas que foram para a praia e ao cinema, fez "a correr" todos os trabalhos de casa e estudou a matéria que ainda estava por dar.
Quando o ano começou o menino bom levou um "MURRO NO ESTÔMAGO"... A matéria tinha mudado e os professores já não eram os mesmos. Tanto empenhamento para o "LIXO"! clamaram os pais do menino.
O menino bom ficou desapontado com a maldade que lhe haviam feito. No primeiro teste do novo ano o menino bom teve a pior nota da sua vida. Culpou os professores, a escola e até os pais por não o terem avisado dos riscos que corria em fazer "olhinhos bonitos" aos seus professores.
Os outros meninos, excepto aqueles meninos (também) bons, habituados a passar "À RASCA" rapidamente se afastaram dele e, não disfarçavam os sorrisos maliciosos sempre que o menino bom por eles passava, agora de olhos postos no chão.
Os meninos bons, amigos do menino bom, logo se afastaram do cantinho do recreio onde, antes, os bonzinhos se reuniam, com medo do contágio da desgraça que tinha caído sobre a cabecinha do seu amigo.
Moral da história: O menino bom, apesar dos seus inegáveis esforços, não conseguiu convencer ninguém e, pior, o seu comportamento foi visto pelo Director da Turma com muitas reservas...

Tuesday, July 05, 2011

Oeiras, Festa Comemorativa do 50º Aniversário do Coro de Sto. Amaro de Oeiras

(Actualização: 07/07/2011)

KUSSONDULOLA * Brilhou no palco (e fora dele, interagindo com o público). Foi um dos grandes momentos da festa sobretudo quando cantou a famosa "Dançam No Huambo".
Não foi fácil fotografar este meu "patricío" nas condições de luz que existiam. Assim como ele tive de dar o "máximo" para conseguir o foco desejado...
Quem ler a descrição com que precedeu esta série e este post reparará que hoje não respeitei a ordem das actuações que ali referi. Talvez porque hoje não me apeteça respeitar nada.



"Dançam no Huambo"

Pim pam pum, cada bala mata um
Lá em cima do Huambo
Tem um copo com veneno
Quem bebeu morreu
Quiribi, quiribi macaco
Macaco que é boa
Ei cota Silva o rapaz
Até nem tem a culpa
Tem pai que é retornado
Tem pai que é refugiado
Ilegal disfarçadamente ilegal
Ilegal disfarçadamente ilegal
Fazem reuniões
Fazem debates
Adis-Abeba
Lusaka , Lusaka
Cambas da luz e do dia
Não pertencemos nem á noite
Nem á esciridão
Pòu,póu,póu
Póu,póu,póu
Dançam no Huambo
Andanças de guerra
Bombardeiam sem parar
Sou um escravo fugitivo
A minha alma está no meio
O filho do homem negativo
Ei costa silva legaliza
A situação do rapaz
Filho do homem negativo

(Kussondulola; Composição: Janelo da Costa)






* Kussondulola é uma banda de reggae angolana residente em Portugal. O líder da banda é o angolano Janelo da Costa.

Em 1995 lançaram o seu álbum de estreia. O disco incluía sucessos como "Dança No Huambo" e "Perigosa", entre outros.

O grupo toca em Vilar de Mouros, lança o disco em Espanha e vence o Prémio Banda Revelação dos Prémios Blitz

Discografia:

(Fonte: Wikipédia)


(Post: 03/07/2011)

Teve lugar em Oeiras, no Largo 5 de Outubro (Largo da Igreja), a Festa de Comemoração do 50º Aniversário do Coro de Santo Amaro de Oeiras.
O Programa da Festa era extenso, começando com diversas actividades logo pelo início da tarde, mas foi à noite que, apesar do frio que se fez sentir, a festa animou com a actuação dos seguintes intervenientes (por ordem):

- Rancho Folclórico da Associação Cultural de Tercena;
- Canta e Dança;
- Luís Sousa;
- Nuno Norte;
- Kussondulola;
- Dança - Coreografia de Liliana Vitorino
- Kussondola
- Coro de Santo Amaro de Oeiras.

A série de fotografias que se seguirá, durante uns dias, reporta-se aos momentos que ali (vi)vi.
As fotografias, todas nocturnas, foram todas captadas com a minha CANON EOS 50D e uma única objectiva: EF 135mm, 1:2














Fotografias: GAD. Oeiras, Julho 2011
Proibida a reprodução. Todos os direitos reservados

Monday, June 27, 2011

"T.M.A." - Teatro Municipal de Almada - " TEATRO AZUL"

Um vídeo do Novo Teatro Municipal de Almada do qual sou co-autor.

O projecto mais complexo que já fiz e a obra mais importante para a minha formação. Cinco anos intensos "agarrado" a este sonho...
Espero que gostem tanto como eu.


Thursday, June 23, 2011

Da Minha Varanda


Fotografia: Gad. Cedofeita, Porto 2011



DA MINHA VARANDA

Dentro de mim o meu Mundo
Criei nele a minha varanda
O sol lhe dá desta banda!?
Em manhãs de fulgor, brilhante profundo.
Nas tardes de Outono nela me sento
No silêncio, já não encontro nada
Sinto o apertar do tempo, atento.
Ouvindo meus suspiros, eu cansada.

Aqui ouço o tempo varrendo os estilhaços
Mas deixo-me ficar no melhor da memória
Lembrando outros tempos, outros abraços
Já que dos fracos não reza a história.

À noite abraço-me à Lua
Às estrelas livres e esfusiantes
Quer o dia nascer e ela amua!
Deixo ficar a noite mais uns instantes.
Logo aparece a vida que me quer derrubar
Quero ser cotovia cantar até ao amanhecer
Não venha ela meus dias me roubar!
Neste Mundo meu, pronto a me acolher.

Cantarei estrofes ardentes
Da minha varanda até me cansar
Cânticos que serão torrentes
Até o Mundo, em Mundo novo se tornar.

Depois? Depois podem dizer que morri!
Até, que tive da Vida, mais que mereci.

(rosafogo)
[http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=107495]



Tuesday, June 21, 2011

"Vítimas da Podridão"

Percorrer a Santa Catarina no Porto, mais do que um hábito, tornou-se para mim numa necessidade, sempre que visito essa cidade onde já (há muito) estudei, vivi e trabalhei.
Para além dos ícones comerciais que a celebrizaram são sobretudo as pessoas, de uma enorme diversidade sociocultural, que lhe dão vida, num vaivém estonteante muito característico de ruas e cidades mais cosmopolitas, onde as ruas e as praças são locais de celebração da vida.
Para um fotógrafo, Santa Catarina é um "Mundo",em constante metamorfose, sempre por descobrir.

Nesta minha recente "investida" por essa rua deparei-me, a certa altura, com um trio de homens já "maduros", sentados à beira de uma montra, a tocar viola e a cantar uma música com a sobrecarga de energia que uma garrafa de tinto lhes ia dando.
Desse trio "barulhento" um destacava-se, referenciando-os culturalmente, (sobretudo pela crista de cabelo com(gel)ado), à Cultura Punk.
Impelido pela curiosidade e pela oportunidade aproximei-me, como sempre faço, sem qualquer hesitação ou temor. A experiência ensinou-me que o "descaramento" me proporciona, (regra geral) uma abordagem natural e relativamente cúmplice.
Disparei a primeira vez a "meia-distância", mas suficiente para não lhes transmitir qualquer sentimento de repulsa.
O homem mais exuberante fez de imediato o gesto que eu esperava; apontou para a caixa da viola que estava no chão, aberta para "recolha de fundos".
Um aceno meu e o tradicional gesto de "OK!" selaram o pacto que, a partir daí me abriu as portas para uma conversa animada e, acima de tudo, para mais uma experiência humana e fotográfica enriquecedora.
Acerquei-me do grupo, sentei-me junto deles e saiu-me uma primeira pergunta: Então o que é que acham disto? O "isto" era, para eles, como é agora para toda a gente (com ou sem crista) uma referência óbvia à situação em que o País (sobre) vive.
_ Uma g'anda merda! Respondeu ele prontamente e, momentos depois apresentou-se como “Nelo Punk”.
_ Pois é... Uma g'anda merda!, assenti sem qualquer "favor".
Apresentações feitas (para além do Nelo Punk de 45 anos, ali estava o "A Guitarra", de 47 e o mais velho de todos - o Corrilho - que já conta 60 embora, quanto a mim, não pareça.
As pessoas iam passando. Algumas, ao ver tão insólito "quarteto", atrasavam ligeiramente o passo, seguindo de imediato os seus destinos.
Interroguei-me, várias vezes, sobre o que iria naquelas cabeças que por ali passavam.
Se em muitos casos era perceptível a costumeira repulsa, (fundada em preconceitos e/ou ignorância), por aqueles que assumem as suas diferenças e "gritam a sua revolta", noutros casos, senti que era eu, de "canhão" em punho, o motivo da curiosidade.
Entre nós a conversa fixou-se na música, tão própria e característica do "Punk Rock" - simples, com 3 ou 4 acordes, e com uma letra onde são explícitas, com um tom agressivo, ideias anarquistas, Niilistas e revolucionárias.
O tema denominava-se "Vitimas da Podridão", um original de uma banda punk brasileira: Os "Calibre 12".

Não resisti a tomar nota dessa música que acabou por dar o nome à série de fotografias que se seguirá:


"VÍTIMAS DA PODRIDÃO"

"Vivemos numa sociedade onde não temos direitos;
Apenas obrigações.

Enquanto crianças morremos de fome;

Sustentamos políticos ladrões;

Somos vítimas da podridão
porque vivemos na merda do sistema.

Queremos apenas liberdade;
O estado é o nosso maior problema.

Não damos o nosso voto a qualquer espécie de parasita,
pois qualquer político não passa de mais um carrasco fascista.

Não queremos governo;
Queremos apenas liberdade para viver;
Por isso abolimos qualquer espécie de poder."


Para o Nelo Punk, o A Guitarra e o Corrilho um abraço solidário e um obrigado sentido pelos momentos que juntos passámos.
Para quem discrimina ou se sente superior a pessoas como eles, identificando-os ignorantemente com outros fenómenos sociais como o racismo ou a extrema-direita, um conselho apenas: procurem aprender in(formando-se); o "Saber" não ocupa espaço e evita lamentáveis mal-entendidos







Fotografias: GAD. Porto, 2011

Friday, April 22, 2011

Fotografia: Gad. Oeiras, 2011


Pela estrada desce a noite
Mãe-Negra, desce com ela...

Nem buganvílias vermelhas,
nem vestidinhos de folhos,
nem brincadeiras de guizos,
nas suas mãos apertadas.

Só duas lágrimas grossas,
em duas faces cansadas.

Mãe-Negra tem voz de vento,
voz de silêncio batendo
nas folhas do cajueiro...
Tem voz de noite, descendo,
de mansinho, pela estrada...

Que é feito desses meninos
que gostava de embalar?...
Que é feito desses meninos
que ela ajudou a criar?...
Quem ouve agora as histórias
que costumava contar?...

Mãe-Negra não sabe nada...
Mas ai de quem sabe tudo,
como eu sei tudo
Mãe-Negra!...

É que os meninos cresceram,
e esqueceram
as histórias
que costumavas contar...
Muitos partiram pra longe,
quem sabe se hão-de voltar!...

Só tu ficaste esperando,
mãos cruzadas no regaço,
bem quieta bem calada.

É a tua a voz deste vento,
desta saudade descendo,
de mansinho pela estrada...

(Alda Lara)


Dedicada a todas as "mães-negras" independentemente da cor que tenham.

Saturday, April 16, 2011

FOTOGRAFIA

Fotografia: Gad. Salamanca, 2010

5 PEQUENOS DESENHOS INTROSPECTIVOS SEM TÍTULO NEM NADA




Gonçalo Afonso Dias
Técnica mista sobre papel. (20x15cm). Março 2011

Bom fim-de-semana !

Fotografia: Gad. Oeiras, 2011

Wednesday, April 13, 2011

TAHIR

Esmalte sobre MDF, caixa de corte em alumínio, madeira maçiça de jatóba (1,10 x 0,42m)

Fevereiro 2011


Detalhe 1


Detalhe 2




Este trabalho foi sugestionado pela transmissão, em directo, na televisão, a partir da Praça Tahir (Cairo) no dia 2 de Fevereiro, onde ocorreram confrontos violentos entre os revoltosos e os apoiantes de Mubarak.
Para além do ambiente tenso, Impressionou-me o aspecto "gráfico" dessas imagens; uma praça rectangular, ocupada nos extremos por "irmãos" que se agrediam violentamente. Entre eles, uma "zona de ninguém" sobre a qual "voava" a raiva de ambas as partes.
Na periferia, os militares assistiam, aparentemente imparciais, ao conflito.
Seguiram-se 18 dias de mobilização pressionante e obstinada dos oponentes ao regime prepotente de Mubarak, que acabou por ser derrotado.


Eles (F.M.I.) "andem aí"...

Fotografia: Gad. Santo Amaro de oeiras, 11 de Abril de 2011

Thursday, March 24, 2011

De PEC (ado) em PEC (ado).

Ontem, dia 23 de Março de 2011 o (PEC) ado nº "4" foi chumbado na Assembleia da República.
Esquerda e Direita associaram-se para que a tão anunciada Crise Política acontecesse.
Tenho assistido, como todos os portugueses, à autêntica demonstração de irresponsabilidade e de falta de respeito pelos valores fundamentais de um Estado de Direito que tem ocorrido nas últimas semanas.
O Primeiro-Ministro vitimiza-se ("tadinho") e o "outro", o que está na "pole position " para açambarcar o Poder, tenta passar, sobretudo pela comunicação social, uma imagem de "estadista" que não se compadece, nem com a sua falta de carisma, nem com a sua aptidão de político de (extrema) direita.
Não me apetecia escrever nada disto. Apenas o faço por "lealdade" ao meu blogue, onde venho registando, ao longo dos últimos anos, aquilo que me parece historicamente relevante.
E, não tenhamos dúvidas; Portugal vive presentemente um dos momentos mais críticos da sua História.
A culpa não é, por muito que se insista, da Crise Económica Internacional.
A verdadeira crise, no nosso país é de inteligência, de criatividade, de cultura...
Temos, à frente das grandes decisões políticas, gente inculta, obcecada pelo poder e exaltada por fugazes protagonismos.
Temos, agora e depois da esperada demissão de Sócrates, um futuro tão sinistro como sinistros são os seus actores.
Tínhamos um mau Governo, uma má Oposição e um mau Presidente da República.
Continuaremos a ter um mau Governo, uma má oposição e um obscuro Presidente da República
E, no meio disto tudo, atordoadas, confusas e incrédulas estão sobretudo aquelas pessoas por quem se devia ter o maior respeito - os idosos, os desempregados, os que estão, irremediavelmente, perdidos na vida.

Thursday, March 10, 2011

O "Guarda-Costas" ou, há "coisas" que não correm bem...

Fotografia: Gad. Cascais, Fevereiro 2011


Em meados de 2007, quando conheci o projecto (da autoria do ilustre arquitecto Gonçalo Byrne), que iria ser executado no lugar do "saudoso" Hotel Estoril-Sol (E-S), AQUI publiquei um post onde dava conta (humor precisa-se...) do sentimento que me revoltava por me sentir "plagiado" uma vez que, desde pequeno (9 meses) tinha um projecto semelhante, com maquetas e tudo...

O tempo foi passando e assisti com sentida revolta à demolição daquele que eu considerava um belo edifício, referência consolidada na linha da Costa de Cascais.
O "desgraçado" - O antigo edifício - foi humilhado até ao limite... travestido em "não sei o quê", pintado com todas as cores da escala da CIN, tapado com telas publicitárias de duvidoso gosto, e por fim abatido sem dó nem piedade.

Pelo meio, ouvi falar de intrigas, esquemas e concessões que envolviam a Câmara Municipal de Cascais, o Casino do Estoril e o seu "Padrinho", uma ajudicação "gamada" a outro ilustre da nossa praça, etc. Tudo mentira, é claro.

Hoje que o "Crime" está feito tenho muita pena...;
Entendo que o arquitecto Gonçalo Byrne perdeu uma excelente oportunidade de fazer uma obra notável.
É evidente que não conheço os pressupostos nem as "linhas com que teve de coser esse projecto".
Ainda assim, e mesmo fazendo um esforço por esquecer o antigo Estoril-Sol, custa-me muito olhar para ali...
Em relação ao que os desenhos e, sobretudo às tendenciosas e sedutoras imagens "3D" que foram então divulgadas, o resultado final - a obra - ficou (na minha opinião) acanhada, empastelada, triste.
O Arq. Byrne que não leve a mal. Nem tem que levar. Digo eu.

Nota: O título deste post tem apenas a ver com a fotografia que o ilustra... Nos dias que correm convém esclarecer... digo eu, outra vez.

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A História do (E-S) num artigo muito interessante de Luís Filipe Sebastião http://jornal.publico.clix.pt/notici...6566&sid=12913