Sunday, June 04, 2006

fotografia


"Bailado" Praia do Estoril, 2004

Arquitectura [esquissos]


Esquisso para uma casa de férias, Luanda, 2005

Saturday, February 25, 2006

arquitectura - "contaminações"

Este post tem como motivação uma fotografia que tirei recentemente (2005) a um "grafiti" inscrito num edifício "meu", obra concluída em 1995 após o primeiro prémio de um Concurso Público lançado em 1991 para esse efeito que conquistei em parceria com a Arq. Daniela Antunes.
É um pretexto para abordar a possível comunhão entre a arquitectura e outros "ofícios" ou mesmo para questionar a capacidade que as obras têm de "aguentar" intervenções fortuitas, gratuitas ou imprevistas, próprias da passagem do tempo por elas.

Contou também, na fase do Projecto de Execução, com a valiosa experiência e aplicação do meu colega, arquitecto e amigo, Paulo Albuquerque.

As Residências de Estudantes do Instituto Politécnico de Coimbra [I.P.C.] - R1/R2 são um conjunto de dois edifícios semelhantes com uma capacidade total de 200 camas e localizam-se em S. Martinho do Bispo (Bencanta) ao lado da Escola Agrária.


Têm como “vizinho” mais relevante, do lado Sul, o cemitério local. Entre os dois existe uma estreita Ladeira (Ladeira do Saramago) onde estão ancorados os túneis em ponte que supostamente serviriam como acesso alternativo ao conjunto dos edifícios a partir das suas coberturas (que foram pensadas como espaços semipúblicos), o que na prática nunca funcionou por razões de gestão interna do Instituto que me ultrapassam.

Essas pontes em túnel, transformaram-se, por isso, (sobretudo após a "mutilação que lhes fosse feita na sequência de uma irresponsável imposição da Câmara Municipal de Coimbra [C.M.C.] ao I.P.C.)* numas entradas para "lado nenhum", ou, quiçá, para o "desconhecido", como o são sempre, para mim, as entradas para os cemitérios.

*A C.M.C., na altura não compreendeu que os limites do terreno foram "encurtados" pelo projecto, cedendo, desse modo uma faixa de cerca de 50 cm ao espaço público, para que os topos dos referidos "túneis em ponte" pudessem ficar salientes da vedação que conforma o lote (também imposta).
Para repor a “sua legalidade" a (C.M.C.) mandou amputar esses 50 cm às pontes já construídas, aniquilando (entre outras coisas) a lógica da modulação das chapas galvanizadas do revestimento...


Agora isso pouco importa. Não adianta "choramingar".
Ficou assim, e ponto final.
Este conjunto de edifícios está presentemente na fase final da sua primeira operação de conservação e recuperação. Algo pouco comum e que é de registar com muito agrado, num país onde normalmente só se cabimentam verbas para as obras, caindo depois no esquecimento a evidência de que as construções, (tal como as pessoas e os animais), "respiram", envelhecem, adoecem e carecem de "cuidados médicos" regulares.
No caso dos edifícios, uma pintura de dez em dez anos e uns "pensos rápidos" são o q.b. para manterem a sua "qualidade de vida", a sua dignidade, e também a dignidade de quem os promove.

Além dos arquitectos já nomeados que comigo tornaram possível este projecto, contámos com a participação do artista plástico português - João Louro, hoje um valor relevante interventivo e reconhecido internacionalmente no mundo das Artes Plásticas. Na altura (91) também a construir tranquilamente as bases para a sua carreira).
A participação ou a "contaminação" dos projectos que coordeno, por pessoas de diversas áreas (fora circuito fechado das relações ; cliente/arquitectos/engenheiros têm sido um processo corrente na minha pratica profissional.
Entendo que esses olhares, mais isentos e menos "viciados", são uma mais valia para o resultado final do trabalho, do mesmo modo que o são as nossas intimas experiências de vida, enriquecidas por tudo aquilo que vemos, lemos ou pelo que "passamos".
O caso particular da participação de artistas plásticos depende em grande parte dos desejos e objectivos para cada projecto.
Não é uma regra.
Contudo, quando acontece (como neste caso ou nas Residências do I.P.C. mais recentes - as R3, cor de laranja, no vale das Flores, no Pólo II da Universidade) a participação deste membro da equipa (o artista plástico) é entendida de um modo integrado, i.e.: não se resume à reserva de uma ou mais paredes para "pendurar uns quadros", mas a uma participação contínua e presente em todas as fases decisivas da concepção.
As obras de arte que ficam nos edifícios encontram, por isso, o seu espaço natural e a sua motivação muito antes de serem concretizadas.


Nestas residências, para além de uma participação critica e activa em aspectos que tinham a ver com a expressão plástica dos edifícios (equilíbrio de cores, por ex.) João Louro concebeu 2 painéis diferentes - um para cada residência), em tela, com o comprimento total das salas de convívio, onde através de uma "reciclagem" de figuras de banda desenhada muito características e reconhecíveis da época "pop" transmite aos jovens habitantes destas casas, de um modo inteligente e divertido, artigos fundamentais da Constituição Portuguesa - textos pouco conhecidos (a Constituição não será propriamente o livro de cabeceira preferido de um (a) jovem de 20 anos...) mas de conteúdo muito adequado, sobretudo se comunicado de um modo mais criativo e apelativo).


Também aqui cabe uma referência ao Politécnico de Coimbra, que tem vindo a acolher com entusiasmo esta fusão entre artes (voltámos a consegui-lo nas R3), "encaixando" com muito esforço, nas escassas verbas que o Ministério da Educação disponibiliza para a construção destes equipamentos, os custos inerentes à concepção, realização e montagem dessas obras.
fotografia da autoria de Fernando e Sérgio Guerra
As R3, compostas por 5 edifícios, têm um conjunto de 25 painéis diferentes em chapa de alumínio serigrafada (5 por residência) também de João louro, inspirados nos grafittis de New York.
fotografia da autoria de Fernando e Sérgio Guerra

Esta prática, que se vem consolidando, começa também a ser uma espécie de "imagem de marca" da instituição que só a valoriza culturalmente.

Voltando ao mote deste post:
Quando me deparei, numa ocasional passagem pelas R1/R2 (de vez em quando visito os meus "filhos de betão") com este curioso e simultaneamente assustador (dado o contexto/proximidade ao cemitério, fiquei agradavelmente surpreendido.
Afinal, tantos anos depois, a obra ainda "mexia" e suportava intervenções que, na minha opinião em nada a prejudicam. Este trabalho espontâneo de um autor desconhecido integrou-se plenamente no suporte cúbico em chapa, virado para o cemitério, e retirou dessa forma e desse contexto o melhor partido.

Tudo farei para a sua preservação junto do meu cliente. O meu maior receio é que, mais uma vez, a C.M.C. "reponha a legalidade" com um balde de tinta branca texturada e um rolo barato comprado no AKI.

Thursday, February 09, 2006

desenho urbano


Registos de uma viagem num dos (quase extintos) eléctricos de Lisboa.
esferográfica sobre papel.

Tuesday, January 31, 2006

desenho/ escultura


"st-pq" (sem título, por enquanto.)
Começou por ser um desenho. Há muito tempo.
Depois, ganhou volume, passou para uma outra dimensão.
Os rostos têm vindo a se esculpidos com camadas sucessivas de gesso estruturado por cordel de sapateiro.
Os olhos são de vidro, restos de um colar da minha caixa de "relíquias".
Por trás, um dispositivo luminoso, com sensores comprados na loja dos 300 , vai "acordá-los" quando a penumbra se instalar. (já ensaiei e funciona mesmo...)

À noite será outra "coisa". Parecerão fantasmas vigilantes.
É grande (1,50 x 1,00m). não está acabado e nem sei se me apetece acabá-lo.
Acaba por ser também um capricho não o acabar.
Sou o meu cliente. Não assinei um contrato com prazos, como tenho de fazer na minha profissão de arquitecto.
Entrego-o a mim mesmo quando ambos estivermos fartos um do outro.
Acaba por ser uma "terapia" não ter de o acabar.
Não tem um título definitivo. estou à espera.
Gesso sobre cartão (1,50 x 1,00m) 2005/...

Tuesday, January 17, 2006

"Arte Oferecida"


"Autor Desconhecido", Figueira da Foz, 2005

A generalidade das pessoas que passam nesta recôndita ruela periférica à cidade nem repara nesta precária vedação de uma humilde propriedade.
Contudo, com um "olhar" um pouco mais atento e disponível percebe-se o elevado grau de criatividade e de improvisação do seu autor.
Numa Galeria de Arte Contemporânea, seria rotulada como uma (tão na moda) "Instalação" e daria, com certeza, lugar a complexas e elaboradas divagações teóricas.
Para quem gosta de arte, a rua é, porventura, a mais completa das galerias.
Para mim e para a "minha" arquitectura, muitas destas obras efémeras (um dia lá irá o "Poder Local" obrigar à sua substituição por um muro imaculado com contadores embutidos) podem ser mais inspiradoras e didácticas do que uma prateleira atafulhada de revistas da especialidade.

Sunday, January 15, 2006

fotografia

"Xadrez" #01

Primeira experiência com uma longa série de fotografias que captei durante os meses de Maio e Abril de 2004.
Nessa altura, estava no início da reabilitação de um AVC que me "apanhou" subitamente no dia 12 de Dezembro de 2003.
Impossibilitado de exercer a minha actividade profissional, encontrei na minha janela e na pequena "G5" (montada num tripé e a funcionar com o disparador automático), uma das motivações para principiar o "caminho de regresso" e abafar a revolta que nesses tempos me espartilhava.
Ficaram as fotografias, muitas. (já conhecia de cor a rotina de grande parte dos meus "alvos"...).
Passados dois anos, olho para estes "bonecos" e sinto a alegria de fazer, de novo, parte das peças deste jogo de regras estranhas, a que nos habituámos a chamar de vida.

Saturday, January 14, 2006

desenho


Palácio da Rosa, Lisboa
Esferográfica sobre papel (30x20cm)

arquitectura - Sede de uma empresa de segurança privada em Luanda. 2004/...




Projecto para a sede de uma empresa de segurança privada em Luanda (Securitas-Angola).
O Terreno insere-se na actual área de expansão da cidade (Luanda sul / Talatondo).
O programa deste edifício é ambicioso e complexo; para além de albergar todas as funcionalidades administrativas de uma grande empresa em franco desenvolvimento, integra um corpo de formação de seguranças (salas de aulas, auditório, carreira de tiro) e uma zona ampla destinada à habitação permanente dos seus técnicos e directores.



Um sítio virgem "impressionado" pela terra vermelha e pela presença pontual dos Embondeiros, actualmente sem quaisquer referências urbanas consolidadas.
Um dos desafios deste trabalho consistiu na criação de um edifício que respondesse ao programa e simultaneamente pudesse constituir uma possível (futura) referência deste, por enquanto, "não sítio arquitectónico".
A implantação em "S" distribui as diversas funções em corpos autónomos, gerando amplos pátios interiores, lúdicos (no caso das habitações ) e funcionais (relacionados com as valências mais técnicas).
As rampas frontais em "X" basearam-se no "pretexto" da acessibilidade obrigatória para deficientes, para se assumirem como uma peça plástica referencial do conjunto.
O desenho do pavimento da cobertura do edifício será objecto de um trabalho a desenvolver em parceria com um artista plástico Angolano.

Colaboração: Susana Alvarez, Pedro Paula Santos (arquitectura) e José António Aires Pereira (maqueta).

Thursday, January 12, 2006

arquitectura [esquissos]


Estudo para um volume destinado a albergar uma portaria e um posto de transformação.
Residências de Estudantes do Instituto Politécnico de Coimbra (R1/R2), S. Martinho do Bispo, Coimbra.

Saturday, January 07, 2006

desenho


"incompleto"
Gouache sobre cartão, 70x60cm

Thursday, January 05, 2006

fotografia


"periferia", Luanda 2004

Wednesday, December 28, 2005

desenho



"auto-retrato sem óculos"
marcadores sobre papel quadriculado
(30x20cm)
Benguela, 2004

Tuesday, December 27, 2005

PROTÓTIPOS "I(LUSTRE)"

i(lustre)
Candeeiro de tecto
"Reciclagem" de um cinzeiro em inox, cordões de agrafos e instalação eléctrica corrente. Diam:15cm, altura: (variável, dependendo do nº de agrafos que se quiser gastar (neste caso 675)


Dezembro 2005


(i)lustre em descanso


(i)lustre em actividade (60W)

Pormenor

Sunday, December 25, 2005

PROTÓTIPOS "VERDADE"

"Verdade"
Aplique. Corpo com circolux fluorescente e arrancador incorporado, cúpula em vidro pintado a tinta acrílica negro mate. Diâmetro: 27cm.

Dezembro 2005

Saturday, October 22, 2005

arquitectura - edifício de habitação e comércio, Lobito, 2004/...

Este projecto constituiu a minha "reconciliação" com a pratica da arquitectura, após um afastamento de largos meses, provocado por um acidente Vascular Cerebral(AVC) que sofri no dia 12 de dezembro de 2003. É, por isso, para mim, e em primeiro lugar um projecto de um enorme simbolismo.

Por outro lado, surgiu como uma provocação/teste às minhas "reabilitadas" capacidades para o trabalho.

Por fim, constituiu uma proposta irrescusável para o tão desejado regresso à cidade que marcou toda a minha infância; o Lobito, em Angola.










"REGRESSO A CASA"

Quando fui convidado para este projecto, na "minha terra" e ainda por cima num gaveto com a rua em que vivi nos últimos anos da minha permanência nessa bela cidade,
(os primeiros vivi-os na "Restinga"), não hesitei em meter-me no avião para ansiosamente vencer as 7 horas e meia que me separavam desse destino; Angola!



Projecto:

Tratava-se de um programa simples; um edifício de habitação (2 apartamentos) e de comércio (uma agência de um Banco) que promoveu toda a construção.



Importava, portanto, que o edifício tivesse um "ar" institucional, já que, na realidade irá funcionar como a representação dessa instituição Bancária na região e mais concretamente na Cidade do Lobito cuja importância esteve, desde sempre, associada ao seu grande Porto, à fábrica dos cimentos, e ao caminho de ferro que nele converge, conferindo-lhe uma posição estratégica no território Africano.



Nesse mesmo quarteirão, entre os muitos e sempre criativos edifícios de habitação
sobressai um dos 3 Mercados Municipais (Luanda, Lobito e Benguela) cuja autoria é atribuída ao grande Arquitecto Português Vasco Vieira da Costa.
Verdadeiramente, e tanto quanto sei (e consta na documentação de que disponho), só o Mercado do Quinaxixe em Luanda







No caso deste um gaveto, era importante conseguir uma transição equilibrada das cérceas de altura distinta (2 para 3 pisos) dos dois edifícios conformam o lote, até há pouco tempo ocupado por construções extremamente precárias e degradadas.




Contudo, no interior desses edifícios, resistiam duas actividades muito nobres : Um Centro de Formação de deficientes e uma Creche, ambos sem electicidade ou água potável.

Na primeira visita que fiz ao local, fiquei simultaneamente chocado e emocionado.
Chocado, pelas degradantes e quase inexistentes condições de salubridade em que aquelas pessoas viviam e trabalhavam;
Emocionado pela forma simpática e pela disponibilidade que os seus olhares meigos me transmitiram.
Senti um arrepio, vi nesses olhares em vez de rancor, esperança e coragem. Pensei nos meus "pequenos males" e senti-me, nesse instante, muito "pequenino".
Mais tarde, depois de descrever essa realidade à administração do Banco (já que o edifício condenava à demolição essa miserável mas preciosa "gruta", os dois administradores fizeram questão de ir propositadamente falar com essa gente e sentir o que eu senti. E sentiram, e reagiram. Era natal e a melhor das prendas para eles foi sentir essa cumplicidade.
Ficou assente em todos nós, que antes de mais, era essencial realojar condignamente aquelas almas.



Legalmente, poderiamos ali erguer um bloco com 4 ou 5 andares. No entanto considerando a envolvente e o equilíbrio que pretendia manter, propus ao promotor, com esses e outros argumentos estéticos, que nos "ficássemos" pelos 2 pisos, criando um pequeno corpo num segundo plano, mais recuado (para não interferir com o alinhamento desejado) que albergará eventualmente o apartamento do futuro gerente da agência do piso térreo.


Os apartamentos foram desenhados para corresponder ao modo de vida dos seus previsíveis destinatários.


A empena "cega", virada para a engenhosa "colina da Saudade" virá a ser totalmente preenchida por um enorme "outdoor", com a imagem do bancomuito bem conseguida e apelativa.
A Colina da Saudade é de um engenho notável: sob ela passa em túnel, o caminho de ferro que parte do Porto, enquanto à superfície resolve eficazmente todo o sistema viário principal, em dois eixos estruturantes e paralelos de sentido único (uma espécie de circuito fechado).
A faixa central desta "falsa montanha" de largura generosa, foi dedicada exclusivamente aos peões, que assim rapidamente passam da baixa da cidade (O bairro da restinga) para o centro de comércio (O bairro da Caponte).





O Projecto de Execução pouco alterou o conceito do projecto inicial. Consolidou-o, depurando-o, defendendo a desejada qualidade de construção através das habituais "resmas" de desenhos nas diversas escalas que são sempre a "autoridade" do arquitecto na relação com a sua obra e com os distintos interesses dos principais intervenientes (Dono da Obra, Construtora, Fiscalização).



As condicionantes mais pragmáticas decorrentes do contexto para onde se projecta, (as dificuldades infraestruturais; a estabilidade da energia eléctrica que implica sempre um inevitável Gerador, a climatização, a segurança,a dificuldade de meios para executar caprichosos pormenores, foram realidades que a Equipa Projectista levou necessariamente em consideração, num diálogo permanente com os técnicos locais que conhecem profundamente o terreno e sabem como ninguém "agilizar os processos".