



Arquitecto fotógrafo e pintor + tudo aquilo que me apetece fazer, não necessariamente por esta ordem.

Enhorabuena Camacho!

Aos donos da casa, tanto fazia… Viviam assim há longos anos e o que desejavam era “deixar alguma coisa para os dois filhos”.
Foi a base do programa para esta obra: Conservar a fachada, remodelar o restaurante e a loja do Rés-do-chão e fazer duas casas novas no primeiro andar (Uma para a filha e outra para o filho) idênticas, independentes, tirando o maior proveito possível do enorme terreno nas traseiras, ao nível desse piso, orientado para Poente.
As casas tinham um programa corrente, arrumado de forma a relacionar a sala e a cozinha com o pátio traseiro e os quartos para o lado da rua.
No piso superior propunha uma sala polivalente com uma casa de banho privada que tanto serviria para os hóspedes como para as brincadeiras dos netos.
Esses espaços comunicavam e estendiam-se para um grande terraço.




E os detalhes na escala 1:1?! “Conta-me outra anedota…”! Claro que, num contexto já duro, onde as relações estavam fragilizadas, nem existiam em obra.
A bela guarda metálica da escada interior para o piso dos quartos (arrancando duma zona de pé direito duplo da sala) que tantos esquissos proporcionaram, foi transformada numa nobre e segura balaustrada em madeira escura.

Aquelas “alhetas” que separam os tectos das paredes foram recriadas numas sancas de esferovite, muito mais fáceis de executar. A delicada estereotomia em pedra de relativa dimensão que revestiria o pátio “abstractizou-se” na tão tradicional “sopa de pedras”. Até gosto...
A “gota de água” caíu quando o Patriarca da Família, já farto da minha “conversa de arquitecto” e das minhas constantes ameaças (retirar o Termo de Responsabilidade, embargar a obra, etc.) chamou à minha “relíquia”, em plena rua e rodeado dos atentos vizinhos, de “Mamarracho”. Assim mesmo! Toma e embrulha…
Eu tomei e embrulhei. Meti-me no carro e fiz a sinuosa estrada nacional até à A2 a chiar os pneus e a espumar de raiva. Tinha sido humilhado! Eu, que tanto trabalhei… Não era justo.
Passaram-se muitos anos sem que eu lá passasse. A minha amiga, constrangida, pouco me dizia sobre a casa.
Em Janeiro de 2005, digeridos todos os ensinamentos possíveis desta história e relativizadas as “mágoas de arquitecto ferido no orgulho” decidi ir conhecer esse meu “filho” e tentar perceber até que ponto a sua “conturbada infância”, pela separação litigiosa dos pais, o tinha verdadeiramente afectado.
Estacionado o carro à porta da casa, enchi-me de coragem, e toquei na campaínha.
Entrei, visitei demoradamente todos os espaços e, talvez pela primeira vez, ri-me com gosto de mim próprio. Pedi inclusivamente à minha companheira, também arquitecta, que me fotografasse, em plena escada da balaustrada, a encenar um desgraçado agarrado à cabeça. Enquanto isso, a dona da casa, com o seu avental aos quadradinhos ia fazendo a limpeza e ateando a lareira.
Depois segui viagem.
Desta vez em paz. A lição foi aprendida. Fiquei a gostar muito desse "meu filho".
Moral da história: A que cada um entender. Para mim, a necessária aprendizagem e as “dores do crescimento”…
Doem mas fazem muito bem.
E se houvesse “razão” nestas coisas, não estava do meu lado. Com certeza.
Vista da rua

Planta do Piso 0
2- O Programa:
Funcionalmente o edifício divide-se em dois grupos espaciais de características e exigências técnicas/programáticas distintas;
A agência do BESA ocupará a totalidade do piso térreo e ainda uma área “encaixada” no piso 1, onde se localizou estrategicamente o gabinete do futuro Gerente.

Perspectiva do átrio central orientada parao balcão da agência
Esse gabinete está posicionado de forma a usufruir de uma visão projectante sobre toda a zona de clientes da agência, proporcionada pela criação de um duplo pé-direito na faixa central do edifício.

O 1º andar (piso 1) será ocupado por dois apartamentos de tipologias ligeiramente diferentes: um T2 e um "T1+1". Este último dispõe de uma assoalhada complementar que poderá funcionar como um escritório ou como um pequeno quarto auxiliar.
Nas habitações privilegiámos sobretudo a vista para o rio, aqui obtida através de uma caixilharia que percorrerá toda a fachada e que permitirá o acesso à varanda exterior coberta. Do lado da rua, a caixilharia é ensombrada e protegida através das lâminas verticais que a caracterizam.
Corte longitudinal/Corte transversal
3- Aspectos construtivos:
Desde o inicio do projecto que as condicionantes e/ou dificuldades existentes para a construção no Soyo (menos desenvolvido nesse aspecto do que outras Províncias) foram encaradas como um dado objectivo, (entendido como mais um pressuposto prévio para o projecto,o que conduziu a soluções estruturais e de pormenor acessíveis a qualquer empreiteiro não muito especializado.
Fotografias da obra (Julho 2006) enviadas pela Progest (Engº Francisco Gaspar)

Ficha técnica:
Promotor: Banco Espiríto Santo de Angola (B.E.S.A.)
Representante do promotor em obra: Engº Paulo Silveira, assistido por Neusa Mendes, eng.
Fiscalização: Progest; Engº paulo Nóbrega e Engº Francisco Gaspar
Construtora: Teixeira Duarte / direcção de obra: eng. Paulo Almeida
Projecto Geral de Arquitectura: Metáfora Arquitectos Associados, lda.
Coordenação da equipa projectista: arq. Gonçalo Afonso Dias
Colaboração: Susana Alvarez, Andreia Carinhas, Edgar Soares, Vanda santos, Tiago Iglésias, arquitectos
Projecto de Fundações e Estruturas: Safre/ coordenação: eng. Paulo Freire
Projecto de Instalações Mecânicas: Instec /coordenação: eng. Viegas Rodrigues
Projecto de Instalações Eléctricas, telecomunicações e Segurança: Copreng / coordenação: eng. António almeida
Projecto de Infraestruturas de Águas e Esgotos: Grade Ribeiro, lda. / coordenação eng. Grade Ribeiro
Modelação 3D: arq. miguel Kriphall
Acessoria e implementação de sistemas de segurança: Securitas de Angola