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Monday, June 28, 2010

DENÚNCIA - Os Agentes da PSP de Oeiras, a Fotografia e as saudades de Salazar

O "Agente Principal" Costa Santos momentos antes de estacionar. Foto: Gad. Santo Amaro de Oeiras, 2010

Escrevia eu ontem a jeito de título (para o site Olhares.com) de uma das fotografias da série da passadeira "cheira-me que esta série não tem fim..." e, de facto, imaginava ainda uma série de situações inesperadas, para mim e para a protagonista passadeira.
Não é difícil perceber a ideia subjacente a este trabalho; um suporte gráfico com uma autoridade e um sentido que o "homem" lhe quis dar e a subversão (a cores ou a preto e branco) desse pressuposto.
A exploração do suporte, sob vários pontos de vista, ângulos ou distorções abririam caminhos para novas tentativas.
A figura humana (ou não) é sempre o elemento fundamental da composição. Maioritariamente fotografados de cima, adquirem o valor da forma em movimento sob um plano demasiado estático feito de riscas brancas e pretas.
Mas isso era ontem... Esta tarde numa nova sessão feita a partir da minha varanda que está sobre essa passadeira, passou, para depois parar um veículo do corpo da PSP de Oeiras.
Lá de dentro saíram os "Agentes Principais" Hugo Santos e Costa Santos.
O mais novo, o agente Hugo Santos dirigiu-se a mim, ainda "lá de baixo" nos termos que tornaram famosa a nossa polícia.
Convencido de que iria servir para alguma coisa, fui buscar uma cópia do documento «Direito de Fotografar em Portugal »e desci ao encontro dos dois agentes.
Nada feito... Não queriam saber daquilo para nada. Cada argumento meu merecia uma resposta de um calibre intelectual arrasador; quando disse que a fotografia era uma arte recebi um sorriso de escárnio e uns grunhidos que não consegui decifrar...
Quando ousei dizer que era trabalho, foi pior ainda; trabalho?!
Disse-lhes então (já mais chateado) que estavam a prestar um bom serviço à ignorância e um péssimo serviço à cultura e que até parecia que vivíamos nos dias de Salazar. O Agente Principal Hugo Santos não se conteve e soltou um " mas é pena...".
Fiquei então a saber que a queixa tinha partido de uma senhora "dali" (Quem sabe se a mesma que há bem pouco tempo me brindou com uma pedrada...) e que o motivo era o de eu ir para a janela fotografar raparigas. Acabou a conversa. Disse-lhes que fizessem o trabalho deles que eu trataria de denunciar a situação como pudesse.
Este relato refere-se exactamente ao dia 28 de Junho de 2010.
Como é que será em 2020?!...








"Cheira-me que esta série não tem fim..."

Fotografias; GAD. Santo Amaro de Oeiras, 2010

Friday, June 11, 2010

À Pedrada!

Há três meses dei aqui conta de um incidente onde fui vítima, dentro da minha própria casa, de insultos, impropérios e olhares ameaçadores feitos por um polícia de trânsito pelo simples facto de eu estar a fotografar aquilo que se passava na rua, no caso a Procissão dos Passos. Foi no dia 8 de Março deste ano.

Desta vez relato algo que me parece mais esclarecedor da mentalidade e/ou do estado de desvario em que anda a generalidade das pessoas.
Estava a fotografar como faço, quase diariamente para aquilo que me desperta interesse na rua, nomeadamente figuras insólitas ou representativas da nossa condição social, maioritariamente em sombra ou em movimento sugestivo, quando, vinda "de não sei onde" surgiu uma senhora, com um ar normalíssimo, proferiu umas palavras que eu não entendi e arremessou uma pedra na minha direcção, bradando depois que "ía chamar a polícia".

Tendo em conta a figura da Lei que sempre me acompanha, e considerando ter sido alvo de uma tentativa de agressão que pôs em risco a minha integridade física e a do material que usava (só a objectiva ascende a 800€), desci calmamente à rua (vivo num 1º andar) à espera que a polícia aparecesse para formalizar a respectiva queixa contra a medieval senhora das pedras.

Mas a polícia não a pareceu e a senhora muito menos. Ficou-me uma revolta enorme. Dei uma volta pelas lojas e cafés da zona indagando pela fera, porém sem sucesso.
Este episódio que poderá ser relativizado "tipo - se calhar ela pensou que ele lhe tirou uma fotografia e não gostou...- é quanto a mim, mais um efeito do estado e do "vale tudo" em que este país se vai arrastando: Os ministros mentem, os banqueiros roubam, a corrupção aumenta e as medidas para combater a crise aumentam as crises dentro de casa de cada um... O escape é a rua e isso sente-se em tudo: no trânsito, nas lojas, nos passeios e até nos olhares.