Fotografia: Gonçalo Afonso Dias, Lobito, Angola, 07/2012
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Monday, July 16, 2012
Saturday, July 14, 2012
Moi Même
Fotografias do meu amigo Luís Trocado durante uma paragem forçada por um acidente durante a viagem de carro entre Luanda e o Lobito. Um abraço caro Luís!
Angola, 07/2012
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Friday, July 13, 2012
"Bola ao ar! "
"Bola ao ar". Fotografia: Gonçalo Afonso Dias, Ilha do Mussulo, Angola, 07/2012
Da série "Meninos do Mussulo"
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O "Dono da Bola" ou... Corrida sincronizada.
"O dono da bola". Fotografia: Gonçalo Afonso Dias, Ilha do Mussulo, Angola, 07/2012
Da série "Meninos do Mussulo"
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Thursday, July 12, 2012
O "Maka" fotógrafo e fotografado
Fotografia: Gonçalo Afonso Dias
Ilha do Mussulo, Angola 07/2012
Da Série "Meninos do Mussulo"
"A alegria do Maka ao receber a fotografia que regista o seu "grande momento" quando foi, por minutos, fotógrafo em Dezembro de 2011."
«O "Maka" é um dos "Meninos do Mussulo" amplamente retratados na "Série que lhes venho dedicando desde 2004.
E como é valente!. Nasceu com asma, tal como eu. Mas assim vive, sem qualquer tratamento, e tenta ser como os outros e superá-los até que um dia o humanismo e a solidariedade institucionais cheguem efectivamente à ilha...»
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Um "Baile de Bola"
Fotografia: Gonçalo Afonso Dias
Ilha do Mussulo, Angola, 07/2012
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Chagas de Salitre
Fotografia: Gonçalo Afonso Dias
Lobito, Angola, 07/2012
Chagas de Salitre
de
Ruy Duarte de Carvalho
Olha-me este país a esboroar-se
em chagas de salitre
e os muros, negros, dos fortes
roídos pelo vegetar
da urina e do suor
a carne virgem mandada
cavar glórias a grandeza
do outro lado do mar.
Olha-me a história de um país perdido:
marés vazantes de gente amordaçada,
a ingénua tolerância aproveitada
em carne. Pergunta ao mar,
que é manso e afaga ainda
a mesma velha costa erosionada.
Olha-me as brutas construções quadradas:
embarcadouros, depósitos de gente.
Olha-me os rios renovados de cadáveres,
os rios turvos de espesso deslizar
dos braços e das mãos do meu país.
Olha-me as igrejas restauradas
sobre ruínas de propalada fé:
paredes brancas de um urgente brio
escondendo ferros de educar gentio.
Olha-me noite herdada, nestes olhos
de um povo condenado a amassar-te o pão.
Olha-me amor, atenta podes ver
uma história de pedra a construir-se
sobre uma história morta a esboroar-se
em chagas de salitre.
Ruy Duarte de Carvalho (Santarém, 1941 – Swakopmund, 2010) foi um escritor, cineasta e antropólogo angolano (Wikipédia)
(Fotografia: Net)
Não fotografo mendigos ou indigentes já sem dignidade, já sem a capacidade de dizer: Não!
Não fotografo "ás escondidas", sub-repticiamente, para conseguir uma imagem com impacto.
Em Angola, em Portugal ou noutra parte qualquer do Mundo procuro fotografar a verdade, com verdade. Este homem é digno. O que não é digno é o que estão a fazer dele e de muitos milhares nas mesmas condições...
Importa em fotojornalismo "não inventar realidades". A fotografia, neste caso é uma arma, pequena mas contundente, de denúncia, de critica, de protesto e, sobretudo, de solidariedade." (GAD)
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Wednesday, July 11, 2012
Fernando ou "Relevo"
Fotografia: Gonçalo Afonso Dias
Ilha do Mussulo, Angola, 07/2012
Relevo é o Nome de Guerra. Ex- guerrilheiro do MPLA viveu anos seguidos na frente de combate, em cenários de guerra violentos. Conta histórias desses tempos com emoção. Agora trabalha numa empresa privada de segurança. Mais um amigo que eu fiz.
Feliz?!... Não. Como todos tem os seus momentos e este foi um deles. Mas como é que se pode ser feliz, se é que "isso" existe, com um passado de mortes, de sangue, de horror? Marcas da guerra tem muitas, por dentro e por fora. Nas pernas inúmeras cicatrizes contam como ele, um dia, escapou vivo do rebentamento de uma mina.
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Tuesday, July 10, 2012
Monday, July 09, 2012
A Cara da Fome
(Fotografia: Gonçalo Afonso Dias)
Joaquim Manuel Ferreira, 44 anos apenas... Mais novo do que eu, mas velho, moribundo, esfomeado. Ex-guerrilheiro, com um filho que passa fome como ele.
Encontrei-o na praia do Lobito junto ao Hotel Términus onde estava hospedado.
Ao longe, numa praia absolutamente deserta, a silhueta de um homem "perdido" chamou-me à atenção. Fui ter com ele. Estava a ler... um texto biblíco...desidratado, pele e osso nada me pediu. Conversei com ele, dei-lhe atenção. Chamou-me "paizinho" um tratamento comum em relação aos mais velhos. Perguntei pela família, pelo trabalho que não tem...
a vida dele foi a guerra e como muitos milhares, a paz deixou-os no desemprego, na miséria. O Governo esqueceu-os, esqueceu-se das pensões a que tinham direito.
Os seus olhos amarelos com laivos vermelhos contam o desespero mas também a entrega, a resignação ao álcool...
Ajudei-o com 20 dólares para poder comer sabendo de antemão que talvez não os usasse para isso. Mas, na dúvida, prefiro assim.
Quando lhe entreguei o dinheiro, depois de uma conversa grande sobre a morte que o ameaçava, caso continuasse a desistir de viver , chorou como uma criança... Veio-me também uma lágrima ao olho, confesso.
É esta Angola de profundos contrastes de gente muito rica e de muita gente muito pobre que urge mudar. Ainda acredito que, um dia, este homem encontre um caminho que não o do suicídio lento e progressivo que agora percorre.
Lobito, Angola, Julho 2012
Sunday, June 24, 2012
Todos diferentes, todos iguais /All different, all the same
(Fotografia: Gonçalo Afonso Dias, Ilha do Mussulo, Angola 12/2011)
(Texto inserido no site Olhares.com)
Esta fotografia é dedicada ao João Clemente que, na foto "Sem medos" (http://olhares.sapo.pt/sem-medos-foto5295723.html?nav1 ) desta série expressou uma dúvida muito pertinente sobre estas crianças: "criançada muito alegre, não sei se feliz..".
Sem entrar em reflexões filosóficas do que é a felicidade (uma utopia..., uma abstracção...) essa questão permite-me, neste resumo, dar-vos a conhecer um pouco mais do contexto social e humano em que estas crianças vivem, comparativamente com a maioria das crianças angolanas, uma reflexão baseada no meu profundo conhecimento da realidade Angola, e particularmente das suas crianças um pouco por todo o país, antes e depois da independência, antes, durante e depois da guerra civil que só teve fim em 2001.
O que distingue estas crianças, por ex dos meninos de Luanda?
Qual a razão da sua alegria?
São duas questões cuja resposta, precedida de uma breve contextualização, explica esta realidade.
Os meninos do Mussulo, que acompanho, fotografo e ajudo há mais de oito anos, vivem numa ilha. Apesar da proximidade à grande e densamente povoada Luanda (mais de cinco milhões de habitantes...) na sua grande maioria, não a conhecem. O seu mundo resume-se à ilha onde nasceram e onde continuam a crescer.
Longe do caos, das tentações, dos perigos com que vivem os meninos de Luanda e um pouco por todo o país, não lhes falta o essencial. Os pais, em grande parte ilhéus também, vivem do que o mar lhes dá - o peixe, o marisco.
As famílias no Mussulo mantêm uma estrutura ancestral. Aos mais velhos são respeitados e ouvidos, os mais novos são protegidos e bem alimentados.
A solidariedade existe na comunidade. A entreajuda, as relações entre famílias.
A grande ameaça para esta gente boa é a doença - a Malária, a cólera. Mas, hoje, com as campanhas de consciencialização e de prevenção que têm vindo a ser feitas por todo o país, esses flagelos perderam muito terreno.
O meninos do Mussulo vão à escola, vão ao posto médico e não sabem o que é pedir, o que é passar fome, o que é ver os pais mortos ou mutilados - já nasceram, na sua maioria, em Paz.
Não têm IPods, computadores, brinquedos sofisticados... Mas têm uma imensidão de praia, têm o mar... Constroem, a partir do lixo criativos e engenhosos brinquedos.
Como todas as crianças, como todas as pessoas, têm momentos de tristeza e momentos de alegria. Mas têm momentos de alegria! Muitos, mesmo.
É uma alegria que nasce com eles, que caracteriza, por outro lado, todo o povo angolano que, mesmo vivendo dificuldades para nós inimagináveis, consegue sorrir, cantar e dançar.
Tenho a honra, o gosto e o orgulho de ter proporcionado ao longo destes anos, alguns dos momentos de alegria destes meninos. Tenho-os visto crescer, têm-me visto crescer.
Dia 30 deste mês volto a Angola no âmbito das minhas actividades profissionais e comigo levarei a certeza de os encontrar bem. Levarei uma bola de futebol... Uma corda de saltar e os retratos que lhes fiz e que estão nesta série tão bem acolhida por todos vós - o que agradeço profundamente - por eles. Bem hajam!
Fotografia: Ilha do Mussulo, Angola, 11/2012
Na foto com os meninos do Mussulo - a nossa colega e minha mulher Suzana Alvarez que, pela expressão, revela bem a felicidade de os ter conhecido.
This photo is dedicated to João Clemente, that in the photo "Sem medos" (http://olhares.sapo.pt/sem-medos-foto5295723.html) off this series expressed a very relevant doubt about this children: "Very cheerful children, not sure if happy..".
Without going into philosophical thoughts about what's happiness (an abstraction...), this doubt allows me, in this description, to let you to know a little more of the social and human context in which these children live, compared with most of Angola's children, a reflection based on my profound knowledge of the Angolan reality, and particularly of it's children all over the country, before and after the independence, before, during and after the civil war that only saw an ending in 2001.
What distinguishes these children, for example, of the children of Luanda?
What's the reason of their joy?
These are two questions which question, preceded of a small contextualization, explains this reality.
The kids of Mussulo, that I follow, photograph and help for over 8 years, live in an island. Despite the proximity to the large and densely populated Luanda (more than five million people ...) the vast majority have never been there. Their world comes down to the island where they were born and continue to grow.
Away from the chaos, the temptations, the dangers the kids of Luanda live with, they are not lacking the essentials. Their parents, in most of the islands, live of what the sea gives them - the fish and the shellfish.
Families in Mussulo maintain an ancestral structure. Elders are respected and heard, the young are protected and well fed.
Solidarity exists in the community. The mutual support, the relations between families.
The big threat for this good people are the diseases - Malaria, cholera. But, today, with the big campaigns of awareness and prevention that have been made all over the country, these scourges have lost much ground.
The children of Mussulo go to school, go to the medical post and don't know what's begging, starving, seeing their parents dead or crippled - they were born, mostly, in Peace.
They don't have iPods, computers, sophisticated toys... But they have the beach, they have the sea... They build, from trash, creative and ingenious toys.
Like every children, like everybody, they have moments of sadness and moments of joy. But they have moments of joy! Many, really.
It's a joy that is born with them, that characterizes, on the other size, all the Angolan people that, even living difficulties that for us are unthinkable, can smile, sing and dance.
I have the honor, love and pride to have provided over the years, some of the moments of joy of these kids. I have seen them grow, they have seen me grow.
30th of this month I go back to Angola as part of my professional activities and will bring with me the certainty of finding them well. I will take a football ... A jumping rope and pictures that I have taken from them in this series and are so well received by all of you - which I deeply thank - for them. Thank you!
Translation: Tiago Afonso Dias
Fotografia: Série "meninos do Mussulo" - actualizada
Fotografia: Gonçalo Afonso Dias, Ilha do Mussulo, Angola, 12/2011
SÉRIE "MENINOS DO MUSSULO" - Última actualização: 2012-06-24
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Saturday, June 23, 2012
Todos diferentes, todos iguais.
(Fotografia: Gonçalo Afonso Dias, Ilha do Mussulo, Angola, 12/2011)
(Texto no Olhares.com) :
Esta fotografia é dedicada ao João Clemente que, na foto "Sem medos" (http://olhares.sapo.pt/sem-medos-foto5295723.html?nav1 ) desta série expressou uma dúvida muito pertinente sobre estas crianças: "criançada muito alegre, não sei se feliz..".
Sem entrar em reflexões filosóficas do que é a felicidade (uma utopia..., uma abstracção...) essa questão permite-me, neste resumo, dar-vos a conhecer um pouco mais do contexto social e humano em que estas crianças vivem, comparativamente com a maioria das crianças angolanas, uma reflexão baseada no meu profundo conhecimento da realidade Angola, e particularmente das suas crianças um pouco por todo o país, antes e depois da independência, antes, durante e depois da guerra civil que só teve fim em 2001.
O que distingue estas crianças, por ex dos meninos de Luanda?
Qual a razão da sua alegria?
São duas questões cuja resposta, precedida de uma breve contextualização, explica esta realidade.
Os meninos do Mussulo, que acompanho, fotografo e ajudo há mais de oito anos, vivem numa ilha. Apesar da proximidade à grande e densamente povoada Luanda (mais de cinco milhões de habitantes...) na sua grande maioria, não a conhecem. O seu mundo resume-se à ilha onde nasceram e onde continuam a crescer.
Longe do caos, das tentações, dos perigos com que vivem os meninos de Luanda e um pouco por todo o país, não lhes falta o essencial. Os pais, em grande parte ilhéus também, vivem do que o mar lhes dá - o peixe, o marisco.
As famílias no Mussulo mantêm uma estrutura ancestral. Aos mais velhos são respeitados e ouvidos, os mais novos são protegidos e bem alimentados.
A solidariedade existe na comunidade. A entreajuda, as relações entre famílias.
A grande ameaça para esta gente boa é a doença - a Malária, a cólera. Mas, hoje, com as campanhas de consciencialização e de prevenção que têm vindo a ser feitas por todo o país, esses flagelos perderam muito terreno.
O meninos do Mussulo vão à escola, vão ao posto médico e não sabem o que é pedir, o que é passar fome, o que é ver os pais mortos ou mutilados - já nasceram, na sua maioria, em Paz.
Não têm IPods, computadores, brinquedos sofisticados... Mas têm uma imensidão de praia, têm o mar... Constroem, a partir do lixo criativos e engenhosos brinquedos.
Como todas as crianças, como todas as pessoas, têm momentos de tristeza e momentos de alegria. Mas têm momentos de alegria! Muitos, mesmo.
É uma alegria que nasce com eles, que caracteriza, por outro lado, todo o povo angolano que, mesmo vivendo dificuldades para nós inimagináveis, consegue sorrir, cantar e dançar.
Tenho a honra, o gosto e o orgulho de ter proporcionado ao longo destes anos, alguns dos momentos de alegria destes meninos. Tenho-os visto crescer, têm-me visto crescer.
Dia 30 deste mês volto a Angola no âmbito das minhas actividades profissionais e comigo levarei a certeza de os encontrar bem. Levarei uma bola de futebol... Uma corda de saltar e os retratos que lhes fiz e que estão nesta série tão bem acolhida por todos vós - o que agradeço profundamente - por eles. Bem hajam!
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Thursday, June 21, 2012
Wednesday, June 20, 2012
FOTOGRAFIA - SÉRIE MENINOS DO MUSSULO / PHOTOGRAPHY - KIDS OF MUSSULO SERIES
Tenho visto, ao longo desses anos, muitos deles crescer. Tenho também crescido e aprendido com eles.
Crianças pobres, muitas delas a precisar de cuidados médicos mas sobretudo de carinho.
Apesar das dificuldades são crianças alegres e carinhosas, sempre com um sorriso espontâneo e genuíno.
Esta série é dedicada a elas e a todas as crianças do Mundo e de Angola, em particular.
This 121 photograph series is a sinthesis of the thousands of images about the children of the Mussulo Island, in Luanda, Angola, made between 2004 and December 2011.
I have seen, over the years, many of them grow. I have also grown and learned with them.
Poor children, many of them needing medical attention, but most of all affection.
Despite the difficulties they are happy and tender children, always with a natural and genuine smile.
This series is dedicated to them and all the children in the World and Angola, in particular.
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