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Thursday, March 18, 2010

Monday, March 08, 2010

Oeiras, Sto. Amaro e S. Julião da Barra - A Procissão do Senhor dos Navegantes, a polícia de trânsito e eu.

Fotografia: Gonçalo Afonso Dias. Santo Amaro de Oeiras, 2010-03-07

Desde que vivo em Oeiras(primeiro em Paço de Arcos, agora em santo Amaro), tenho acompanhado e fotografado, sempre que possível, as principais festas e cerimónias públicas que por cá acontecem.
Neste blogue anunciei e divulguei, por diversas vezes, tanto os eventos (incluindo os itinerários) como as respectivas fotografias.
Assim aconteceu no ano passado aquando da realização desta mesma procissão ou aquando do Desfile Pombalino, também no verão de 2009.
Aqui escrevi também, sem qualquer linha editorial ou particular interesse, de lojas que me encantam (e cujo bom gosto gostava de ver multiplicado...), de ruas do Centro Histórico,
de situações que, enquanto cidadão, entendi alertar - e foram atendidas - e outras que nem por isso.
Escrevi sobre política, sobre Isaltino, sobre a sociedade, enfim, um pouco sobre tudo o que por Oeiras se passa, naturalmente muito limitado pelo tempo que as minhas actividades de arquitecto e de fotógrafo "impulsivo" e amador me deixa.

Mas o título deste post é a anual Procissão do Senhor dos Passos.
Este ano, contrariamente aos anteriores publico aqui apenas uma única fotografia a acompanhar um protesto, desabafo, constatação, o que quiserem...
Este ano não tive tempo de acompanhar a procissão e fiquei limitado à minha varanda e ao que daí poderia fotografar.
Para um fotógrafo um evento como esse transcende em muito a sua própria origem (neste caso religiosa) encontrando com a particularidade do seu olhar infinitos motivos de interesse, nomeadamente nas pessoas que, nessas alturas, transmitem através das expressões corporais e faciais, sobretudo em grupo, a essência da celebração.

Depois de escolher a objectiva mais adequada para o que pretendia fazer, depois das habituais "afinações" da máquina, comecei a fotografar, ainda a procissão vinha no princípio da rua.
Em baixo, a regular o trânsito, cortado, para o efeito, no cruzamento junto à minha casa, estavam 3 agentes da polícia de trânsito; 1 motorizado e dois a pé.
Cumpriam, por isso as suas funções - regular o trânsito.
Eu, cumpria a minha vontade, livre, na minha varanda, na minha casa - fazer fotografia, cobrir o acontecimento.
Mas por pouco tempo...
O chefe dos polícias, que aqui me absterei de reproduzir o nome escrito na farda, ao sentir-se eventualmente fotografado também, (que crime!) sem qualquer cerimónia e em termos mais próprios de um indigente, dirigiu-se a mim, (da rua onde estavam muitas pessoas, incluindo vários fotógrafos) e perguntou : (... Ouça lá! Não sabe que não se podem tirar fotografias assim sem mais nem menos?!)
Eu chamei-lhe, desde logo, à atenção para a forma mal-educada e agressiva como se estava a dirigir a um cidadão, que nada o justificava, etc, etc... mas para o polícia de bigode isso pouco importava... disse-me mais qualquer coisa sobre eu nem a risca branca da passadeira saber ver, olhou-me com olhos ameaçadores tipo "se t'apanho ó malandreco...", meteu-se na viatura da polícia e seguiu.
Confesso que não tirei muitas mais fotografias. Não pela atitude ou pela provocação do ignorante de farda vestida.
Apenas porque de repente perdi o gosto. Lembrei-me das histórias que o meu pai me contava sobre ser preso por fotografar um mendigo... ou ter de fotografar um polícia às escondidas, de costas...
Pois... era nos idos de cinquenta e tal...
No tempo do fascismo.
No tempo do medo.
Num tempo que, cada vez mais, todos os dias, em pequenas e grandes coisas, anuncia o seu sinistro regresso.

PS: pelo meu pai, anti-fascista desde jovem, conheceu e enfrentou
a "bufaria" e nunca se calou. Até ao dia da sua morte.

Wednesday, February 24, 2010

Monday, February 15, 2010

FRIO

Fotografia: Gad. Sto. Amaro Oeiras, 2010

Wednesday, November 25, 2009

Wednesday, October 14, 2009

Fotografia - "A inspiração da Luz"

"A inspiração da luz". Fotografia: Gad. Santo Amaro de Oeiras, 2009

Friday, October 09, 2009

Tributo à Chuva

Fotografia: Gad, Santo Amaro de Oeiras, Outubro 2009


Gosto quando chove. Sobretudo de noite.
O ar fica limpo, fresco e a luz brilha em cada gota de água caída no chão. As pessoas passam, mais lestas, a caminho das "estações" das suas vidas. A fotografia agradece. O fotógrafo também... Supera, assim, subtilmente, os limites "ISO" e "f's" , prescritos pelo equipamento de que dispõe. Já pouco importa o que sabia, importa sobretudo o que quer descobrir, em "modo manual", fotografia após fotografia. E por vezes, surpreende-se, por gostar tanto da chuva.

Wednesday, October 07, 2009

Adenda a um post recente

Segunda-feira passada "meti conversa" com o senhor da cadeira de rodas eléctrica que motivou um post recente.
Fora de horas, junto ao jardim em frente à pequena Capela de Santo Amaro, cruzei-me com ele e interpelei-o: _ " sabe? Ontem escrevi uma coisa sobre si no meu blogue...e não me sentiria confortável se não lhe dissesse.
O simpático senhor, agora já lhe conheço o nome - Luís - que me viu tirar a fotografia que postei no artigo, apenas me perguntou se "já tinha fechado o texto..." "É porque as coisas não são bem o que parecem", desabafou. E disse mais... "Há quem não queira, sabe?!
Não, não sabia. Sei há muito que há gente para tudo. Mas o Sr.ª. Luís conhece pelo menos um caso de quem não tenha querido uma cadeira de rodas eléctrica...
Em tudo o resto, da descrição do texto que lhe fiz, estava de acordo e acrescentou alguma "lenha" para a fogueira da indiferença autárquica. falou-me com gosto, e com um brilho nos olhos, de uma livraria "Havanesa", junto à Igreja Matriz, cuja dona mandou fazer uma pequena rampa para que ele pudesse "visitá-la" mais confortavelmente. Uma iniciativa tão simples e tão humana, pensei.
Contou-me também um momento que guarda com tristeza, quando, uma das rodas da frente da sua cadeira se soltou e ele se viu tombado, numa posição «perigosa para os cotos» - "É esse o meu grande problema...". Por perto estava um homem que ele conhecia de rapaz e que se escusou a ajudá-lo justificando-se com uma "oportuna" maleita nas costas...
Foi uma conversa perturbadora mas profundamente humana. confirmei aquilo que pensava. Aquele homem tem uma enorme força, uma enorme coragem.
Não nasceu sem pernas, fiquei a saber. Foram as diabetes que lhe levaram primeiro uma e depois a outra perna cortando-lhe também uma carreira próspera no sector bancário. Perturbador mesmo foi saber que, com a idade que tem, e a vida que já teve, diz sem pudor mas com um ar solene: " não tenho um único amigo" .

O Sr. João




Há um ano que vejo passar este senhor pela rua onde moro, invariavelmente às 16:30 nas tardes em que fico na varanda a ver "passar a vida".Por diversas ocasiões, fotografei-o na sua rotina de ida e vinda ao "Mini-Preço" para as compras do dia.
Contudo, havia nele algo que me intrigava; o andar pesado, o semblante triste e sobretudo os passos mecânicos de quem cumpre um ritual a que é obrigado. Fotografei-o em diversas ocasiões como fotográfo muita gente que passa na "minha rua".
Só hoje edito uma fotografia do Sr. João porque finalmente quebrei o muro de silêncio que entre nós existia, pontualmente subvertido por uns breves acenos, e fiquei a saber um pouco da história desse homem que tanta empatia me causava. O Sr. João, é natural de Cabo-Verde e já lá não vai há mais de 15 anos. É um homem só, apesar dos filhos (emigrantes em França), e de uma mulher de que já não quer falar. Entre palavras e retratos retive uma que ele "deixou sair" quando lhe perguntei se os filhos não lhe davam "uma ajuda"...« Não gosto que mandem em mim!... os filhos, depois de casarem mudam e já querem mandar no pai...» Foi mais ou menos assim que sr. João, de cabelos brancos e andar pesado, justificou, à sua maneira, a sua solidão mas também, para mim, a sua Liberdade...

Fotografias: Gad. Santo Amaro de Oeiras, 2009

Friday, April 17, 2009

Santo Amaro de Oeiras - A noite ; Caminhos #01

Epígrafe em ‘A Hora do Diabo’


No light, but rather darkness visible.
Mas essas chamas lançam, não luz,
mas sim treva visível.


Fernando Pessoa




Fotografias: Gad, 2009





Wednesday, March 18, 2009

Oeiras - Centro Histórico : De volta à Rua Febus Moniz...

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Foto. Gad, 2009

...Com passagem pelo "30" da João Teixeira Simões e paragem na Pastelaria "Os Netos", mesmo em frente à "Xuinha Shop".
Começo esta minha "ronda" pelo final, a pastelaria "Os Netos", na Febus Moniz, onde normalmente me demoro numa chávena de café, acompanhado do meu fiel companheiro (canino) de caminhadas nocturnas, o "Lost".

Desenho: Gad, 2009

Agora que as noites já convidam a "estar na rua" o café do Sr. Alberto (a dita pastelaria), é um autêntico oásis no Centro Histórico desta bonita Vila. Na mesma rua, adivinho pelas plataformas de betão idênticas à que conforma a esplanada dos "Netos", mais um ou dois espaços provavelmente abertos a outras horas do dia.
Já me custa dar o exemplo das vilas , aldeias e lugares espanhóis onde, com um clima idêntico ao nosso, qualquer canto, recanto, beco, praça, arcada ou interior de quarteirão é aproveitado para promover o pequeno comércio local e mais concretamente o comércio vocacionado para a vida pós-laboral, tão apreciada e enraizada entre os nossos vizinhos.

Em Oeiras, nomeadamente no Centro, não faltam "clientes" desejosos de uma mesa numa qualquer esplanada para dividir com os amigos depois do jantar, numa salutar rotina limitada pelas 4 ou 5 mesas disponíveis ali na rua Febus Moniz. Espalham-se, por isso, um pouco por todos os recantos onde há bancos, luz amena e um café na proximidade para o "abastecimento"... ; no Largo 5 de Outubro junto à Igreja Matriz, no Jardim próximo da Capela (Na Rua dos lusíadas), ou então "descem" para da Marina, abandonando o desconforto do Centro Histórico deserto e praticamente moribundo.
Confesso que não entendo a "cabeça" dos autarcas portugueses. "Oeiras tem", "Oeiras Faz", "Oeiras desfaz", e até "Oeiras Projecta"...
Projecta, e constroi e quanto a mim faz mal. Mas isso é assunto para um post exclusivo, mais prolongado e devidamente fundamentado. Por enquanto "ainda estou"na Pastelaria a pagar a despesa ao simpático sr. Alberto...
Subo a rua, passo pelo Largo da Igreja (onde ironicamente, estão "plantados", numa sequência "requintada", um conjunto de bancos que quase ninguém utiliza) e dou de caras com o "30" da Rua João Teixeira Simões. Surpresa! há sinais de obra (um grande contentor de entulho da câmara à frente) nessa casa abandonada e de porta aberta para a rua a que aqui já antes fiz referência.
Melhor assim. Mais vale tarde que nunca...
Curiosamente, há alguns dias ", pela calada da noite, enchi-me de coragem" e avancei um pouco na escuridão ameaçadora, emoldurada pela guarnição em pedra daquilo que em tempos foi a entrada do nº 30 daquela rua. E disparei a minha inseparável Canon para a obscuridão.

Foto: Gad, 2009

Cá fora, reparei num edital da Câmara Municipal de Oeiras (C.M.O.), há muito a encarquilhar, colado ao que resta de uma das janelas da pobre casa.
Para minha surpresa, esse edital intimava o proprietário à execução de obras num prazo ali determinado (e há muito caducado), sob pena de ser a C.M.O. a fazê-las compulsivamente... (O que, segundo as datas do documento, já estaria também feito há muito, muito tempo...)
Afinal sempre há mecanismos...Talvez falte, por vezes, um "empurrãozito"...

Thursday, March 12, 2009

Monday, March 09, 2009

Oeiras - Centro Histórico : As casas não dormem...

Foto: Gad, 2009

Oeiras, Centro Histórico, Março do ano de 2009:Uma das muitas "casas" carregadas de História, votadas ao abandono do(s) proprietários e à negligente cumplicidade do Poder autárquico que tem mecanismos legais para accionar (obras compulsivas)e mais não faz do que colar um "edital" ameaçador na porta por onde já não entra ninguém que esteja interessado em lê-lo...Depois, um dia, a Vila acorda sobressaltada com mais uma tragédia, mais um incêndio por explicar, mais gente "sem abrigo" que se revela e é urgente abrigar.O tempo passa depressa, a memória é curta e, de repente, naquele sítio de sonho, nasce sem alma mais um qualquer condomínio em estilo "Arquitectónico/Inóquo", i.e.: frigído, indiferente ao sítio, sem conteúdo,sem mais nada, sem ousar... mas cumpridora do R.G.E.U.** e dos demais regulamentos camarários para uma aprovação "agilizada". Assim, pouco, a pouco, se vai desfazendo Portugal e promovendo uma arquitectura "sem dono".

Tuesday, March 03, 2009

OEIRAS - CENTRO HISTÓRICO: Leis não faltam... Falta IMAGINAÇÃO

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«Para um cego caminhar pelos passeios das nossas cidades ou vilas é esbarrar a cada pequeno passo com a falta de "visão" dos autarcas, com a falta de civismo dos cidadãos, com a falta de escrúpulos e de valores generalizada. Este homem, que eu ajudei,ficou bloqueado por uma simples pedra da calçada negligentemente atirada "para o lado"... Tenta cumprir a sua vida com a qualidade possível, mas, por "estes lados" é quase impossível...»
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Os Centros Históricos são (pelo contexto sócio-económico dos proprietários e/ou inquilinos dos seus edifícios) locais onde a degradação estrutural e social encontra o seu "micro ambiente" preferencial.
Por um lado as autarquias "defendem-se" com a Lei imputando responsabilidades aos proprietários; do lado dos proprietários, os miseráveis valores das rendas são o argumento recorrente para o "deixar cair", ou "deixar arder", já que os edifícios "só" têm valor patrimonial mas os terrenos (esses sim) têm um enorme valor material...





No meio destas razões (ou falta delas) instala-se a INSEGURANÇA.
Edifícios "fantasma" de portas escancaradas para a rua são locais apelativos para o "crime perfeito" sobretudo quando vivemos tempos de crescente e indiscriminada criminalidade.
Temos leis a mais...falta o PODER DA IMAGINAÇÃO às entidades que dizem que não têm legitimidade para intervir; Abrir um Corpo de Intervenção Urbana que limpasse, escorasse e entaipasse de um modo inteligente e criativo os edifícios "escancarados" usando, por exº, os "monstros" (nome dado ao lixo volumoso) que as pessoas diariamente depositam junto aos contentores. Criaria muitos postos de trabalho entre gente sem profissão, carpinteiros, pintores, artistas plásticos, garfitters, etc.

Interviria de um modo sistemático e regrado por forma a criar uma "imagem de marca" que identificasse claramente esse sector, não deixando margem para outras interpretações.
Falta, de facto, muita inspiração aos dirigentes deste país. A criatividade não se pode esgotar nas campanhas eleitorais.
Fotos: Gad. Oeiras, 02-2009

Friday, February 27, 2009

Santo Amaro de Oeiras - Rua Febus Moniz


Voltei à Rua Febus Moniz. Fiquei intrigado com o nome dessa rua... Tratando-se Febus Moniz de um figura importante que marcou o nosso "passado-recente (1850)" de luta pela Liberdade, não quis acreditar que no Site Oficial da Assembleia da República a referência a este homem, para além de escassa (o que revela uma pesquisa aumária) estivesse errada ... (FEBO).

Tanto no Google Earth, como nos documentos que encontrei na minha pesquisa, alguns de interesse histórico, o nome do corajoso revolucionário aparece correctamente. (FEBUS).

Ainda pus a hipótese (acontece com frequência) de o nome estar errado na placa da rua que em Santo Amaro o homenageia. MCor do textoas, também não. É mesmo uma "gralha" imperdoável dos escribas da Assembleia da República.

Entretanto, na minha pesquisa, fiquei a conhecer melhor a rua onde "paro" muitas vezes para tomar um café...

"Quando morreu o 2.º Alcaide-Mor de Sintra ficavam-lhe dois filhos menores: D. Filipa Coutinho,que casou com Febus Moniz de Torres, o célebre defensor da causa nacional em 1580, e Sumilher de Corpo de D. Sebastião, Procurador da Cidade de Lisboa e Presidente dos deputados das vilas e cidades do Reino, senhor do morgado das Conchas, no Lumiar; com geração representada pelos Condes e Marqueses de São Payo."*

É uma rua estreita e comprida, típica de um núcleo histórico, apontada à fachada principal da Igreja Matriz de Oeiras, que, por sua vez, como é tradição, está virada para nascente.
Podia ser uma rua com a vida de muitas que gostamos de ver nas vilas e cidades espanholas,
onde o pequeno comércio, as esplanadas abertas em qualquer canto e os hábitos de convivo dos cidadãos as caracterizam conferindo-lhes animação, movimento, alegria, Vida.
Mas não é. O pequeno comércio tradicional debate-se com a proximidade do Grande "Oeiras Parque" e de outros menores mas igualmente arrasadores.
Contudo, nesta rua, algumas surpresas feitas de imaginação e inteligência tentam contornar e superar essas barreiras propondo novas valências; é, por exº, o caso da loja do nº12 "Xuinha Shop" dedicada ao artesanato urbano.

* Ensaio sobre a Origem dos Correia