Saturday, January 26, 2013

Eu

 
Desenho: Gonçalo Afonso Dias, 01/2013


Eu Eu, eu mesmo...
Eu, cheio de todos os cansaços
Quantos o mundo pode dar. —
Eu...
Afinal tudo, porque tudo é eu,
E até as estrelas, ao que parece,
Me saíram da algibeira para deslumbrar crianças...
Que crianças não sei...
Eu...
Imperfeito? Incógnito? Divino?
Não sei...
Eu...
Tive um passado? Sem dúvida...
Tenho um presente? Sem dúvida...
Terei um futuro? Sem dúvida...
A vida que pare de aqui a pouco...
Mas eu, eu...
Eu sou eu,
Eu fico eu,
Eu...

(Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa)

Thursday, January 24, 2013

O País nº 106 a visitar o "Artes e Ofícios"

 
 

Espanta-me ainda existir

 
Desenho: Gonçalo Afonso Dias, 01-2013


Espanta-me ainda existir, amargo dia.

Foi ontem, sabia sonhar... Agora, choro uma alma endoidecida, espero-a de volta a mim, mas sei que ela está perdida. Narcisos dos vossos jardins, não comtemplam também que a vossa vida é uma preciosidade?... Enchem-na de lamentos e vaidades, esquecem que o tempo não torna.

A quem esqueceu, eu lembro a amargura deste dia.

(Florbela Espanca)

Sunday, January 20, 2013

 
 
 
"No Quarto escuro da Dúvida"
Desenho: Gonçalo Afonso Dias, 01-2013
 

Wednesday, January 16, 2013

"PÁGINAS DOS MEUS CADERNOS" - EXPOSIÇÃO DE DESENHO DE GONÇALO AFONSO DIAS

Dia 19 de Janeiro às 21:30h
 

 


 
(Localização) 


Rua Dr. Neves Elyseu, 2780-345 Oeiras (Junto à Igreja de Oeiras - Largo 5 de Outubro - e aos Bombeiros Voluntários de Oeiras.

Dady dará voz a esta inauguração acompanhada ao piano por Pedro de Faro


Organização de Luchapa - Associação Artística e Cultural

Tuesday, January 15, 2013

Ilustração - Poesia de Joaquim Monteiro - Agitação

 


AGITAÇÃO

Tenho em mim a agitação do tempo
O leve fulgor das açunenas
O novelo das camélias entristece-me
E sou uma folha ao sabor do vento.

Descendo a rua nua e fria
Que se aflora ao pensamento
Sou folha de um livro qualquer
Que alguém arrancou sem um lamento

Em turbulência me sinto com as sombras
Que a lua desperta nos pinheirais
Mas também agitado na noite fico
Se os teus seios passam por mim como vendavais

(Joaquim Monteiro)

Monday, January 14, 2013

O País nº 103 a visitar o "Artes e Ofícios" - Bermudas

 
 

Ilustração - Poesia de Joaquim Monteiro - Não sei Dizer

 
 
Ilustração: Gonçalo Afonso Dias, Janeiro 2013


A sensualidade da poesia de JOAQUIM MONTEIRO, dita por José Proença Carvalho

POESIA com CHÁ - 8 meses/ 8 novos poetas

(...) Associo-me com algum "atrevimento" mas absoluta liberdade a este evento procurando interpretar através do desenho - com ilustrações espontâneas e despretensiosas - o meu sentir em cada um deles.
Tive o privilégio de assistir ao último ensaio onde, a par da voz profunda e melodiosa do José Proença de Carvalho me encantei com a sonoridade exótica de um belíssimo instrumento de origem indiana (Sítar) tocado magistralmente por Henrique Areias (que também dá vida à flauta), com os vocalizos de Anali e ainda o acompanhamento ao piano do incontornável e omnipresente (!) Pedro de Faro.

Aí, enquanto me deleitava com cada poema dito e com cada detalhe e afinação próprios de um ensaio, surgiu-me a vontade de desenhar essas emoções.
Despretensiosamente, porque essas minhas interpretações em nada retiram valor absoluto aos poemas, ao poeta, aos músicos ou ao José Proença - apenas os querem complementar com uma expressão pessoal e relativamente abstracta.

A ideia subjacente a este trabalho (ainda incompleto) é , de certo modo, uma impressão intuitiva, quase imediata e o menos "formatada" possível da leitura de cada um dos 14 poemas que amanhã nos vão encher a alma.

Tal como a poesia, esses desenhos convidam, provocam, a descoberta.

A ordem pela qual os fiz não é a ordem pela qual serão ditos.
A prioridade aqui foi os "sentires".

Um desejo apenas - que, de algum modo, estes desenhos que irei aqui publicar digam alguma coisa, por pequena que seja dos poemas em que se inspiraram.

Espero que gostem. Eu diverti-me (e estou a divertir-me) muito! (...)


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JÁ NÃO SEI DIZER

NÃO SEI DIZER

Já não sei dizer amor; só desamor
Caiu em mim a noite que não dorme
O tecido da tristeza veste-me
A fina flor da lua, transbordou
E eu não sei recolher nas minhas mãos
Convexas, o limite da luz subjacente.

Estou só neste mar branco,
Nesta ausência de lençóis
Amarrotados de sorrisos,
De gargalhadas invertidas, no delírio
Em que se não sabe, a que horas
Parte o combóio do sono.

Os meus olhos estão baços
E as minhas mãos secas de frutos.
Já não me carregas os ombros
E no peito sinto uma leveza
De extremo abandono.

Da minha boca já não nascem
Borboletas que poisavam em teus seios
Já não saem labaredas, que,
Incendiavam o teu ventre de gazela.

As palavras são agora centelhas
Duma tristeza velada
Que só se dá conta, quem colocar
Pássaros azuis à janela.

Deixei de saber contar pelos dedos
Os dias da tua ausência.
Agora só servem para escrever e harpejar
No piano da indiferença, estes
Que adoravam poetar na tua pele.
Dei as lágrimas ao nocturno silêncio
Ao oceano devolvi-lhe o sal do choro.
Não quero mais suas ilusórias figuras
Líquidos cânticos e afagos.
Parto num veleiro sem pavilhão
Em demanda das terras de Preste João

(Joaquim Monteiro)






Notas:

JOAQUIM MONTEIRO

Nasceu em Paus, pequena aldeia do distrito de Viseu. Veio para Lisboa com 2 anos de idade e, aí tem permanecido até aos dias de hoje.
Fez uma incursão pelo Seminário menor de Beja. Da vocação falhada, (ou mudada) ficou-lhe o gosto pelo canto e pela literatura, vertentes essas que o têm acompanhado ao longo dos anos.

Foram publicados no tempo da juventude (68 a 70) vários poemas, nos extintos jornais Diário de Lisboa e República, nos suplementos juvenis, onde conheceu nomes amigos como, Joaquim Pessoa, Gastão Cruz e outros.
Volta agora a escrever, porque tem tempo e, a carne e a alma assim o ditam.
Feliz ficará, se esses escritos servirem para o deleite de alguns.
Publicou… (na tua boca) livro de poesia da Editora Universos e em algumas antologias.
Em preparação novo livro de poemas… (ainda sem titulo)

JOSÉ PROENÇA CARVALHO
Relações públicas, diz poesia regularmente em tertúlias e lançamentos de livros.

Integrou os grupos de jograis "Oeiras Verde" e "Verde em Sol & Lua". Fez parte do projeto de poesia "Teklas kom Sentido(s)".

Quando a poesia começou a entranhar-se na sua pele, começar a dizê-la foi a forma que encontrou para melhor a sentir e interpretar.
A experiência acumulada (teatro, canto, rádio) contribui para melhor dizer as palavras escritas, que jorram dos sentimentos mais profundos e das emoções de quem as escreveu.

www.luchapa.pt

Friday, January 04, 2013

O Navio

 
Fotografia: Gonçalo Afonso Dias
Janeiro 2013

"Enquanto o kandongueiro não vem"

 
Gonçalo Afonso Dias
Gouache e acrílico sobre papel
(43x31 cm) Janeiro 2013

Os "Meninos do Mussulo" na revista Fotomanya Vip nº 3

 
 
 
Na edição de Natal da "FOTOMANYA VIP" foi-me dado o gosto de aí ver publicadas 2 fotografias da série "Meninos do Mussulo" bem como uma entrevista - pag. 43 a 56
 
PARA ENCOMENDAR A REVISTA:
 
 

3+3

 
Fotografia: Gonçalo Afonso Dias
Oeiras, 03-01-2013

Diagonal

 
Fotografia: Gonçalo Afonso Dias
Oeiras, 03-01-2013

TV

 
Fotografia: Gonçalo Afonso Dias
Oeiras, 03-01-2013

Rodas

 
 
Fotografia: Gonçalo Afonso Dias
Oeiras, 03-01-2013

Auto-retrato(s) ensombrado(s)

 
 
 
Fotografias: Gonçalo Afonso Dias
Oeiras, 03-01-2013
 

Wednesday, January 02, 2013

Jorge Sequerra - Actor e Amigo

 
Fotografias: Gonçalo Afonso Dias, 01/2003
 
Telenovelas

Séries

"Do Outro Lado de Mim"

 
 
Gonçalo Afonso Dias, 01-2013
Aguarela sobre papel




Deste lado da vida há uma espécie de névoa, uma auréola de quase penumbra que me afasta do sol; às vezes perde-se a vista, perco o sentido, desvaneço-me em nevoeiro, sonhando um novo sol, desesperando nesta quase cegueira, quase não viver, quase ser uma ilha sem sol nem vida que não este viver que se esvai num dia a dia enevoado, pardo, estranho, carente de sentido.

Mas do outro lado da vida, no outro lado de mim, há um sonho que me aguarda, há um qualquer sol que não acendeu ainda a luz da paixão carnal que um dia, futuro, será real, festejando um novo mundo, o mundo de te amar.

Porque do outro lado de mim estás tu, luz que aquecerá a minha ilha deserta, o meu não ser enfim derrotado, acabado, nessa festa de luz que serás tu.Serás tu, seremos nós, seremos luz e vida, calor e fúria, amor de roupas rasgadas, tempestade de corpos que ardem, um mundo inteiro de estrelas cadentes numa dança festiva, cometas em fogo, ressurreição de planetas extintos.

Porque o outro lado de mim és tu !

(Arte Poética)

Tuesday, January 01, 2013

Passagem de Ano




O ano aproximava-se rapidamente do fim.
Já estava "de pantufas" preparado para o passar com o meu cão.
O telefone tocou - era o meu amigo Luís Soares - Estamos todos à tua espera!!!" disse-me.
Resisti. "Anda lá pá!" insistiu...
Fui e gostei muito de entrar em 2013 na companhia de tanta gente bonita. Foi bonita a festa!

Páginas dos meus Cadernos

 
 
Gonçalo Afonso Dias
01 de Janeiro de 2013

"Não digas nada, nem mesmo a verdade"

 
Gonçalo Afonso Dias, 31 de Dezembro de 212


Não digas nada!
Nem mesmo a verdade
Há tanta suavidade em nada se dizer
E tudo se entender —
Tudo metade
De sentir e de ver...
Não digas nada
Deixa esquecer

Talvez que amanhã
Em outra paisagem
Digas que foi vã
Toda essa viagem
Até onde quis
Ser quem me agrada...
Mas ali fui feliz
Não digas nada.

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"